Caros leitores,

Em uma das vezes que tivemos problemas de ordem técnica no site, perdemos algumas matérias bem importantes, entre outras o texto que segue, mas graças ao componente Bob Riot ele foi recuperado e "consertado".

Para quem não sabe; Bob Riot, ou melhor, Roberto Jorge Cordeiro, é um dos pioneiros (e amigo pessoal deste Editor) da cena metálica santista, e foi o PRIMEIRO "sócio" da Rock Brigade quando era um fanzine, MESMO ANTES DE SUA EXISTÊNCIA, lembro-me quando comentei com ele sobre a formação do zine e ele disse prontamente, "sou o sócio #1!!". Então como podem ver, ele também faz parte da história do Metal em nosso país. Minhas respeitosas salvas de palmas para ele!!!!

Por Eduardo de Souza Bonadia

Caros Amigos,

O texto que segue pode ser considerado meio megalomaníaco ou "frescura pura" por muitos, mas eu quis retratar realmente um pouco da história do Rock e do Metal neste país, pois queiram ou não, eu faço parte desta história de uma forma ou de outra, como vocês mesmo saberão com o decorrer do texto. Procurei ser sempre o mais honesto possível e não esconder fatos (uma constante em publicações e em declarações), pois muitos sabem que sou um cara polêmico. Não tenho medo de ser honesto comigo mesmo e com as pessoas ao meu lado e, ao mesmo tempo, em que conquistei muitos amigos ao longo de minha jornada, conquistei alguns acirrados opositores (que não chamarei de inimigos, pois não os considero assim).

Tudo começou ainda nos meus dias de garoto, nos anos 60; época áurea do rock assim como a década seguinte; quando na seção da tarde (não lembro-me o nome exato do programa) da rede Globo assistia filmes do "Rei" Roberto Carlos em sua fase do “Iê Iê Iê” e suas músicas na época chamavam-me alguma atenção pelo ritmo (que eu desconhecia) assim como suas roupas e cabelos.

Em 1973 na minha pré adolescência, aos onze anos de idade, a televisão (exatamente na antiga TV Tupi)  apresentava um comercial da Rádio Difusora ("A Máquina do Som") com um clipe do quarteto norte americano  Suzi Quatro executando/dublando seu primeiro grande sucesso "48 Crash" e desde a primeira vez esta propaganda e sua música contagiante me fascinou e institivamente toda a vez que a via, procurava um rodo ou vassoura e ficava "tocando-o" defronte ao aparelho televisivo tamanha a minha fascinação pela música rock que simplesmente arrebatou meu coração desde então, e não se esqueçam, naquela época vivíamos a época da repressão e as coisas se conseguiam por conta própria, pela pesquisa, não hava uma fonte de informação precisa, MTV, Internet, publicações especializadas ou coisas semelhantes eram simplesmente uma coisa inimaginável e eu nunca tive um irmão mais velho ou parente que tivesse velhos vinis ou coisa parecida e que tivesse influenciado para ouvir a tal música!!! Até então eu era fascinado por zoologia e paleontologia e meu sonho era formar-me nesta área e ir para os EUA tornar-me um PHD em uma ddas duas especialidades mas o rock felizmente (infelizmente) acabou com este sonho!!

Vendo que eu estava fascinado por esta música meus pais logo após me presentearam com uma vitrola da marca Philips que tornou-se meu maior passatempo e vício por vários anos, sendo que meu primeiro disco foi o compacto (hoje single) da até hoje amada Suzi Quatro e se seguiram com o tempo trabalhos do Deep Purple, Alice Cooper, Procol Harum e Black Sabbath.

Em 1975 conheci a Revista POP (Editora Abril) que trazia muitos artigos com bandas internacionais e nacionais que me abriu um vasto leque de informações e cheguei até a ter a coleção completa da publicação visto ter literalmente roubado várias edições da mesma da casa de primos do interior (hehehe) e comecei a tornar-me fã e influenciado por resenhas e matérias de grandes nomes da época como Tárik de Souza, Ana Maria Bahiana e Ezequiel Neves, que foram meus “tutores” para o futuro como escriba; ao mesmo tempo que surgiu na Rede Globo (pasmem!!) o Rock In Concert, uma versão nacional e mais condensada do programa norte-americano de mesmo nome, que surpreendeu meus olhos e ouvidos com uma infinidade de performances de grandes bandas e estilos dentro do Rock e nesta época conheci nomes como Ufo, Kansas, Uriah Heep, Queen (das favoritas até hoje), e muitas outras que fizeram-me aumentar pelo apetite pelo Rock e minha coleção!!!

O fato mais importante no final dos anos 70 foi o surgimento da Revista Som Três, especializada em equipamentos de some afins, que possuía também uma seção de resenha de LPs e mais importante uma seção de anúncios em suas páginas e depois que coloquei um na seção especializada apareceram inúmeros fãs de Rock querendo trocar correspondência, incluindo Antonio Donizetti Pirani, Roger e Roney Slemer dentre muitos outros, que com o tempo tornaram-se amigos pessoais (especialmente o primeiro); ADP apresentou-me no final dos anos 70/início dos 80 artistas como Jimi Hendrix, Cream, Rory Gallagher, Johnny Winter, dentre outros e eu lhe apresentei nomes como Motorhead, Girlschool, Saxon; Roger e Roneu por sua vez apresentaram-nos nomes como Triumph, Montrose, Sammy Hagar, e principalmente os até então desconhecidos Iron Maiden e Def Leppard e consequentemente a NWOBHM (em versões dificílimas e importadas de seus primeiros trabalhos) e consequentemente da emergente NWOBHM; ao mesmo tempo que iniciei amizade com um vizinho de bairro de nome Jacinto Ambrósio Santiago (fão de Sabbath e Ozzy) e um pessoal do bairro da Vila Monumento, com os quais conheci nomes como Blackfoot, Kansas, Journey (que eu odiava nesta época!).

