KAPPA CRUCIS – JEWEL BOX – Independente – Nacional – Nota: 9,0
Killer Klow

Coloquei o play do Kappa Crucis para tocar e com grata surpresa me deparei com a sonoridade da banda, um hard rock que remonta bandas como Black Sabbath, Uriah Heep, Deep Purple e todas as bandas clássicas do hard n´heavy desde os anos setenta em diante, ou seja, os criadores e aperfeiçoadores do estilo como Judas Priest e algo mais voltado ao rock progressivo como Jethro Tull e ao rock sulista de Lynyrd Skynyrd. Enfim, tudo de melhor do classic rock. Como se vê as influências são as melhores possíveis. Em tempo, a banda foi formada nos anos noventa na cidade paulista de Apiaí e como é de praxe, as covers que faziam no inicio da banda foram paulatinamente sendo substituídas por composições próprias.

O nome da banda, Kappa Crucis, já é por si só uma viagem pois é nome de um aglomerado de estrelas próximo a constelação de Cruzeiro do Sul e a partir daí começaram uma série de inúmeras apresentações conseguindo um bom reconhecimento da critica especializada nacional e até internacional.

E Jewel Box foi lançado em 2009 e é o mais novo trabalho da banda até então.

A faixa de abertura, “Back To The Water” e a próximas, “Merchant Of Illusions” e “Parallel Lines”, desse novo álbum já dá uma idéia da grandiloqüência do mesmo, guitarras com timbres sabbatianos (era Ozzy) com vocais sendo uma mistura de Ian Gillan e Rob Haltford meets the blues rock e tudo isso na figura do vocalista e guitarrista G. Fischer.

A sessão rítmica do baixista R. Tramontin (que também faz vocais de apoio) e de F. Dória (bateria e vocal de apoio) fazem uma cozinha competente, compacta, cheia de feeling, dinâmica sem cair na mesmice de um trabalho conciso porém reto.

“Faces” começa com uma introdução cheia de climas para logo adentrar numas bases mais pesadas e riffs bem construídos e com arranjos diversos e os refrões são perfeitos a la Deep Purple onde as melodias de vocais fazem contraponto com os vocais de apoio. Aliás melodia é um dos pontos altos da banda, como toda banda de classic rock que se preze. Linda balada é “Son Of The Moolight”, tudo de bom, feeling, arranjos, etc. Estavam inspirados os compositores. “Handcuffs”, “Judgement” e “A New Seed” são boas para serem ouvidas em alguma viagem. Músicas de estrada.

“Beyond The Envy Torch” já tem intervenções de teclado a la Eloy apesar das intervenções das guitarras bases pesadas e em “Loadstar” já pende mais para um Jethro Tull unindo rock n´roll animado com teclados progressivóides. É impressionante a riqueza musical do grupo e a exuberância criativa. Um caldeirão sonoro onde se encontra todos os requisitos necessários para uma boa música, melodia, feeling, criatividade, técnica. Mas uma ressalva fica, na mixagem da bateria ficou seca (a caixa) e o bumbo só com o kick o que não desabona de forma alguma o som do grupo.

Alô gravadoras, acordem!

(Fred Mika)

KILLER KLOWN - GAIN - Street Symphonies Records - Importado - Nota: 8,0
Killer Klow

Aqui temos a essência do Rock And Roll, sem muitos compromissos, apenas fazendo musica para diversão, tudo temperado com um som moderno e timbres bem trabalhados o que limpa um pouco a sujeira da essência da proposta. Formado em 2005 com uma característica de sleaze a banda fundada por “Andy K” (Dirty Dogz) e o guitarrista “Diablo” (Arthemis, Power Quest), que depois receberam a companhia de “Nicoch” (B) e o selvagem frontman “Gabriel”.

O que notamos ao longo do cd é um trabalho coerente com a proposta com boas composições que agradam e acertam em cheio com relação a proposta planejada. Toda a banda executa seu papel em perfeição sem um grande destaque, senão o grupo, que ainda apresenta composições muito bem criadas, mas com grande destaque para Tropical disease, refrão perfeito e performance de guitarra matadora. Ao longo de cada faixa temos muita energia, na dose certa.

Bom cd que vale a pena a aquisição.

(Adriano Gandolfi)

KARCIUS - EPISODES - Unicorn Digital Records - Importado - Nota: 10,0
Forsaken

Eis aqui mais um lançamento da gravadora e distribuidora canadense Unicorn Digital Records. Isso significa que temos mais uma banda que executa um rock progressivo com ou sem influencias de estilos razoavelmente próximos como o erudito, o experimental, o new age e até da jazz music.

No caso do grupo Karcius, em que os títulos das composições são em francês, o som é bem variado, mas seu rock progressivo se aproxima de sonoridades jazzísticas com um pé na ala do rock progressivo que muitos chamam de rock atmosférico a La Enya.

Um exemplo disso é logo na faixa de abertura, “Éléments”, com mais de trinta meinutos de duração e que se subdivide em mais três títulos, “Submersion”, “Sol” e “Combustion”. A primeira delas interessantes arranjos e linhas melódicas de piano seguem sobre uma base cadenciada de baixo e bateria além de uma leve guitarra com pouca distorção. Esse subtítulo ora apresenta partes mais leves, ora mais condensadas, encorpadas com vários arranjos e texturas instrumentais se sobrepondo até que no meio da composição, atinge o seu ápice com solos bem elaborados de guitarra. Na seqüência já segue para fraseados jazzísticos na segunda parte e no subtítulo que vem depois.

Já o subtítulo “Combustion” tem uma introdução mais pesada e agonizante (no sentido de criações de guitarras loucas e distorcidas fazem arranjos complexos), mas logo caem para uma levada cadenciada com lindos e melódicos solos de guitarra com os pianos fazendo fundo. Ao final da mesma, ate lindos arranjos de violinos e sintetizadores são executados. Isso que é uma trilogia fantástica.

