Entrevista com VIPER por Bob Riot - 11/04/2008
Fotos: Divulgacao

STRIKE: Com mais de vinte anos de estrada, vocês com certeza têm muita coisa pra contar. Dentre os seus muitos shows, em vários lugares do Brasil e exterior, qual foi o lugar mais estranho que vocês tocaram?

RG: Houve um show na Hungria, próximo à Romênia, em uma espécie de parque construído na antiga floresta da Transilvânia. Com certeza, as estórias e lendas relacionadas ao local causavam um certo “clima”. O público era bem estranho se comparado aos padrões que estávamos acostumados... Além disso, ao final desse show, rolou o famoso caso da menina pedindo um pouco de sangue pro Pit... Com certeza foi um show diferente...

STRIKE: Ainda falando em shows. Qual o que mais ficou marcado na lembrança e por quê? 

RG: No meu caso foram dois... A abertura para o Metallica e o do Japão no qual foi gravado o “Maniacs”. No primeiro caso, a quantidade de pessoas esperando a banda principal nos deixava com uma grande responsabilidade nas mãos... Foi um show que começou tenso para a banda... mas após umas duas ou três músicas, já sentíamos a resposta positiva da platéia e aí fomos melhorando a performance e conseguimos dar o recado. O outro show, foi uma experiência única... Técnicos, unidade móvel de gravação, os executivos da JVC... Sabíamos que tinha que ser perfeito em todos os sentidos... Uma vez mais, acho que conseguimos controlar a ansiedade e fazer um belo espetáculo... Mas o frio no estômago antes de subir ao palco foi....foda....rs 

STRIKE: Para a divulgação do “All My Life”, vocês participaram de vários programas televisivos, assim como na época do lançamento do Evolution, qual o aspecto positivo deste tipo de mídia na opinião de vocês? 

RB: Faz parte do trabalho do músico divulgar o seu trabalho para o máximo de pessoas possíveis para que, ao menos, fiquem conhecendo o nosso trabalho. Os programas televisivos tem a vantagem, aqui no Brasil, de potencialmente atingir  99% da população brasileira e até lá fora. É  provavelmente a mídia mais eficaz que existe no país. E  a mais concorrida também. Mas também achamos importantes as revistas especializadas em rock,   rádios e fanzines. Tem gente que não gosta de assistir a Globo por razões idealistas mas lê um fanzine underground e precisamos nos preocupar com essas pessoas também. Não que sejam ou venham se tornar fãs da banda. Mas que ao menos possam falar: “Ah, aquela banda do ‘Come On, Come On’!”.

 

STRIKE: Por quê a escolha de “Miles Away” para ser tocada no Programa do Jô? Podemos dizer que é a “música de trabalho” do grupo, assim como foi “Rebel Maniac” do Evolution?

RB: Na verdade foi a única saída que a banda encontrou para uma exigência técnica da produção do programa que era tocar uma música de até 3 minutos e meio. Queríamos tocar uma música do Pit, a ‘Come On Come On’ mas obviamente não ia rolar, pois a música tem mais que isso. A solução que encontramos foi tocar a ‘Miles Away’ que no disco tem o seu tempo de execução em 3 minutos e 33 segundos. Não pensamos muito nesse lance de música de trabalho, pois isso não tem que ser algo imposto pela banda e sim que o público escolhe como música preferida. No ‘All My Life’ todas as músicas são de trabalho, e cada um tem a sua preferida. Mas é claro que temos 2 ou 3 que especulamos que vá agradar mais o público em geral. No caso ‘Violet’, ‘Come On Come On’ e a própria ‘Miles Away’.

STRIKE: Com a busca das raizes do som do Viper neste último trabalho. Qual as músicas antigas que fazem parte do set list atual da banda? Qual a que não pode faltar nos shows?

RG: Estamos buscando um set list diferente... com surpresas... Acho que o legal é variar as músicas antigas em cada show. Porém, existem realmente aquelas que são dificílimas de tirar do set... como Living for the night, Rebel Maniac, Evolution e A cry from the edge.

STRIKE: O Viper, ao longo dos anos, experimentou várias sonoridades, como um dos precursores do metal melódico, passando pelo punk e seu penúltimo disco de estúdio, “Tem Pra Todo Mundo”, em português, com direito à participação em programa de TV,todos usando terno. Qual a idéia do grupo na época?

RG: A idéia, principalmente do Pit e do Felipe, era inovar. Fazer alguma coisa que a banda ainda não tivesse feito para ver onde aquilo tudo ia parar. Acho que a experiência foi muito boa em termos musicais. Infelizmente a gravadora encerrou as atividades antes de fazer um trabalho razoável de distribuição e de divulgação... Portanto, até hoje ninguém sabe o que teria acontecido se o “Tem pra todo mundo” tivesse sido trabalhado como deveria. Quanto ao programa que fizemos de terno, foi apenas uma brincadeira para remeter ao clipe de “I fought the law”.... Nada sério... Tanto que eu dublei o baixo e o Pit só cantou... foi pura diversão mesmo...

 

STRIKE: O Viper foi um dos primeiros grupos que partiu para as composições em inglês, já visando o mercado internacional, enquanto outros iniciaram sua carreira com composições em português. Vocês têm idéia de gravar alguma coisa em nossa língua, diferente do que foi proposto no “Tem Pra Todo Mundo”?

RG: Em se tratando do Viper, acho que nada é impossível... Mas no momento estamos realmente focados na divulgação do “All my Life”... Acho que no final de 2008 começaremos a pensar nos próximos passos em relação à material inédito.

