|
STRIKE: O Rosa Ígnea foi formado por
base de outra banda. A idéia de se utilizar
vocais líricos já vinha desta época ou
aconteceu ao acaso?
ROSA ÍGNEA: Na outra banda trabalhávamos com
vocais masculinos e fazíamos apenas covers,
quando já tínhamos algumas músicas prontas
vieram as naturais dificuldades de opinião
entre membros e pensamos em partir para um
projeto diferente, mantendo a banda anterior
e fundando o Rosa Ígnea, que já surgiu com a
proposta de vocais femininos.
STRIKE: Vocês não tem medo de serem muito
comparados à outra(s) banda(s) por esta
influência? Afinal, qual a verdadeira
influência sonora do Rosa Ígnea?
ROSA ÍGNEA: As comparações são inevitáveis e
as influências sempre existem em qualquer
estilo. Mas consideramos apenas influências,
inclusive temos notado que as pessoas já
estão identificando o "estilo" Rosa Ígnea, o
que é normal, uma vez que todos têm vivências
diferenciadas e o produto final acaba sendo
ditado por estas vivências. Nós não
procuramos esta diferenciação e nem
procuramos nos igualar aos outros. Achamos
que a diferenciação é um processo natural.
Nossos fãs já puderam percebê-la no primeiro
CD e isto ficará cada vez mais evidente com
os novos trabalhos.
STRIKE: Como surgiu a parceria com a Erpland
Records? Vocês já estavam com tudo produzido,
qual a vantagem para o grupo? Menos
preocupação com a distribuição e divulgação?
ROSA ÍGNEA: Com certeza desde o começo a
idéia era fazer o melhor possível dentro das
escassas possibilidades, sempre falta grana,
e com o produto em mãos buscar algum auxílio.
Não queríamos fazer intermináveis “demos”.
Queríamos mostrar que somos capazes de fazer
mais de duas ou três músicas. O Rodrigo,
proprietário do selo, viu o nosso CD em uma
loja da Galeria do Rock (BH) e nos procurou,
foi um caso de simpatia mútua à primeira
vista. A sua ajuda está sendo muito
importante e com certeza se refletirá em
nosso segundo trabalho, que já está a
caminho.
STRIKE: A maioria do pessoal da banda ou tem
formação universitária ou está estudando.
Todos estão seguindo para uma profissão
paralela à de músico, como o tempo a
necessidade de se sustentar financeiramente
pode fazer diferença e fazer alguns membros
trilharem outros caminhos?
ROSA ÍGNEA: Esperamos conseguir fazer com que
isto não aconteça, e que todos trilhem o
caminho que planejamos para a banda. Sabemos
da dificuldade deste meio no Brasil, mas
estamos buscando algo maior. Temos a
convicção que temos qualidade, estamos
conquistando espaço aos poucos, mas sentimos
que esta conquista está vindo com firmeza.
Podemos crescer muito ainda e esperamos que
isto aconteça. Se alguém não aposta e
acredita no seu trabalho será o momento de
desistir e este não é o nosso caso. Só o
futuro dirá.
STRIKE: Na opinião de vocês até que
ponto pode se objetivar a busca de um sonho?
Principalmente falando-se de heavy metal, que
é um gênero musical sem divulgação nos
grandes meios de comunicação.
ROSA ÍGNEA: É como dissemos, sabemos que o
metal no Brasil tem estas dificuldades e
aliás, o que é que não tem? Apenas coisas de
péssima qualidade que são embutidas na cabeça
do povo em troca de dinheiro fácil e rápido.
Qualquer coisa de boa qualidade neste país
tem sempre as mesmas dificuldades, e olhe que
não é só o metal de boa qualidade, são todos
os estilos onde existe um trabalho sério.
Mesmo em outras áreas, quem ganha dinheiro no
Brasil? Políticos, religiosos desonestos,
policiais e juízes corruptos, bandidos e uns
poucos jogadores de futebol. Então o que
resta é nunca abandonar um sonho, alguns já
trilharam este caminho e conseguiram, logo é
possível. Temos uma linha clara e objetivos
bem definidos, trabalhamos dentro disto,
conhecendo as dificuldades e sabendo que o
processo pode ser bem lento, mas deve ser
seguido com firmeza.
STRIKE: O Rosa Ígnea tem uma grande
preocupação com as mensagens das letras assim
como outras bandas. A tradução das letras nos
encartes dos discos encareceria as produções.
Até que ponto a importância com a parte
instrumental, ultrapassa a mensagem das
letras na música do grupo. Colocar as letras
traduzidas, pelo menos no site do oficial do
grupo (quase todos os grupos atualmente tem
endereço eletrônico) não ajudaria?
ROSA ÍGNEA: Nunca nos ocorreu a hipótese de
colocarmos as traduções no encarte, não seria
o caso de custo, mas simplesmente nem
pensamos nisto. Com relação a colocar no site
é uma boa idéia, vamos avaliar e quem sabe
partir para isto. Falando sobre a importância
do instrumental/letras pensamos que uma
música é algo maior, o sentimento que ela
transmite vem dos dois. De nada adiantaria
uma determinada letra ser perfeita se o
instrumental não acompanhar a idéia, ou
vice-versa. Nas nossas músicas trabalhamos
desta forma, todas tem um fundo que nos leva
a pensar sobre alguma coisa além do terreno e
habitual. É claro que já ouvimos várias
músicas onde é melhor não prestar muita
atenção na letra, é preferível ficar só com o
instrumental. (risos)
STRIKE: O que o grupo vê no horizonte? Um
caminho de árduo trabalho, às vezes, sem
recompensa, ou, um futuro com vitórias? Como
está sendo aceito o primeiro trabalho do
grupo e os shows? Quais são os objetivos
atuais da banda?