E, a seguir, mais aclimatações são acionadas gerando um clima quase que místico para se transformar num rock progressivo incendiário e extremamente trabalhado lembrando boas passagens desse estilo a la Uriah Heep e Rush. O baterista Thomas Brodeur (que também tem um arsenal de instrumentos percussivos como pandeiros, triângulos, tamborins, congas, sinos, carrilhões, etc) é um músico fantástico, criativo e virtuose, esse álbum é prodigo em arranjos bem executados e complexos. Para segui-lo nessa sessão rítmica virtuosística seria preciso um baixista a altura e esse é Dominique Blouin.

“Incident” é a segunda faixa, e já conta com violões flamencos, violinos com os pianos fazendo o fundo. Ate castanholas tem. Sessão rítmica bem variada e cheia de groovies, acentuações e arranjos ricos. O ouvinte se imagina fitando os maravilhosos céus espanhóis. Interessantíssima e cheia de alma. O guitarrista e violonista Simon L´Esperánce é magnífico, tem um amplo domínio de seus instrumentos com uma criatividade gigante. “Levant” é a faixa mais curta do álbum com pouco mais de dois minutos e executada integralmente no piano.

“Purple King” é uma agradável faixa leve a cadenciada, mas que ao seu final fica mais encorpada. Com uma interpretação e execução de primeira, mas tudo com muito bom gosto. Arranjos primorosos e extremamente criativos. “Racines” fecha esse fantástico lançamento. No inicio dessa composição há uma interessante mistura de uma levada rítmica e de guitarra reggae cuja qual um solo melódico se apóia. No decorrer da faixa, a mesma ganha em velocidade de andamento, para depois retomar seu andamento e arranjos iniciais.

É um álbum riquíssimo, variado, com uma sonoridade complexa, porém agradável ao extremo e de muito bom gosto e eu indico a todos sem exceção.

(Fred Mika)

KISS - SONIC BOOM - Walmart - Importado - Nota: 9,5
Factory Of Dreams

Aquela velha frase, de chover no molhado, já está mais do que gasta quando se fala de bandas do mainstream. Não tem o que falar de um grupo, cuja influência, tanto sonora quanto visual, é mais conhecida do que um McBurger, ou tanto quanto, uma Coca-Cola. Pois é, o Kiss não é só um grupo, é uma marca, uma marca rentável até hoje, perdurando ao longo de 36 anos, quando da mudança do nome de Wicked Lester para o mundialmente conhecido Kiss.

Como mestres do marketing, estes caras souberam a hora certa de tirar a máscara, e novamente, retornar com seu apelo visual do inicio de carreira, sem nunca perder seus fãs, que são mais do que ardorosos, são realmente amantes do grupo, protagonizado na figura de Paul Stanley (que continua cantando muito), consumidores alucinados em devorar os Kiss-kits, com vários produtos com a logo marca criada por Ace Frehley (atualmente substituído por Tommy Thayer).

Ao longo deste reinado, claro que houveram altos e baixos, diferentes tentativas de sonoridades, que também tornaram-discos bem conhecidos do grupo, como Dynasty, Unmasked, The Elder, Creatures Of The Night, Lick It Up, ou mais antigos, como Destroyer, Kiss Alive I, Dressed To Kill, Hotter Than Hell, Love Gun e por aí vai, só se falando dos discos, se colocar as músicas o negócio vai longe.

Apesar do grande alarde provocado pelo grupo, mais explicitamente por Gene Simmons, o disco realmente saiu, e não fugiu do que o baixista comentou em suas entrevistas, ao contrário de outros coitados, que ficaram vários anos anunciando um disco que, quando foi lançado, não trouxe ibope nenhum (é do Guns n’ Roses mesmo que estou falando). Sonic Boom é um disco voltado às origens do hard rock do grupo, sem teclados, sem baladas, sem backing femininos, com um som simples e direto, sem frescura.

Faixas como “Modern Delilah”, “Russian Roulette”, “Never Enough”, “Hot And Cold”, “I’m An Animal” ou “Say Yeah”, mostram o Kiss tocando Kiss, com a energia que o grupo demonstra em seus clássicos. Foi lançada uma edição limitada que inclui além do novo disco, um disco bonus com alguns clássicos em regravações, além de um DVD ao vivo do grupo.

Alguns podem torcer o nariz, outros fecharem os olhos ou tamparem os ouvidos, mas com certeza, Gene Simmons tá mostrando a língua pra eles, assim como sempre fez em sua carreira. Bom lançamento para os hardrockers. Kisses Baby!!

(Bob Riot)

KAVLA - SURREAL - Encore Records - Nacional - Nota: 8,5
Feline Melinda

Antes de tudo vou fazer uma rápida analise sobre o panorama do metal nacional e quanto a este sou bem otimista. Para isso teremos de voltar ao surgimento de grupos de heavy metal no Brasil ao inicio dos anos oitenta. Na época era praticamente impossível conseguir um bom instrumento (a não ser que alguém viajasse para fora do país e trouxesse) uma vez que a o protecionismo mercantil tornava a importação inviável. Os meios de divulgação eram os mais toscos possíveis (fanzines em preto e branco) e tudo isso dificultava enormemente às bandas que iam se surgindo. As coisas melhoraram um pouco depois da segunda metade dos anos oitenta e já no inicio dos noventa (com o fim do protecionismo às importações) se tornou bastante acessível à grande maioria adquirir os melhores instrumentos a preços compensadores. As bandas passaram a ter acesso a marcas como guitarras e baixos como Fender, Ibanez, Gibson e baterias como Tama, Yamaha, além de excelentes amplificadores como Marshall, Fender, Ampeg, GK, etc tornaram a gangorra nacional-internacional mais equilibrada.

Porém ainda faltava algo pois eram poucas as bandas que se atreviam ainda no mercado internacional como Sepultura, Angra, Dr. Sin, Viper, entre poucas outras. Faltava que o mercado musical que girava entre as bandas se solidificasse e atingisse auto-suficiência e isso se tornou uma realidade no final dos anos noventa e inicio da década atual.

O que isso significou? Que marcas nacionais se tornassem de primeira linha no competitivo mercado internacional como Odery, Tagima, entre outras e junto com essa terceira e final conquista tivemos bandas profissionais em todos os quesitos (musicalidade, gravação, produção, design gráfico, etc) e uma dessa é justamente o Kavla.

