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STRIKE: Com mais de vinte anos de estrada,
vocês com certeza têm muita coisa pra
contar. Dentre os seus muitos shows, em
vários lugares do Brasil e exterior, qual
foi o lugar mais estranho que vocês tocaram?
RG:
Houve um show na Hungria, próximo à Romênia,
em uma espécie de parque construído na
antiga floresta da Transilvânia. Com
certeza, as estórias e lendas relacionadas
ao local causavam um certo “clima”. O
público era bem estranho se comparado aos
padrões que estávamos acostumados... Além
disso, ao final desse show, rolou o famoso
caso da menina pedindo um pouco de sangue
pro Pit... Com certeza foi um show
diferente...
STRIKE: Ainda falando em shows. Qual o que
mais ficou marcado na lembrança e por quê?
RG: No meu caso foram dois... A abertura
para o Metallica e o do Japão no qual foi
gravado o “Maniacs”. No primeiro caso, a
quantidade de pessoas esperando a banda
principal nos deixava com uma grande
responsabilidade nas mãos... Foi um show que
começou tenso para a banda... mas após umas
duas ou três músicas, já sentíamos a
resposta positiva da platéia e aí fomos
melhorando a performance e conseguimos dar o
recado. O outro show, foi uma experiência
única... Técnicos, unidade móvel de
gravação, os executivos da JVC... Sabíamos
que tinha que ser perfeito em todos os
sentidos... Uma vez mais, acho que
conseguimos controlar a ansiedade e fazer um
belo espetáculo... Mas o frio no estômago
antes de subir ao palco foi....foda....rs
STRIKE: Para a divulgação do “All My Life”,
vocês participaram de vários programas
televisivos, assim como na época do
lançamento do Evolution, qual o aspecto
positivo deste tipo de mídia na opinião de
vocês?
RB: Faz parte do trabalho do
músico divulgar o seu trabalho para o máximo
de pessoas possíveis para que, ao menos,
fiquem conhecendo o nosso trabalho. Os
programas televisivos tem a vantagem, aqui
no Brasil, de potencialmente atingir
99% da população brasileira e até lá fora. É
provavelmente a mídia mais eficaz que existe
no país. E a mais concorrida também.
Mas também achamos importantes as revistas
especializadas em rock, rádios e
fanzines. Tem gente que não gosta de
assistir a Globo por razões idealistas mas
lê um fanzine underground e precisamos nos
preocupar com essas pessoas também. Não que
sejam ou venham se tornar fãs da banda. Mas
que ao menos possam falar: “Ah, aquela banda
do ‘Come On, Come On’!”.
STRIKE: Por quê a escolha de “Miles Away”
para ser tocada no Programa do Jô? Podemos
dizer que é a “música de trabalho” do grupo,
assim como foi “Rebel Maniac” do Evolution?
RB: Na verdade foi a única saída que a banda
encontrou para uma exigência técnica da
produção do programa que era tocar uma música
de até 3 minutos e meio. Queríamos tocar uma
música do Pit, a ‘Come On Come On’ mas
obviamente não ia rolar, pois a música tem
mais que isso. A solução que encontramos foi
tocar a ‘Miles Away’ que no disco tem o seu
tempo de execução em 3 minutos e 33 segundos.
Não pensamos muito nesse lance de música de
trabalho, pois isso não tem que ser algo
imposto pela banda e sim que o público
escolhe como música preferida. No ‘All My
Life’ todas as músicas são de trabalho, e
cada um tem a sua preferida. Mas é claro que
temos 2 ou 3 que especulamos que vá agradar
mais o público em geral. No caso ‘Violet’,
‘Come On Come On’ e a própria ‘Miles Away’.
STRIKE: Com a busca das raizes do som do
Viper neste último trabalho. Qual as músicas
antigas que fazem parte do set list atual da
banda? Qual a que não pode faltar nos shows?
RG: Estamos buscando um set list diferente...
com surpresas... Acho que o legal é variar as
músicas antigas em cada show. Porém, existem
realmente aquelas que são dificílimas de
tirar do set... como Living for the night,
Rebel Maniac, Evolution e A cry from the edge.
STRIKE: O Viper, ao longo dos anos,
experimentou várias sonoridades, como um dos
precursores do metal melódico, passando pelo
punk e seu penúltimo disco de estúdio, “Tem
Pra Todo Mundo”, em português, com direito à
participação em programa de TV,todos usando
terno. Qual a idéia do grupo na época?
RG: A idéia, principalmente do Pit e do
Felipe, era inovar. Fazer alguma coisa que a
banda ainda não tivesse feito para ver onde
aquilo tudo ia parar. Acho que a experiência
foi muito boa em termos musicais.
Infelizmente a gravadora encerrou as
atividades antes de fazer um trabalho
razoável de distribuição e de divulgação...
Portanto, até hoje ninguém sabe o que teria
acontecido se o “Tem pra todo mundo” tivesse
sido trabalhado como deveria. Quanto ao
programa que fizemos de terno, foi apenas uma
brincadeira para remeter ao clipe de “I
fought the law”.... Nada sério... Tanto que
eu dublei o baixo e o Pit só cantou... foi
pura diversão mesmo...
STRIKE: O Viper foi um dos primeiros grupos
que partiu para as composições em inglês, já
visando o mercado internacional, enquanto
outros iniciaram sua carreira com composições
em português. Vocês têm idéia de gravar
alguma coisa em nossa língua, diferente do
que foi proposto no “Tem Pra Todo Mundo”?
RG: Em se tratando do Viper, acho que nada é
impossível... Mas no momento estamos
realmente focados na divulgação do “All my
Life”... Acho que no final de 2008
começaremos a pensar nos próximos passos em
relação à material inédito.
