Entrevista com CHAOSFEAR por Bob Riot - 12/02/2007
Fotos: Divulgação

STRIKE: Aqui vai a pergunta manjada... fale-nos dos grupos que influenciaram e os que estão chamando a atenção do pessoal atualmente.

CHAOSFEAR: Bom , nossas influências são basicamente as bandas de Thrash dos anos 80 como Slayer , Testament , Sepultura , Anthrax , Destruction... Mas isto não significa que ficamos presos ao passado, sendo assim, desta nova geração do Thrash também tem muita coisa boa que nos influencia como por exemplo Machine Head , The Haunted , Dew Scented. Também gostamos muito de hardcore tipo Discharge, Sick of it All, DRI, Minor Threat... todas essas bandas acabam interferindo em nosso som. Com relação às bandas que estão nos chamando a atenção podemos citar o Strapping Young Lad e o Mastodon.

STRIKE: O grupo teve várias mudanças de formação. Isto contribui de forma positiva ou negativa na visão dos componentes? O que é mais importante na visão do pessoal? A parte técnica ou o feeling do músico?

CHAOSFEAR: Mudança de formação é uma coisa complicada, sempre acaba atrasando os trabalhos da banda. Isto, por sinal, foi uma coisa que emperrou bastante nossos planos, e sempre que uma pessoa entra no grupo é mais uma personalidade a ser assimilada, mais idéias que precisam ser discutidas, enfim, mais confusão...
Mas existe sim o lado positivo, quando a pessoa certa entra na hora certa e acaba dando um gás, trazendo novas idéias, isso é legal.
Acreditamos que para querer fazer música é indispensável um nível técnico mínimo, caso contrário nem seu feeling você consegue transmitir, por melhor que seja. Quanto mais técnica você tiver, mais formas terá de passar seu feeling, mas se pensar só na técnica a coisa ficará muito mecânica, e por outro lado, se ficar só no feeling, tudo pode começar a ficar repetitivo. Um dos segredos da música é saber equilibrar esses dois fatores.

 

STRIKE: Outro dia fui a um show de Thrash Metal que, apesar de boas bandas estarem se apresentando, como Scars, Claustrofobia e Hicsos, o público não era grande. Como está o público nos shows do Chaosfear? Vocês tem alguma opinião do por que isto acontece? Falta de divulgação?!

CHAOSFEAR: Essa é uma questão bem difícil. No nosso show de lançamento mesmo o público não foi dos melhores, apesar de ter sido feita uma boa divulgação. Por isso que achamos que apenas a divulgação não é a causa do problema, mas sim uma junção de fatores. Hoje em dia o metal é muito segmentado, nos últimos tempos foram criados inúmeros rótulos o público se dividiu. Outra questão é a condição econômica dos fãs. O poder aquisitivo das pessoas caiu bastante e fica complicado para as pessoas assistirem a tantos shows, mesmo com os preços baixos. Esse fator econômico também prejudica as bandas, que na sua grande maioria não conseguem fazer shows com estruturas maiores... um show em lugar ruim, com som ruim às vezes desestimula o público.

STRIKE: Qual a expectativa do grupo com o lançamento do “One Step Behind Anger”? As críticas sobre o álbum tem sido excelentes.

CHAOSFEAR: Ficamos muito contentes com todas as críticas que temos recebido, é uma compensação muito grande por todo nosso trabalho. Por outro lado, porém, isso aumenta a pressão para melhorarmos no próximo lançamento. Além disso, é preciso tomar cuidado para que isso não nos afete na hora de compor, há o risco de nos tornarmos reféns das críticas e deixarmos de ser o Chaosfear. Estamos atentos a isso, sabemos que somos uma banda pequena que ainda tem muito a aprender. Achamos que em parte o objetivo a que nos propusemos quando gravamos o disco foi alcançado, que foi o de lançar um bom disco de Thrash e que nosso nome começasse a se firmar no underground.

STRIKE: Como vocês se sentiram de estarem entre os 10 melhores álbuns independentes pela revista canadense BW&BK? Isto pode abrir algumas portas pra vocês?

CHAOSFEAR: O resultado final dessa eleição, onde obtivemos o 3º lugar, foi um puta presente de final de ano para a gente. Só de imaginarmos a quantidade de material que uma revista desse porte deve receber e que no meio de tudo isso fomos escolhidos entre os 10 melhores é uma coisa inacreditável, sem dúvida é um incentivo enorme para a gente continuar na batalha. Com certeza acreditamos que isso pode nos ajudar, pois quando pessoas que trabalham sério e que possuem credibilidade apontam o dedo para você e falam bem, com certeza as pessoas te ouvirão de maneira mais atenta.

 

STRIKE: Contem-nos como foi produzir um álbum independente. As dificuldades e a aprendizagem que encontraram no caminho.