O estilo da banda se encaixou como uma luva ao publico brasileiro, que é o metal progressivo com influencias do heavy metal melódico. E nisso a banda nada tem a dever aos similares internacionais. O vocalista Thiago Cicilini tem um timbre agradável e esbanja muita técnica (Já nas três primeiras faixas do álbum, “Contradiction”, “No Answers” e “Runnin´ From Fallin´” já nos dão bem uma amostra disso) onde alcança com facilidade timbres altos. Vale destacar também sua excelente interpretação geral a elaboração bem criativa dos vocais de apoio.

A quarta faixa do álbum, “Lack Of You”, é uma belíssima balada recheada de melodia, mas sem cair nos clichês do estilo. Souberam bem escapar do terreno pantanoso desses clichês. A dupla de guitarristas, Sandro e Fábio Silva, são músicos técnicos que dominam bem as técnicas além de serem bem criativos na elaboração de riffs como, por exemplo, na dramática e climática composição “Follow The Tides”.

“A Nostalgic Mind” e “End Of A File” apresentam estruturas já mais quebradas, andamento e ritmos, e onde o tecladista Carlos Cerdoni é muito exigido bem como a sessão rítmica formada pela baterista Nina Pará e pelo baixista Marcelo Eiger (esta ultima faixa então um pouco mais pesada).

A faixa a seguir, “Reach”, é uma excelente amostra da versatilidade do Kavla. Aqui, uma faixa já mais cadenciada em que a banda se lança com muito bom gosto aos groovies. As duas faixas seguintes, “Impersonal World” e “Nobody At All” já são composições rápidas e pesadas mais retas na linha do heavy metal melódico mesmo. Fechando o álbum tem mais uma balada que dá nome ao mesmo, “Surreal”. Esta já mais alegre que a anterior, com leve pegada do rock pop bonjoviano.

Uma coisa deve ser dita aqui. O estilo prog metal costuma oferecer bandas em que os membros invertem uma lógica musical, pois não usam a técnica para exprimirem adequadamente sua arte, sua criatividade e sim usam a técnica como objetivo final, usam a sua arte, sua musicalidade como meio de exporem sua técnica. E nessa armadilha o Kavla não caiu, pois todos os instrumentistas, além de serem bem técnicos são muito criativos e a essa técnica eles a souberam usar adequadamente. Uma gratificante exceção. Vale a pena a todos os admiradores da boa musica procurar conhecê-los.

(Fred Mika)

KALEDON - LEGEND OF THE FORGOTTEN REIGN - Independente - Importado - Nota: 7,5
Faith Factor

Bom... pensei... aqui está mais uma banda épica... power metal, o nome completo do disco é Legend Of The Forgotten Reign – Chapter 5: A New Era Begins, e a banda já havia lançado outros discos com a sequência de capítulos que se encerrava neste. Haja história pra contar ein?!

Pois aí veio a surpresa... o som do grupo beira mais para o hard rock e metal tradicional, às vezes puxando para o progressivo como em “A Wounded Friend”, várias músicas pode-se ouvir a palavra Kaledon no meio de suas letras, “A New Man”, tem cara de música do Rainbow com Dee Snider no vocal, mas bem menos potente, assim como em “The End Of The Green Power”, mais para o metal oitentista.

Boa banda italiana, bom divertimento para quem não exige ou está procurando pelos epic metal.

(Bob Riot)

KAMELOT - GHOST OPERA - Hellion Rec - Nacional - Nota: 8,5
Kamelot

Em 2005, o Kamelot lançou o seu melhor disco. “The Black Halo”. Com este álbum, o Kamelot subiu vários degraus, e passou a ser visto com outros olhos pelos fãs e pela mídia.

“Ghost Opera” tinha uma difícil missão então, e o que se percebe é que as características mais marcantes de “The Black Halo”, e também dos anteriores “Epica” e “Karma”, foram mantidas, e não poderia ser diferente. Como sempre as linhas vocais de Roy Khan estão espetaculares, criando melodias singulares, assim como o criativo e pesado trabalho de guitarra de Thomas Youngblood. Gleen Barry e Casey Grillo solidificam ainda mais uma das melhores cozinhas da música pesada, e, complementando tudo isso, o tecladista Oliver Palotai preenche de forma inteligente as composições.

Os refrãos marcantes, uma das marcas mais evidentes do som do grupo, continuam em evidência. Isso já fica claro em “Solitaire”, que abre o álbum com classe. A faixa seguinte, “Rule The World”, parece saída das sessões de “The Black Halo”, tamanha a similariedade com aquele álbum.

A cadenciada “The Human Stain” aposta em mudanças interessantes de andamento e clima, destacando a bela voz de Khan, enquanto a épica faixa título e “Blucher” unem com perfeição poderosos riffs de guitarra a dramáticas passagens de teclado. A linda balada “Love You To Death” é um dos destaques de “Ghost Opera”. Passagens de violino enriquecem a canção, que também conta com uma ótima performance de Palotai.

Como havia ocorrido em “The Black Halo”, o Kamelot investe mais nas melodias e nas estruturas das composições do que em andamentos mais acelerados, o que torna a sua música, muito mais interessante do que grupos similares, que ainda investem em um metal melódico mais ortodoxo. Apesar de que classificar o Kamelot como melódico é ser simplista demais, já que sua música está caminhando cada vez mais para outros mares, sendo o principal deles o prog metal.

Além disso há uma ótima produção, bastante similar ao último trabalho do grupo. Individualmente o destaque maior é o vocalista Roy Khan, apesar de todos os integrantes fazerem com perfeição o seu trabalho.

A principal diferença em relação a “The Black Halo”, e que talvez gere discussões entre os fãs, é que as canções de “Ghost Opera” não possuem tanto punch quanto s daquele disco. Ao ouvir “The Black Halo”, o ouvinte se empolgava a cada faixa, enquanto que em “Ghost Opera” as música vão revelando sua força a cada nova audição. Os mais ansiosos podem se decepcionar.