STRIKE: O Felipe Machado tem outra profissão
além de músico. O restante do pessoal tem
outro “ganha pão”? No caso do Felipe, os
shows não atrapalham sua outra atividade? Tem
como conciliar?
RB: Sim. No caso do Felipe Machado, ele adora
jornalismo tanto quanto música e dificilmente
deixaria uma ou outra somente por dinheiro.
Eu vivo citando o Bruce Dickinson que é um
dos vocalistas de metal mais bem sucedidos,
que foi admitido em uma empresa aérea para
cumprir horário regular e tudo mais, movido
por sua paixão por pilotar aviões. É claro
que não é o caso de nenhum de nós. Pois esses
outros trabalhos existem pra gente pagar
nossas contas mesmo. Mas isso não importa, o
mais importante é continuar tocando…se um dia
isso virar algo lucrativo, é por que
provavelmente tem muita gente gostando da
banda. E se isso acontecer, espero poder
oferecer um show cada vez mais legal pra esse
público…pelo menos é isso que eu gostaria de
fazer.
STRIKE: O Pit tem uma boa versatilidade em
suas composições, inclusive tendo escrito
músicas para o Capital Inicial. Sendo o
compositor principal do grupo, isto acaba
influenciando nas composições dos outros
integrantes?
RB: Sem dúvida. O Pit apesar de compôr a
maioria das músicas, sempre abriu espaço pro
resto da banda mostrar seus materiais. Eu
tento sempre compor pensando nas músicas que
ele criou, tentando não me afastar muito do
que já foi feito. Ele é uma influência
inegável devido a qualidade das suas canções.
STRIKE: Val Santos participou das gravações
do “All My Life” e, em recente visita no site
oficial do grupo, consta Marcelo Mello na
guitarra? Fale-nos sobre a saída de Val e em
que muda com a entrada de Marcelo.
RB: O Val foi um cara que colaborou
imensamente com o Viper. Mas chegou uma hora
que ele resolveu que seu negócio era produção
musical. Algo que ele já fazia isso há muito
tempo, e então achou que essa era a hora de
ir a fundo nisso. Agora sobre o novo
guitarrista, Marcelo Mello, ele já havia
tocado com o Renato e o Felipe no Sexta 13,
banda que acompanhou o Dianno durante 2 de
suas turnês no Brasil, e foi a escolha mais
natural para nós. Mudou pouco, na verdade,
pois Marcelo é um guitarrista eclético, e
conhece bem o trabalho da banda, e soube
trazer seu estilo de tocar para casar
perfeitamente com o som do Viper. É um grande
guitarrista, muito técnico e com certeza
todos vão aprovar seu trabalho com o Viper.
STRIKE: Já encontraram um batera para
substituir temporariamente Renato Graccia nos
shows agendados?
RB: Substituir o Renato Graccia não é uma
tarefa fácil. Ele é um dos melhores
bateristas de rock do Brasil e tem uma
linguagem muito própria e inconfundível. É
também uma pessoa muito divertida e chamamos
ele de “The Voice of Reason” por ter sempre
as opiniões mais coerentes quando ninguém
concorda com nada nas decisões da banda. Fora
a experiência que ele possui de ter passado
por turnês internacionais, gravado discos no
exterior com produtores exigentes como, por
exemplo, o alemão Charlie Bauerfeind. E
gravado um disco ao vivo para um dos públicos
mais exigentes como os japoneses. Tudo isso o
transforma em um músico ímpar que com toda
certeza fará muita falta no grupo. Temos
algumas pessoas interessadas em nos ajudar
nesse período que o Renato vai se recuperar e
são todos excelentes músicos. Iremos ensaiar
com todos para ver quem vai ocupar esse posto
durante esse tempo.
STRIKE: A agenda de shows disponível no site
oficial do grupo está desatualizada. Quais os
planos para shows em 2008? O grupo está
voltado somente para a divulgação do último
CD ou já pensa em novas composições?
RB: Estamos com alguns shows marcados, e
vamos atualizar assim que possível. Confiram
no site oficial em breve!
STRIKE: A idéia de voltar a fazer sucesso
internacionalmente, como declarou Pit na TV
Corsário, é uma meta a ser alcançada ou
aceita como conseqüência de um bom disco?
RB: Um pouco dos dois. Ninguém obtém sucesso
em qualquer coisa sem mexer uma palha para
que isso aconteça. É preciso muito trabalho,
suor e um bom planejamento para um trabalho
começar a apresentar resultados. Mas mesmo
com tudo isso bem feito ainda resta o fator
sorte. Nós fizemos um bom disco, um dos
melhores da carreira do Viper, mas sabemos
que isso não é suficiente e que precisamos
trabalhar para: oferecer o melhor show que
pudermos aos nossos fãs, divulgar nosso
trabalho para as pessoas nos conhecerem,
manter firme a ponte de comunicação com os
fãs da banda, que é o que vai mante-la viva.
O que chamamos de sucesso internacional pode
ser entendido como: oferecer shows e todo
nosso merchandising, incluindo os discos,
para quem mora no exterior. E o Viper tem
muitos fãs lá fora pedindo tudo isso. Se
conseguirmos atender essa demanda, podemos
dizer que fomos bem sucedidos
internacionalmente.
STRIKE: A Strike agradece pela entrevista
concedida e deseja muito sucesso no novo
disco. Fica aqui as últimas linhas para a
mensagem do grupo aos nossos leitores.
RG: Gostaria de agradecer a “Strike”, os fãs,
os amigos e a “família VIPER” pela força que
venho recebendo nesse momento difícil... Ah,
e também reforçar que em breve estarei
novamente em tour com vocês... Valeu!!!
RB: Agradecemos a todos pela força à banda e
nos vemos na Turnê do “All My Life”. Um
grande abraço a todos!
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