|
STRIKE: Aqui vai a pergunta
manjada... fale-nos dos grupos que
influenciaram e os que estão chamando a
atenção do pessoal atualmente.
CHAOSFEAR: Bom , nossas influências são
basicamente as bandas de Thrash dos anos 80
como Slayer , Testament , Sepultura , Anthrax
, Destruction... Mas isto não significa que
ficamos presos ao passado, sendo assim, desta
nova geração do Thrash também tem muita coisa
boa que nos influencia como por exemplo
Machine Head , The Haunted , Dew Scented.
Também gostamos muito de hardcore tipo
Discharge, Sick of it All, DRI, Minor Threat...
todas essas bandas acabam interferindo em
nosso som. Com relação às bandas que estão
nos chamando a atenção podemos citar o
Strapping Young Lad e o Mastodon.
STRIKE: O grupo teve várias mudanças de
formação. Isto contribui de forma positiva ou
negativa na visão dos componentes? O que é
mais importante na visão do pessoal? A parte
técnica ou o feeling do músico?
CHAOSFEAR: Mudança de formação é uma coisa
complicada, sempre acaba atrasando os
trabalhos da banda. Isto, por sinal, foi uma
coisa que emperrou bastante nossos planos, e
sempre que uma pessoa entra no grupo é mais
uma personalidade a ser assimilada, mais
idéias que precisam ser discutidas, enfim,
mais confusão...
Mas existe sim o lado positivo, quando a
pessoa certa entra na hora certa e acaba
dando um gás, trazendo novas idéias, isso é
legal.
Acreditamos que para querer fazer música é
indispensável um nível técnico mínimo, caso
contrário nem seu feeling você consegue
transmitir, por melhor que seja. Quanto mais
técnica você tiver, mais formas terá de
passar seu feeling, mas se pensar só na
técnica a coisa ficará muito mecânica, e por
outro lado, se ficar só no feeling, tudo pode
começar a ficar repetitivo. Um dos segredos
da música é saber equilibrar esses dois
fatores.
STRIKE: Outro dia fui a um show de Thrash
Metal que, apesar de boas bandas estarem se
apresentando, como Scars, Claustrofobia e
Hicsos, o público não era grande. Como está o
público nos shows do Chaosfear? Vocês tem
alguma opinião do por que isto acontece?
Falta de divulgação?!
CHAOSFEAR: Essa é uma questão bem difícil. No
nosso show de lançamento mesmo o público não
foi dos melhores, apesar de ter sido feita
uma boa divulgação. Por isso que achamos que
apenas a divulgação não é a causa do
problema, mas sim uma junção de fatores. Hoje
em dia o metal é muito segmentado, nos
últimos tempos foram criados inúmeros rótulos
o público se dividiu. Outra questão é a
condição econômica dos fãs. O poder
aquisitivo das pessoas caiu bastante e fica
complicado para as pessoas assistirem a
tantos shows, mesmo com os preços baixos.
Esse fator econômico também prejudica as
bandas, que na sua grande maioria não
conseguem fazer shows com estruturas
maiores... um show em lugar ruim, com som
ruim às vezes desestimula o público.
STRIKE: Qual a expectativa do grupo com o
lançamento do “One Step Behind Anger”? As
críticas sobre o álbum tem sido excelentes.
CHAOSFEAR: Ficamos muito contentes com todas
as críticas que temos recebido, é uma
compensação muito grande por todo nosso
trabalho. Por outro lado, porém, isso aumenta
a pressão para melhorarmos no próximo
lançamento. Além disso, é preciso tomar
cuidado para que isso não nos afete na hora
de compor, há o risco de nos tornarmos reféns
das críticas e deixarmos de ser o Chaosfear.
Estamos atentos a isso, sabemos que somos uma
banda pequena que ainda tem muito a aprender.
Achamos que em parte o objetivo a que nos
propusemos quando gravamos o disco foi
alcançado, que foi o de lançar um bom disco
de Thrash e que nosso nome começasse a se
firmar no underground.
STRIKE: Como vocês se sentiram de estarem
entre os 10 melhores álbuns independentes
pela revista canadense BW&BK? Isto pode abrir
algumas portas pra vocês?
CHAOSFEAR: O resultado final dessa eleição,
onde obtivemos o 3º lugar, foi um puta
presente de final de ano para a gente. Só de
imaginarmos a quantidade de material que uma
revista desse porte deve receber e que no
meio de tudo isso fomos escolhidos entre os
10 melhores é uma coisa inacreditável, sem
dúvida é um incentivo enorme para a gente
continuar na batalha. Com certeza acreditamos
que isso pode nos ajudar, pois quando pessoas
que trabalham sério e que possuem
credibilidade apontam o dedo para você e
falam bem, com certeza as pessoas te ouvirão
de maneira mais atenta.
STRIKE: Contem-nos como foi produzir um álbum
independente. As dificuldades e a
aprendizagem que encontraram no caminho.