Concluindo, o Kamelot não faz feio em “Ghost Opera”, aliás está muito longe disso. Mas é um bom cd

(Adriano Gandolfi)

KAMELOT - ONE COLD WINTERS NIGHT - Hellion Rec - Nacional - Nota: 8,5
Kamelot

Com mais de 10 anos de carreira o Kamelot, se empenhou bastante para lançar “One Cold Winter’s Night”.

O conjunto faz ótimo uso de suas músicas através do pequeno palco do Rockefeller Musichall, com jogos de luzem que privilegiam cores sombrias de forma não monótona e produção sem apetrechos mirabolantes – labaredas, neve artificial e projeções em telão são o que mais chamam atenção nesse aspecto, no DVD.

O instrumental como sempre é impecável, mas o grande destaque e foco das atenções fica para o performático vocalista Roy Khan, que lembra e muito Geoff Tate (Queensrÿche). Com a participação de Mari Youngblood, esposa do guitarrista Thomas Youngblood, e Simone Simons (Epica), Sascha Paeth e do multi-bandas Snowy Shaw, são detalhes que dão ainda mais brilho e luz ao som do quarteto.

Tecnicamente, One Cold Winter´s Night é perfeito. A qualidade do som é excelente.

O tecladista Oliver Palotai e o baixista Glenn Barry que balançavam a cabeça e agitavam constantemente, merecem destaque na apresentação, onde contribuíram fortemente com uma performance bem segura e precisa.

O resumo da obra é que One Cold Winter´s Night é tecnicamente perfeito e mostra o que de melhor o Kamelot tem produzido nos últimos anos, se é fã pode ir atrás pois é campeão.

(Adriano Gandolfi)

KEN HENSLEY - BLOOD ON THE HIGHWAY - Dynamo - Nacional - Nota: 10,0
Ken Hensley

Na procura por editores para seu livro autobiográfico, Ken Henley, encontrou a proposta de transformar seu livro em uma ópera-rock, de título pomposo, The Ken Hensley Story – Blood On The Highway – When Too Many Dreams Come True. Para isto, Hensley, que vive atualmente na Espanha, contatou os músicos locais, Juan Carlos Garcia (bateria), Antonio Fidel (baixo), Ovidio Lopes (guitarra), Vicente Ruiz (piano), além de Ken Hensley nos teclados, guitarra e vocal/backing em algumas músicas.

Tendo como principal vocalista, nada mais, nada menos, que Jorn Lande, além de convidados especialíssimos como: The Alicante Symphony Orchestra, Glenn Hughes, Eve Gallagher e John Lawton. Realmente, um time de respeito.

As músicas contam a história do músico desde o início da carreira, quando jovem, as batalhas ao longo da carreira, sacrificando família, amor e segurança, passando por erros, indo ao fundo do poço e voltando ao sucesso. Coisas que parecem comuns a vários músicos, mas colocados aqui em forma de música, e quem sabe no futuro, algum filme.

A parte interna, com o nome das músicas, trás um resumo de uma linha sobre a história que é contada, o som tem a cara do Heep, o que não é para menos, os maiores sucessos do grupo são de Ken, com o vocal do Lande e Hughes, por exemplo, Lawton é voz conhecida no som do Heepe dá um som de recordação em “It Won't Last”.

Citando mais algumas músicas: “(This Is) Just The Beginning”, “Blood On The Highway”, “You've Got It (The American Dream)”, e “The Last Dance” (Hughes arrebenta!).

Um disco bem produzido, pode não agradar a muitos que gostam de algo mais pesado, mas que merece a frase colocada na introdução do encarte: “Ouça e sorria... ouça e pense... ouça e chore... mas ouça!”. Acho que não poderia ter escolhido melhor as palavras.

(Bob Riot)

KHALLICE - THE JOURNEY - Magna Carta Rec - Importado - Nota: 8,5
Khallice

Admirável, é um dos adjetivos para este cd da banda brasiliense Khallice, que prima pelo talento musical pela produção impecável. O disco é um grandioso trabalho: com encarte de primeira linha, ótima produção de estúdio, etc. fazendo jus ao metal progressivo.

Alírio Neto (vocal), Marcelo Barbosa (guitarra), Michel Marciano (baixo), Bruno Wambier (teclado) e César Zolhof (bateria) tem como maior influência o Dream Theater. Alírio Neto possui uma voz que não lembra muito James LaBrie, ainda bem, e o instrumental da banda é um pouco mais variado e não chega a ter passagens/solos tão virtuosos como no Dream Theater, mas apesar da referência a música do Khallice não fica enjoativa e repetitiva.

Várias faixas merecem destaque, cada uma diferente da outra.

“Loneliness” possui uma dose de peso, momentos acústicos e um ótimo solo de teclado. “I’ve Lost my Faith” é mais progressiva, que se mescla com muito peso e melodia, com destaque absoluto para o vocalista Alírio Neto. “Spiritual Jewel” é mais cadenciada, e é uma das melhores faixas do Khallice. “Wrong Words” segue na mesma linha, possuindo uma ótima melodia para o vocal e até doses maiores de experimentalismos tratando-se de progressivo. “Turn the Page”, também tem forte presença com partes cadenciadas, pesadas e novamente total destaque para o vocalista.

Este cd é totalmente recomendável aos amantes do metal progressivo. Esta banda tem jeito de que vai longe.

(Adriano Gandolfi)

KHIGH - WISE HEDONIST - Big Bang Music - Importado - Nota: 8,0
Khigh

Ao fim dos quase 60 minutos e de treze faixas executadas a banda americana do guitarrista e vocalista Kris, deixa uma série de interrogações.

Isso é ruim? Talvez não, depende de quem vai ouvir este cd que seguindo o release executa um Heavy Rock, utilizando de todas as influências e nuances existentes no estilo, ou seja fala e ao mesmo tempo não fala nada, as músicas se sucedem e geram esta impressão de não se saber exatamente onde e como o Khigh quer chegar.

Além disso a produção e timbres executados não são dos melhores, deixando um pouco a desejar e demonstrando neste ponto um trabalho imaturo.

Realmente não consegui exemplificar o que realmente traduz o som do Khigh, apenas dizer que aparentemente há competência, mas a banda não encontrou ainda seu caminho.

Talvez numa segunda tentativa, quem sabe?