ROSA ÍGNEA: Para sermos bem claros sabemos
que por hora é um caminho árduo e quase sem
recompensa. As dificuldades são enormes,
poucos shows, produtores querendo que se
pague para tocar ou que se toque de graça,
condições péssimas em vários locais,
principalmente de estrutura. Com dinheiro
tudo é fácil, como nós não temos nos resta
apostar na qualidade mesmo. Sabemos que assim
que conseguirmos chegar onde queremos isto
vai mudar e isto só pode ser alcançado com o
reconhecimento do público em geral. A grande
recompensa no momento é somente no nível
pessoal, é a satisfação de saber que o
trabalho está agradando e que cada vez mais
pessoas nos mostram isto. Estamos muito
satisfeitos com a repercussão do nosso
primeiro trabalho e a receptividade do
público nos shows. É claro que não há como
agradar a todo mundo, o que é normal, mesmo
porque os gostos às vezes são conflitantes,
mas é como se diz, importantes são as pessoas
que gostam da gente, é para elas que
dedicamos o nosso trabalho, o resto não tem
importância. Temos como objetivo começar a
nos apresentar no interior de Minas e em
outros estados, principalmente em São Paulo,
que é o grande centro do estilo no Brasil,
estamos esperando convites para shows lá.
Para um futuro as apresentações no exterior
estão em pauta. Estamos trabalhando na
produção de um single/promo e nas músicas
para o nosso segundo álbum full.
STRIKE: Num país dominado pelo capitalismo de
coisas descartáveis, onde a mídia dá
importância ao aqui e agora e faz uma lavagem
cerebral nas pessoas. Na opinião de vocês
(vocês talvez sejam um exemplo) o que faz uma
pessoa gostar e consumir o gênero heavy metal
no Brasil?
ROSA ÍGNEA: Esta é boa, muita gente pode não
gostar, mas uma coisa temos como clara, as
pessoas que gostam de heavy metal são pessoas
diferenciadas em relação à grande massa
influenciável pela mídia. Normalmente são
pessoas que “pensam” (risos), tem opinião
própria e estão pouco ligando para as
opiniões alheias. Acho que muitos tem a
influência de pais que viveram numa época que
dizem, foi a melhor para a música em termos
de busca de liberdade e criatividade. Jimi
Hendrix, Steppenwolf, Bob Dylan, Joan Baez e
Janis Joplin, e de outra época, Black Sabbath,
Led Zepellin e Deep Purple influenciaram em
muito uma geração de pais que trouxeram estas
influências para seus filhos.
STRIKE: Rosa Ígnea é um nome
diferente. Como foi escolhido o nome? Porque
um nome em português já que as composições
são todas em inglês?
ROSA ÍGNEA: Quando pensamos em partir para um
projeto fora da banda que já tínhamos ainda
não existia um nome e estávamos à procura de
um nome que tivesse algum significado real
dentro da nossa proposta. O Richard propôs o
nome Rosa Ígnea baseado num livro de
ocultismo escrito na década de 50. Este livro
tem muito da nossa proposta inicial de
trabalho, enquanto temas de nossas letras. O
nome agradou a todos e ficamos assim.
STRIKE: Vocês estão tendo divulgação em sites
estrangeiros. Como está a aceitação da
imprensa especializada lá fora? Planos para
tocar fora do Brasil?
ROSA ÍGNEA – Após lançarmos o nosso "Ancient
Eyes", divulgamos algumas músicas no MySpace
e isto atraiu a atenção de vários sites no
exterior para nós. Saíram algumas publicações
de reviews, todos favoráveis e com isto as
visitas ao site cresceram e a encomenda de
CDs do exterior vieram. Tivemos algumas de
nossas músicas exibidas em uma rádio de
Portugal, o que nos surpreendeu em um ponto,
que consideramos bastante significativo: O
produtor desta rádio nos procurou pedindo
autorização para tocar nossas músicas, o que
jamais aconteceria no Brasil, pois se você
quiser que mostrem a sua música em alguma
rádio neste país, com certeza vai ter que
rolar o famigerado "jabá", por isto entramos
novamente naquela velha história, neste país
basta dinheiro que você chega lá, não é
preciso qualidade, por isto ouvimos o que
está por aí na mídia, infelizmente, enquanto
boas bandas ficam escondidas nos estúdios e
nas garagens.
STRIKE: Isabela Santos tem formação
erudita e prêmios conquistados com esta tipo
de música. Como foi a entrada para o heavy
metal? O que a motivou a cantar este tipo de
música também que para muitos é antagônico?
ROSA ÍGNEA - Isabela: Eu já conhecia a banda
através de uma amiga nossa em comum, a Beth
Moura, e também sabia que eles estavam sem
vocalista para gravar o CD, aí um dia recebi
um telefonema da banda e fiquei interessada.
Apesar dos meios (erudito e metal) serem
diferentes, um complementa o outro. E no Rosa
eu não faço o típico vocal lírico das bandas
do gênero, a voz na banda é com pouca
impostação.
STRIKE: A Strike agradece a entrevista
deixando as linhas finais para a mensagem do
grupo aos nossos leitores.
ROSA ÍGNEA: Agrademos à Strike pela
oportunidade e apoio e para todos que nos
ouvem: vocês são pessoas diferenciadas,
“pensam”, e por isto são muito importantes
para nós. Agradecemos pelo apoio que temos
tido neste curto tempo de nossa existência e
esperamos estar junto de vocês em qualquer
lugar deste país. Um grande abraço.
|