CHAOSFEAR: Como tudo na vida, produzir um álbum de forma independente tem seus prós e contras. As dificuldades são inúmeras, pois no processo de lançamento de um cd, a composição e gravação das músicas são apenas uma pequena parte do trabalho. Se você pretende se inserir no mercado, precisa obedecer a certas regras ( mesmo sendo independente ), então tem que planejar divulgação, fazer contatos para shows, registrar as músicas, correr atrás da capa, negociar com o estúdio, pensar no lugar das fotos e pagar por tudo isso. É um trabalho enorme e que toma muito tempo, mas como compensação, além do aprendizado, temos total autonomia para nos expressar da maneira que realmente queremos, pois não há a maquiagem que as gravadoras acabam forçando as bandas a usarem para impulsionar as vendas.

STRIKE: Vocês acham que as bandas brasileiras estão encontrando mais espaço para mostrarem seu trabalho em nosso pais? O reconhecimento do grupo está mais próximo fora do país do que na nossa terra? Como foi com Sepultura e Angra por exemplo.

CHAOSFEAR: As coisas parecem que estão no caminho certo e temos a impressão que no futuro as coisas vão melhorar, mas ainda falta muita coisa. O principal problema é que não existe um “nível médio” para as bandas tocarem, as coisas ficam em dois extremos. Ou a banda toca em lugares que não oferecem uma estrutura razoável ( pra não dizer estrutura precária ) ou consegue reconhecimento internacional para poder tocar em casas grandes. Isso prejudica bandas como por exemplo Torture Squad e Claustrofobia, que tem potencial, mas muitas vezes são obrigadas a tocar em lugares sem condições mínimas. Para a realidade brasileira o degrau para ser uma banda grande é conseguir sucesso no exterior.

STRIKE: Vocês também tiveram uma preocupação com a parte gráfica do “One Step Behind Anger”. O que o pessoal tem a comentar? Uma produção de álbum tem que se completar destas duas formas? Musical e gráfica?

CHAOSFEAR: A única coisa que passamos para o Perna é que queríamos uma capa forte e que chamasse a atenção das pessoas. Felizmente ele captou exatamente o que queríamos e o resultado ficou bem legal e acabou se encaixando no contexto geral do álbum. Agora esse lance de associação capa x música depende muito do que a banda quer passar. É uma forma de complementar o trabalho musical, mais um espaço para a banda mostrar sua personalidade, mas às vezes as bandas não esquentam com isso.

STRIKE: Quais são os temas preferidos para as composições do grupo? Como surgem as idéias para as músicas? O grupo tem preocupação com o plágio? Digo isto porque, indiretamente, algum riff ou harmonia que ouvimos pode ficar no inconsciente e ser utilizado em alguma música.

CHAOSFEAR: Gostamos de falar sobre todo o tipo de violência , manipulação e falta de igualdade social presente em nosso mundo. Nossas letras são bem realistas e contestadoras – vamos direto ao ponto sem frescuras. Para nós é importante passar uma mensagem que abra a mente das pessoas quando estiverem lendo às letras. Com relação às músicas nós sempre fazemos tudo na hora do ensaio. Eu componho os riffs e o Danilo as linhas de batera. Assim que montamos o esqueleto da música todos participam dando sugestões e fazendo as mudanças que julgamos necessárias. Temos sim uma preocupação com o plágio, pois como você disse, isso pode ocorrer de maneira inconsciente. Com a gente funciona da seguinte maneira: assim que um riff , uma batida ou uma linha vocal é composta e lembre alguma coisa, já falamos na hora pra não ter este tipo de problema.

STRIKE: Quais são os planos para curto, médio e longo prazo da banda? Já receberam algum convite para tocar fora do país? Já encontraram alguma gravadora para distribuir melhor o disco em nossa terra e no exterior?

CHAOSFEAR: A curto prazo queremos tocar o máximo possível para divulgarmos nosso álbum. Já iniciamos a composição de novas músicas, então no médio prazo a idéia é gravarmos um segundo trabalho. Enquanto isso estamos buscando novas alternativas de distribuição, tentando alguns contatos para o futuro. O objetivo é firmar o nosso nome para quem sabe um dia a banda se sustente.

STRIKE: Nós da Strike agradecemos a entrevista e colocamos nossas últimas linhas para a mensagem do grupo aos nossos leitores.

CHAOSFEAR: O Chaosfear é que agradece este importante espaço. É muito legal vermos que existem muitas pessoas que lutam pela música pesada no Brasil, mesmo com todas as dificuldades. Milhares de bandas, zines, produtores de shows que tomam na cabeça, mas continuam na estrada. Um grande abraço a todos!

Web Site: www.chaosfear.com
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