(Adriano Gandolfi)

KINETIC - CORROSION - Burning Star Records - Importado - Nota: 7,0
Kinnetic

Banda grega de progressive death metal formada em 2002 por membros de outras históricas bandas da cena underground grega. As influências pessoais de seus músicos incluem thrash, power, progressive e death metal dando um timbre agressivo às suas composições, algo entre a técnica sueca e americana.

Corrosion foi lançado em 2007 e foram incluídos mais dois membros para a gravação do álbum, o tecladista Vaggelis Kakarougas e vocalista Margaret Staikou, que foi substituída em março de 2008 por Maria-Melissa Routi que continuou a promoção do disco junto com os outros membros, Manolis Mamas (guitarra), Stavros Bonikos (guitarra), Savvas Betinis (baixo) e Kostas Alexakis (bateria).

Um disco legal, mas sem novidades, afinal, nada se cria tudo se transforma (frase velha, manjada, mas verdadeira). Destaques para “Dreams For Nothing”, riff com uma boa levada, “Visions From Next Dawn” e a porrada “Vessel Of Rebirth”.

(Bob Riot)

KING BIRD - JAYWALKER - Die Hard Rec - Nacional - Nota: 8,5
King Bird

O fim do Sunflower, gerou o King Bird que começou a tomar forma em 2002, com Silvio (guitarra), Macarrão (contrabaixo), Marciano (bateria), e completando o time o vocalista João Luiz. O quarteto surpreende logo nos primeiros segundos de "Jaywalker", trazendo todos os elementos que fizeram do hard rock setentista uma vertente musical de destaque dentro do mundo do rock.

As influências vão desde Grand Funk Railroad, Foghat e Lynyrd Skynyrd, entre várias outras bandas consagradas. Mesmo com todas estas influências o som apresenta uma grande homogeneidade, prova disso é que fica dificil eleger as melhores faixas ou destaques, pois todas apresentam uma linha de composição muito boa.

Ogrande destaque individual, ai sim podemos citar, uma grande interpretação do vocalista João, que apresenta um timbre abençoado. Os riffs são pegajosos e os solos cheios de feeling, algo indispensável na proposta de música que realizam, além de uma cozinha segura e pesada.

"Jaywalker" é indicado a qualquer amante do rock´n´roll.

(Adriano Gandolfi)

KING BIRD - SUNSHINE - Voice Music Records - Nacional - Nota: 9,5
King Bird

Eis que o rock setentista do King Bird volta em plena forma, inspirado principalmente na lendária banda Led Zeppelin, o King Bird é um dos raros grupos nacionais que faz um hard rock assim com letras em inglês.

Como no álbum anterior, o destaque maior vai para seu vocalista João Luiz. Mas o instrumental não fica atrás, a banda manda ver nos riffs que fluem com profusão e precisão, aliás, diga se de passagem, o King Bird é uma usina de riffs.

O álbum abre com a instrumental “News Rays Of The Old Sun” e já emenda com o petardo “Road To Ruin”, essa é uma daquelas faixas que não deixa ninguém parado. Em seguida vem “Getting Over My Faith”, já mais cadenciada, mas não menos poderosa, climática do início ao fim, um show também de interpretação de João Luiz.

“I´ve Been Looking” é a quarta música, essa sim com uma introdução no melhor estilo setentista, com direito a vários violões, melodias dos vocais bem trabalhadas para logo depois ganhar peso no melhor cruzamento Led Zeppelin/Whitesnake.

Na seqüência temos “Still Driftin´”, com um som nostálgico, um pouco mais lento, mais viajante. Interessante faixa.

“Here Comes The Zeppelin” (essa talvez uma auto-referência). Na letra dessa musica eles dizem: “O Zeppelin veio para aliviar minha mente – Como um pássaro rei (King Bird), orgulhoso, forte e livre”.

Depois já emendam com “Cross The Muddy River”, uma faixa mais cadenciada com leves sacadas do pop rock.

“Where Are You Going” tem uma introdução interessante de violão, com uma belíssima melodia e percussão. Um dos pontos altos desse álbum. E a faixa segue assim, climática, chamativa e intimista até o fim.

“Let The Rock N´Roll” volta no melhor estilo rockeiro com riffs mandando ver. Outra faixa arrasa quarteirão.

“Dealin´ With The Boss” é um blues com direto a gaita e onde o vocalista abre o gás total, com violões fazendo clima com guitarras (aliás tudo aqui soa bem setentista, até na escolha de timbre das guitarras).

A seguir temos “Sunshine” (uma faixa poderosa que soa bem tanto ao vivo como no álbum) e no mesmo estilo energético eles mandam ver na seqüência com “Whazzup Jack?” (apesar de que essa é uma instrumental e onde o guitarrista solo solta a mão com vontade).

“Palm Reader” vem logo após, uma composição mais cadenciada, arrastada, com tons dramáticos e para fechar temos “New Day Comin´”, uma nova balada, mas não dedilhada, melancólica e sim bastante alegre. Em tempo, alegria e energia são as características do King Bird.

Parabéns a toda banda (instrumental fantástico e composições recheadas de bom gosto e criatividade): Fábio César (baixo), Marcelo Ladwig (bateria), Silvio Lopes (guitarras) e lógico, a João Luiz (vocalista).

(Fred Mika)

KING DIAMOND - ABIGAIL - Roadrunner Rec - Importado - Nota: 9,5
King Diamond

Para comemorar vinte e cinco anos de vida,o selo holandes responsável por lançar nos anos oitenta e no início da década seguinte muito do grandioso e clássico que o metal já produziu, resolveu relançar dentre outros,este clássico absoluto da carreira do músico dinamarquês e soberba banda.

Originalmente gravado em 86/87, temos aqui um dos melhores trabalhos do vocalista/letrista juntamente aos guitarristas Andy La Rocque(até hoje na banda e também proprietário de estúdio e renomado produtor) Michael Denner baixista Timi Hansen (ambos ex Mercyful Fate)além do extraordinário baterista Mikkey Dee(há anos no Motorhead), uma banda de primeira linha.