Com a falta de informação e uma vontade imensa no início dos anos 80 surgiu da idéia conjunta destas pessoas mais um amigo de bairro e de várias sessões de cinema, Ricardo Hissachi Oyama  de criar um veículo de informação do Heavy Metal e suas vertentes; e como base de informação foi adotado o Fanzine norte-americano KAM (Kick Ass Monthly) que o Antonio Pirani (Toninho) recebia diretamente do editor e a revista inglesa Kerrang que naquela época era excelente; como nome do fanzine foi sugerido pelo Ricardo e aprovado por todos o título Rock Brigade, retirado da música homônima do LP On Through The Night do Def Leppard (uma das preciosidades em edição importada dos irmãos Slemer).

Começamos então a montar nosso tosco Zine, sem apoio nenhum e com xerocópias tiradas às escondidas na firma aonde trabalhava o Toninho e também da sua então namorada Isolda. Quase que ao mesmo tempo ou um pouco mais tarde que começávamos nossa empreitada, surgiram as Lojas Baratos Afins e Woodstock, até hoje importantíssimas pelo que representaram / representam para a história do Rock em Terra Brasílis; a primeira foi o primeiro selo independente desta terra e que lançou álbuns clássicos como as SP METAL I & II, LPs do Centúrias, Platina, Chave do Sol, e o mais importante para este que escreve, o grande Ferro e Fogo do Harppia (do qual falarei mais tarde).

Voltando à Brigade, tudo era feito com muito amor e paixão ao Heavy Metal (nosso lema era tudo pelo Metal!!) e com muita perseverança fomos divulgando nosso trabalho e conseguindo sócios para o Zine, sendo que o primeiro foi Roberto Cordeiro (Bob Riot) de São Vicente e dentre os primeiros tivemos Carlos Lopes (o antigo “Vândalo” da Dorsal Atlântica), com nossa honestidade e força conquistamos vários novos amigos como Adrian Gomes, Wilson Dias Lúcio, Berrah de Alencar, que tornaram-se com o tempo também componentes do Staff e os que lembram-se deles, devem lembrar também de suas matérias carregadas de amor e fanatismo pela música; Jacinto Ambrósio Santiago permaneceu conosco por algum tempo, deu uma sumida, e retornou como vocalista do Via Láctea e pouco mais tarde com o Harppia, tornando-se Jack Santiago e desde então considerado uma lenda do metal nacional (alguém que diga o contrário!!).

Para manter o Zine resolvemos vender gravações dos álbuns que conseguíamos como o tempo e isso nos rendeu uma base sólida naqueles tempos difícieis; Toninho tornou-se correspondente de algumas pessoas na Europa que lhe enviavam fitas VHS com gravações de show (oficiais e piratas) e clipes, muita coisa raríssima naquela época (e até hoje) e com isso surgiu a idéia de procurarmos um local para podermos passar estes filmes e ganharmos mais dinheiro para o ainda Zine, o primeiro local escolhido foi o Rock Show que ficava em uma galeria da Av. Brigadeiro Faria Lima e com isso a Brigade tornou-se ainda mais conhecida e popular, mais tarde o Carbono 14, no Bairro do Bixiga, dos quais guardo boas recordações, conheci muita gente legal, fui DJ do "Baile de Metal" que rolava por lá, mas também más recordações pois em uma tentativa de assalto ao local tomei um tiro e guardo desta época (1983) um calibre 28 bem próximo da parte final da coluna que graças à Deus permaneceu “quietinha” e por pouco não me tornou paraplégico!!!

Ao mesmo tornei-me na Brigade seu "International Public Relations" responsável por contatar bandas, gravadoras, zines, etc para obter material promocional e assim enriquecer as páginas da publicação, com as resenhas que eram publicadas, tivemos o nome da Brigade e o meu próprio em vários álbuns de bandas internacionais tais como Helloween (EP e 1º LP), Celtic Frost, Angel Dust, Running Wild (Under Jolly Roger) dentre outros, o que nos encheu de orgulho pois, nosso trabalho estava sendo reconhecido também no exterior, e isso não era um fato comum como atualmente, colocamos o Brasil no mapa como país importante para o Heavy Metal e desde então fiz muitos contatos entre bandas, gravadoras, empresários, tornando-me verdadeiramente amigo entre vários ou pelo menos tendo a simpatia deles (por ex nesta época comecei a trocar cópias da Brigade como editor da revista alemã Rock Hard e nossa amizade extende-se até hoje pois ele continua a enviar-me cópias mensais da revista (em custo nenhum ou trocar por nada!!), pessoas como Mick Moore do NWOBHM Avenger, Brian Ross (Blitzkrieg) ou Chris Boltendahl (Grave Digger) que chegou a colocar o nome do meu pai na lista de agradecimentos de vários CDs da banda!!

CONTINUA.......

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