CHAOSFEAR: Como tudo na vida, produzir um
álbum de forma independente tem seus prós e
contras. As dificuldades são inúmeras, pois
no processo de lançamento de um cd, a
composição e gravação das músicas são apenas
uma pequena parte do trabalho. Se você
pretende se inserir no mercado, precisa
obedecer a certas regras ( mesmo sendo
independente ), então tem que planejar
divulgação, fazer contatos para shows,
registrar as músicas, correr atrás da capa,
negociar com o estúdio, pensar no lugar das
fotos e pagar por tudo isso. É um trabalho
enorme e que toma muito tempo, mas como
compensação, além do aprendizado, temos total
autonomia para nos expressar da maneira que
realmente queremos, pois não há a maquiagem
que as gravadoras acabam forçando as bandas a
usarem para impulsionar as vendas.
STRIKE: Vocês acham que as bandas brasileiras
estão encontrando mais espaço para mostrarem
seu trabalho em nosso pais? O reconhecimento
do grupo está mais próximo fora do país do
que na nossa terra? Como foi com Sepultura e
Angra por exemplo.
CHAOSFEAR: As coisas parecem que estão no
caminho certo e temos a impressão que no
futuro as coisas vão melhorar, mas ainda
falta muita coisa. O principal problema é que
não existe um “nível médio” para as bandas
tocarem, as coisas ficam em dois extremos. Ou
a banda toca em lugares que não oferecem uma
estrutura razoável ( pra não dizer estrutura
precária ) ou consegue reconhecimento
internacional para poder tocar em casas
grandes. Isso prejudica bandas como por
exemplo Torture Squad e Claustrofobia, que
tem potencial, mas muitas vezes são obrigadas
a tocar em lugares sem condições mínimas.
Para a realidade brasileira o degrau para ser
uma banda grande é conseguir sucesso no
exterior.
STRIKE: Vocês também tiveram uma preocupação
com a parte gráfica do “One Step Behind Anger”.
O que o pessoal tem a comentar? Uma produção
de álbum tem que se completar destas duas
formas? Musical e gráfica?
CHAOSFEAR: A única coisa que passamos para o
Perna é que queríamos uma capa forte e que
chamasse a atenção das pessoas. Felizmente
ele captou exatamente o que queríamos e o
resultado ficou bem legal e acabou se
encaixando no contexto geral do álbum. Agora
esse lance de associação capa x música
depende muito do que a banda quer passar. É
uma forma de complementar o trabalho musical,
mais um espaço para a banda mostrar sua
personalidade, mas às vezes as bandas não
esquentam com isso.
STRIKE: Quais são os temas preferidos para as
composições do grupo? Como surgem as idéias
para as músicas? O grupo tem preocupação com
o plágio? Digo isto porque, indiretamente,
algum riff ou harmonia que ouvimos pode ficar
no inconsciente e ser utilizado em alguma
música.
CHAOSFEAR: Gostamos de falar sobre todo o
tipo de violência , manipulação e falta de
igualdade social presente em nosso mundo.
Nossas letras são bem realistas e
contestadoras – vamos direto ao ponto sem
frescuras. Para nós é importante passar uma
mensagem que abra a mente das pessoas quando
estiverem lendo às letras. Com relação às
músicas nós sempre fazemos tudo na hora do
ensaio. Eu componho os riffs e o Danilo as
linhas de batera. Assim que montamos o
esqueleto da música todos participam dando
sugestões e fazendo as mudanças que julgamos
necessárias. Temos sim uma preocupação com o
plágio, pois como você disse, isso pode
ocorrer de maneira inconsciente. Com a gente
funciona da seguinte maneira: assim que um
riff , uma batida ou uma linha vocal é
composta e lembre alguma coisa, já falamos na
hora pra não ter este tipo de problema.
STRIKE: Quais são os planos para curto, médio
e longo prazo da banda? Já receberam algum
convite para tocar fora do país? Já
encontraram alguma gravadora para distribuir
melhor o disco em nossa terra e no exterior?
CHAOSFEAR: A curto prazo queremos tocar o
máximo possível para divulgarmos nosso álbum.
Já iniciamos a composição de novas músicas,
então no médio prazo a idéia é gravarmos um
segundo trabalho. Enquanto isso estamos
buscando novas alternativas de distribuição,
tentando alguns contatos para o futuro. O
objetivo é firmar o nosso nome para quem sabe
um dia a banda se sustente.
STRIKE: Nós da Strike agradecemos a
entrevista e colocamos nossas últimas linhas
para a mensagem do grupo aos nossos leitores.
CHAOSFEAR: O Chaosfear é que agradece este
importante espaço. É muito legal vermos que
existem muitas pessoas que lutam pela música
pesada no Brasil, mesmo com todas as
dificuldades. Milhares de bandas, zines,
produtores de shows que tomam na cabeça, mas
continuam na estrada. Um grande abraço a
todos!
|