Como tantos outros trabalhados da banda,este é um álbum conceitual, uma história de terror que daria um bom filme de terror(no melhor estilo da saudosa britânica Hammer) e como sempre fizeram mesclam altas doses de melodia, peso, energia e criatividade em grandes composições além dos sempre característicos falsetes misturados à interpretações mais variadas que dão vida às personagens,e mesmo que voce não goste de KD como vocalista ou não concorde com suas “tendências religiosas”(este último,meu caso) tem que concordar que sua música é excelente e seus álbuns estupendos.

Esta versão vem em digi-pack luxuoso, duplo, com quatro músicas bônus,mais três vídeo clipes e um show bootleg(em dvd)gravado em Gotemburgo/Suécia, em 1987, cuja qualidade sonora não é das melhores mas o registro é um documento histórico de uma época gloriosa. Apesar do alto preço, um trabalho indispensável.

(Eduardo de Souza Bonadia)

KING DIAMOND - DEADLY LULLABYES "LIVE" - Metal Balde Recs. - Importado - Nota: 9,0
King Diamond

É incontestável o fato de que Mr. Diamond é peça importantíssima da história do Heavy Metal - seja por sua carreira solo, seja por sua participação na magistral banda Mercyful Fate - e que fez história dentro do estilo com sua inconfundível voz. Portanto nada mais natural que após tantos anos de estrada todo este trabalho seja recompensado com um álbum ao vivo englobando sua carreira solo. E logicamente foram os fãs que ganharam com isso!

Com uma gravação e mixagem perfeitas - fruto da parceria de King Diamond com seu guitarrista e eterno amigo Andy La Rocque - os dois CDs são um verdadeiro compêndio de Hits: A Mansion In Darkness (maravilhosa!), The Family Ghost, Eye Of The Witch, So Sad, Halloween (essa jamais poderia faltar!), No Present For Christmas, e tantos outros clássicos. Vale lembrar ainda que o disco conta com a participação da vocalista Livia Zita (que participou do álbum The Puppet Master).

Sem dúvida nenhuma um disco imperdível!

(Eduardo Garcia Carvalho)

KARCIUS - KALEIDOSCOPE - Unicorn Digital - Importado - Nota: 8,0
Karcius

Segundo álbum deste grupo instrumental canadense que toca uma mistura de progressivo com jazz-fusion.

A formação do grupo conta com Dominique Blouin (baixo), Simon L'Espérance (guitarra), Mingan Sauriol (teclado) e Thomas Brodeur (bateria).

Falando um pouco sobre o álbum... A guitarra aparece em algumas partes com uma distorção que lembra a música Freedom Of Expression, que foi tema do Globo Repórter, e pitadas de soul music podem ser encontradas no disco.

Trechos dos discos podem ser ouvidos no site oficial do grupo e creio que os aficcionados pelo jazz curtirão o álbum.

(Bob Riot)

KARFAGEN - CONTINIUM - Unicorn Digital - Importado - Nota: 8,5
Karfagen

Realmente o rock é universal. Todo dia descobrimos grupos de várias partes do mundo e o Karfagen é mais um deles. Oriundo da Ucrânia e liderado por Antony Kalugin que formou o grupo ainda na Universidade de Arquitetura em 1997 e juntou-se mais tarde com seu amigo Sergei Kovalev (acordeão e harmonica).

Uma curiosidade sobre Antony, entre os anos de 2003 e 2005, o músico chegou a tocar e compor cerca de 40 álbums que foram lançados na Rússia e Ucrânia.

Pode-se observar que o aprendizado do músico na arquitetura também trouxe uma grande preocupação com arte gráfica, por sinal muito bonita.

Um álbum com arranjos bem elaborados. Destaque para a única faixa com vocal, “Close to Heaven”, um dueto com lead vocal da convidada Marzo e Anthony, Marzo tem uma voz angelical que é de invejar, e em “Silent Anger” ela mostra sua parte lírica ao fundo da música.

Um bom disco em vários aspectos.

(Bob Riot)

KARFAGEN - THE SPACE BETWEEN US - Unicorn Digital - Importado - Nota: 8,0
Karfagen

Segundo álbum desta banda de rock progressivo instrumental ucraniana, liderada pelo multi-instrumentista Antony Kalugin, carreira que descrevi em seu primeiro disco chamado Continium (leia a resenha).

O Karfagen mudou seu estilo que estava voltado para o space rock e mostra, em The Space Between Us, um lado mais para o symphonic rock. Isto não desabilitada a qualidade musical do disco, obviamente, mas deixou alguns fãs do grupo sem saber em que direção a banda estava indo.

Falando sobre algumas músicas, por exemplo, temos “Masks And Illusions”, que segue o trabalho do primeiro álbum, backing vocals bonitos ao fundo, “The Space Between Us”, com uma guitarra no melhor estilão Pink Floyd, “The Dream Master”, pianão pesado, se assim pode se dizer, caindo para a veia clássica de Kalugin.

Vertendo para músicas mais populares como “Labyrinth”, com guitarra um pouco mais pesada, “Let Go” mais no clima progressivo dos anos 70, “Temple of Light”, com guitarra de sonoridade jazzista e ritmo mais para o pop, “The Other Side”, grandes quebradas de ritmo e bateria lembrando um pouco o trabalhos do Spastic Ink.

Os grandes músicos e bandas tentam sempre reciclar suas idéias, reciclar, realmente é a palavra de ordem no nosso mundo atualmente, alguns não querem, outros são fervorosos seguidores. Uma coisa é certa, o mundo está sempre em mudança, na música principalmente, o que importa é que sempre vai haver, alguém que aprecie o trabalho deste ou daquele grupo/músico.

Isto é o rock de um modo geral e não é a toa que está aí há mais de cinquenta anos e tem inclusive o “Dia Mundial do Rock”, dia 13 de julho, que neste ano caiu numa sexta-feira (bem pitoresco não?!). E que o rock de todas as formas continue para sempre!

(Bob Riot)

KATAGORY V - HYMNS OF DISSENSION - Nightmare Rec - Importado - Nota: 8,0
Katagory V

"Hymns Of Dissension" é um excelente álbum do KATAGORY V . Excelentes músicos, grandes letras e acima de tudo canções autênticas de metal.