STRIKE: O Felipe Machado tem outra profissão além de músico. O restante do pessoal tem outro “ganha pão”? No caso do Felipe, os shows não atrapalham sua outra atividade? Tem como conciliar?

RB: Sim. No caso do Felipe Machado, ele adora jornalismo tanto quanto música e dificilmente deixaria uma ou outra somente por dinheiro. Eu vivo citando o Bruce Dickinson que é um dos vocalistas de metal mais bem sucedidos, que foi admitido em uma empresa aérea para cumprir horário regular e tudo mais, movido por sua paixão por pilotar aviões. É claro que não é o caso de nenhum de nós. Pois esses outros trabalhos existem pra gente pagar nossas contas mesmo. Mas isso não importa, o mais importante é continuar tocando…se um dia isso virar algo lucrativo, é por que provavelmente tem muita gente gostando da banda. E se isso acontecer, espero poder oferecer um show cada vez mais legal pra esse público…pelo menos é isso que eu gostaria de fazer.

STRIKE: O Pit tem uma boa versatilidade em suas composições, inclusive tendo escrito músicas para o Capital Inicial. Sendo o compositor principal do grupo, isto acaba influenciando nas composições dos outros integrantes?

RB: Sem dúvida. O Pit apesar de compôr a maioria das músicas, sempre abriu espaço pro resto da banda mostrar seus materiais. Eu tento sempre compor pensando nas músicas que ele criou, tentando não me afastar muito do que já foi feito. Ele é uma influência inegável devido a qualidade das suas canções.

 

STRIKE: Val Santos participou das gravações do “All My Life” e, em recente visita no site oficial do grupo, consta Marcelo Mello na guitarra? Fale-nos sobre a saída de Val e em que muda com a entrada de Marcelo.

RB: O Val foi um cara que colaborou imensamente com o Viper. Mas chegou uma hora que ele resolveu que seu negócio era produção musical. Algo que ele já fazia isso há muito tempo, e então achou que essa era a hora de ir a fundo nisso. Agora sobre o novo guitarrista, Marcelo Mello, ele já havia tocado com o Renato e o Felipe no Sexta 13, banda que acompanhou o Dianno durante 2 de suas turnês no Brasil, e foi a escolha mais natural para nós. Mudou pouco, na verdade, pois Marcelo é um guitarrista eclético, e conhece bem o trabalho da banda, e soube trazer seu estilo de tocar para casar perfeitamente com o som do Viper. É um grande guitarrista, muito técnico e com certeza todos vão aprovar seu trabalho com o Viper.

STRIKE: Já encontraram um batera para substituir temporariamente Renato Graccia nos shows agendados?

RB: Substituir o Renato Graccia não é uma tarefa fácil. Ele é um dos melhores bateristas de rock do Brasil e tem uma linguagem muito própria e inconfundível. É também uma pessoa muito divertida e chamamos ele de “The Voice of Reason” por ter sempre as opiniões mais coerentes quando ninguém concorda com nada nas decisões da banda. Fora a experiência que ele possui de ter passado por turnês internacionais, gravado discos no exterior com produtores exigentes como, por exemplo, o alemão Charlie Bauerfeind. E gravado um disco ao vivo para um dos públicos mais exigentes como os japoneses. Tudo isso o transforma em um músico ímpar que com toda certeza fará muita falta no grupo. Temos algumas pessoas interessadas em nos ajudar nesse período que o Renato vai se recuperar e são todos excelentes músicos. Iremos ensaiar com todos para ver quem vai ocupar esse posto durante esse tempo.

STRIKE: A agenda de shows disponível no site oficial do grupo está desatualizada. Quais os planos para shows em 2008? O grupo está voltado somente para a divulgação do último CD ou já pensa em novas composições?

RB: Estamos com alguns shows marcados, e vamos atualizar assim que possível. Confiram no site oficial em breve!

STRIKE: A idéia de voltar a fazer sucesso internacionalmente, como declarou Pit na TV Corsário, é uma meta a ser alcançada ou aceita como conseqüência de um bom disco?

RB: Um pouco dos dois. Ninguém obtém sucesso em qualquer coisa sem mexer uma palha para que isso aconteça. É preciso muito trabalho, suor e um bom planejamento para um trabalho começar a apresentar resultados. Mas mesmo com tudo isso bem feito ainda resta o fator sorte. Nós fizemos um bom disco, um dos melhores da carreira do Viper, mas sabemos que isso não é suficiente e que precisamos trabalhar para: oferecer o melhor show que pudermos aos nossos fãs, divulgar nosso trabalho para as pessoas nos conhecerem, manter firme a ponte de comunicação com os fãs da banda, que é o que vai mante-la viva. O que chamamos de sucesso internacional pode ser entendido como: oferecer shows e todo nosso merchandising, incluindo os discos, para quem mora no exterior. E o Viper tem muitos fãs lá fora pedindo tudo isso. Se conseguirmos atender essa demanda, podemos dizer que fomos bem sucedidos internacionalmente.

STRIKE: A Strike agradece pela entrevista concedida e deseja muito sucesso no novo disco. Fica aqui as últimas linhas para a mensagem do grupo aos nossos leitores.

RG: Gostaria de agradecer a “Strike”, os fãs, os amigos e a “família VIPER” pela força que venho recebendo nesse momento difícil... Ah, e também reforçar que em breve estarei novamente em tour com vocês... Valeu!!!

RB: Agradecemos a todos pela força à banda e nos vemos na Turnê do “All My Life”. Um grande abraço a todos!

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