O instrumental está perto da perfeição; a banda possui uma química comandada pelas guitarras de Morrell e Mark Curtis Hanson.

O trabalho da dupla lembra coisa feitas pelo HELSTAR (em "Nosferatu"), Fates Warning, Jag Panzer entre outras.

"Hymns Of Dissension" é o quarto álbum de estúdio da banda. O set list deste cd é matador e difícil escolher uma única faixa, pois todas apresentam uma linha bastante heterogene. Quem já passou dos 30 agora pode certamente recordar dos anos 80 com este desafiador Heavy / Power / Prog.

(Adriano Gandolfi)

KATAGORY V - THE RISING ANGER - Nightmare Rec. - Importado - Nota: 7,5
Katagory V

Esta banda chega ao seu terceiro álbum, e com certeza podemos afirmar ser uma banda de Prog, mas que consegue mesclar várias outras influências ao longo da dez faixas que compõe este trabalho.

Vamos começar pelas guitarras, que acho serem o grande diferencial desta banda no cenário Prog, os riffs que ouvimos da dupla são inspiradíssimos além de usarem um timbre muito parecido ao que Jeff Waters (Annihilator), usou em seu clássico Alice In Hell, alem do timbre as harmonias lembram muito o trabalho de Jeff, e isso dá muito peso e corpo ao som da banda.

O vocal de Lynn Allers é bastante variado e chega a lembrar Ray Alder em muitos momentos. O único ponto que deixa a desejar é a bateria que em alguns momentos soa embolada, pode ser um problema na produçã/gravação do material, além do que executar muitas mudanças de andamento, que são típicos do estilo, mas que acabam prejudicando as composições.

Feito isto temos um cd que apesar de deixar claro o estilo da banda, segue bastante variado tendo situações bem diferentes a cada faixa tornando a audição bem agradável.

Para fãs de metal em geral é uma boa pedida.

(Adriano Gandolfi)

KELDIAN - HEAVEN´S GATE - Perris Records - Importado - Nota: 7,5
Keldian

Keldian é uma banda vinda da fria e distante Noruega, terra da banda de hard rock TNT que fez enorme sucesso nos anos oitenta, inclusive em solo brasileiro. Mas as influências são outras, o Keldian tem um som meio híbrido, algo como um heavy metal melódico com muita influência do rock AOR e trechos de hard rock mais limpo.

Num pequeno release que acompanha o disco diz que a banda é direcionada para fãs de Europe, Giant e Ásia. Há muita coisa dessas bandas sim, na sonoridade do Keldian, mas eu diria que esta está bem mais influenciada pelo heavy metal melódico como um todo. Senão vejamos, em praticamente todas as músicas há uso de bases rápidas, bumbos duplos, vocalizações agudas e limpas (sem uso de drive nos vocais), bases de guitarras retas, duetos, e muitas progressões climáticas como convém às bandas de heavy metal melódico, sendo que os teclados, além de intensificarem as aclimatações das músicas fazem, algumas vezes contra-ponto às harmonias das guitarras. Nota se também certa influência do rock progressivo (principalmente no que se refere aos arranjos de teclados como ELP, Rick Wakeman)

A faixa “Redshift” é uma balada bastante melódica e climática onde o peso (mas não velocidade) é reservado para seu final, várias progressões, quebra de andamento e um solo a la Scorpions (Lady Starlight).

A banda se impõe numa sonoridade grandiosa, pomposa, construída sobre muitos backing vocais afinadíssimos e muito bem encaixados (aliás, um dos pontos fortes desse registro); com temas espaciais e filosóficos.

Tudo muito bem feito, muito certinho, tudo no lugar certo e devidamente muito bem produzido, porém, as composições se esbarram em duas pragas que são comuns no meio do heavy metal melódico: a homogeneidade e o uso abusivo dos clichês, sim, as músicas são bastante parecidas entre si e, além disso são meio óbvias, o ouvinte sabe onde e como vai ser o solo, os refrões ganchudos, os duetos, etc e por essas características, torna se difícil destacar uma ou outra faixa, se bem que a última faixa, “Plains Of Forever”, é um pouco diferente das demais.

Mas apesar disso tudo, é um álbum muito gostoso de ser ouvido (pela produção e músicas bonitas), mas corre o risco de enjoar rápido (pelo caráter repetitivo).

(Fred Mika)

KING´S CALL - NO ALIBI - Independente - Importado - Nota: 9,0
King's Call

King´s Call é uma banda de hard rock tradicional fundada pelo guitarrista e vocalista Alex Garoufalidis que sempre se primou por trabalhar com músicos bastante conhecidos desse estilo como Graham Bonnett (ex-Rainbow, ex-Alcatrazz e ex-MSG), Chuck Wright (ex-Doro e ex-Quiet Riot) e Cherie Currie (ex-Runaways) além de ter sua outra banda chamada Eagle Springs.

Atualmente, contando com a baixista Martina, o baterista Asik e o tecladista Hendrik, o King´s Call bebe das fontes do hard rock setentista e oitentista na linha de bandas como Thin Lizzy (inclusive o timbre do vocalista se assemelha muito a esse), Led Zeppelin, Gary Moore, Magnum, entre outros.

A capa desse álbum é bem estilosa, o nome da banda numa etiqueta de calça jeans e na parte interna, fotos de papéis por onde estão as letras das músicas e contando também com fotos sobrepostas das etiquetas e uma foto central do próprio Alex Garoufalis.

O renomado produtor Chris Tsangarides produziu esse álbum e isso, por si só, já é garantia de produção excelente.

Todas as faixas são bem interessantes (dez composições no total) e principalmente a influência de Thin Lizzy se faz sentir em cada uma, e isso significa muitas melodias, marcação forte além de linhas vocais bastante emotivas. Uma musicalidade completa.

Não espere aqui quebras de andamento e de ritmos, e com solos velozes e virtuosos além vários e complexos arranjos instrumentais e de vocais na linha de certo hard rockers mais modernos como Winger, Extreme e Mr. Big, pois o hard rock é o mais clássico possível que, em muitas músicas, beira o rock n´roll viceral mais básico. Um fator porém é inegável, a energia que a o King´s Call transmite em cada faixa. Uma palavra que dá pra definir o som da banda é contagiante.

As faixas, “Shaking”, “Caught In A Lie”, “Never Be Alone”, “Crying Shame”, “All You Can Do”, “Crank Me Up”, “Shining”, “R´R All Star”, “Destiny” e “To The Limit” resgatam aquela energia e clima tão em falta no insípido rock atual onde as músicas são extremamente descartáveis e feitas para um sucesso efêmero.

O mais estranho de tudo é como essa banda ainda continua a ser independente (nem um site próprio a mesma não possui e sim apenas contato de distribuidoras e promotores da banda no Myspace e outros site). Talvez seja idéia do próprio Alex, não sabemos. Em todo caso trata se de um som bem acima da média do que há por ai hoje em dia. É um álbum para ser adquirido sem medo nenhum por todos os amantes de hard rock mais clássico, mais tradicional, mais básico porém dotado de muita emoção, energia e logo se percebe o prazer dos músicos envolvidos onde cada faixa é tocada com bastante feeling vindo do fundo da alma.

(Fred Mika)

KEMET - THE RULES OF EQUILIBRIUM - Thundering Records - Importado - Nota: 6,5
Kemet

No mundo da música – assim como no Metal – algumas bandas mantém intacto seu estilo musical, enquanto outras mudam sensivelmente ou até mesmo radicalmente seu estilo do dia para a noite.

Algumas vezes tais mudanças podem vir para o bem, outras vezes pode ser um grande erro. No caso do Kemet eles optaram pela segunda opção, e o resultado – sobretudo do ponto de vista de quem conhecia os trabalhos anteriores da banda – foi bastante negativo ou desaprovável pela maioria.

O grupo que fazia um Gothic Metal com toques atmosféricos e melancólicos (bem na linha da banda Katatonia), passou a ter uma orientação mais eletrônica e pop para seu Gothic Metal, o que acabou por desagradar os fãs mais assíduos. Algumas faixas chegam a manter ou lembrar ainda o estilo anterior do Kemet, no entanto outras faixas aderem de vez ao eletrônico e/ou ao pop, o que acaba por sepultar definitivamente as origens musicais da banda.

(Eduardo Garcia Carvalho)

KOPECKY - BLOOD - Unicorn Digital - Importado - Nota: 4,0
Kopecky

Grupo formado pelos irmãos Kopecky, o guitarrista Joe, o baixista e tecladista William e o baterista Paul, rock em família. Eu às vezes me sinto um total ignorante neste meio chamado rock progressivo. Não consigo compreender certos grupos. O Kopecky com certeza é um deles.

Ouvi o disco algumas vezes para tentar me acostumar com a sonoridade, mas não consegui digerir. O álbum soa estranho, um tipo de metal industrial progressivo, sem muita compreensão. Não beira ao psicodélico, nem space rock, sei lá o que estes caras pretendiam. Já começa que o álbum é instrumental o que exige criatividade.

Parece que os caras estavam doidões quando criaram e gravaram o CD, bem pra baixo, sem muita coisa pra chamar a atenção. O batera parece que toca sem vontade nenhuma, não tem uma virada na batera ou nem alguma batida diferente tipo jazz, por exemplo. O guitarrista não chega nem aos pés de muitos músicos. Um desânimo... será que era essa a intenção?!

Já estou escrevendo demais... resumindo... não perca tempo.

(Bob Riot)

KOTIPELTO - SERENITY - Hellion Rec - Nacional - Nota: 7,5
Kotipelto

Chega ao mercado “Serenity” novo álbum do Kotipelto, que vem assessorado por Lauri Porra (baixo), Janne Wirman (teclados), Tuomas Wäinöla (guitarra) e Mirka Rantanen (bateria).

É sempre bom ouvir um trabalho bem feito como esse do Kotipelto. Para quem gosta de metal melódico é uma boa pedida.

O álbum abre com “Once Upon a Time” rápida, com solos virtuosos e vocal melódico no estilo que consagrou Kotipelto no Stratovarius. Em seguida vem “Sleep Well” que tem uma levada mais animada digamos assim, com um refrão bem marcante e de fácil assimilação”. É o primeiro hit do CD.

A terceira faixa é “Serenity” que dá nome ao disco. Tem uma introdução com um riff de guitarra bem legal, vocais de apoio que valorizam a voz de Kotipelto. Adota a linha do metal melódico e também tem um refrão de fácil assimilação. A quarta música é “City of Misteries” tem o vocal bem colocado de Kotipelto com um riff entrosado da cozinha (baixo e bateria) fazendo a marcação. Depois vem “King Anti-Midas” que adota uma linha vocal mais aguda.

A sexta faixa é “Angels Will Cry”, mas um metal mais rápido com toques épicos. A sétima é a bela “After the Rain”, uma balada com solos de guitarra virtuosos e, é claro, a voz impecável de Kotipelto muito bem colocada. Em seguida vem “Mr. Know-It-All” com mais peso e rapidez, contrastando com a faixa anterior. A nona faixa é “Dreams and Reality” um melódico bem elaborado. Para encerrar o álbum “Last Defender” uma outra balada que é acústica até a metade e depois troca os violões pela guitarra elétrica. Ainda tem uma faixa bônus com o vídeo clipe de “Sleep Well”. Não é um grande destaque, mas é um trabalho simples honesto que mostra as principais características que desenvolveram a carreira deste excelente frontman.

(Adriano Gandolfi)

KRACKERJACK - Rock On! - AOR Heaven Records - Importado - Nota: 9,0
Krackerjack

Rock n´roll do puro, legítimo (com certa influência, ainda que pouco, do hard rock AOR), esta é a melhor definição para a banda Krackerjack. O grupo vem da Dinamarca e isso a torna um fato interessante pois é lá é a terra do heavy metal mais pesado, de bandas como Mercyful Fate, entre outras do gênero.

O line up do Krackerjack é formado por Allan G. Pedersen (vocais), René Mikkelsen (guitarras e vocais de apoio), Rasmus Bruun (baixo), Claus Greve (órgão e vocais de apoio) e Jeppe Christensen (bateria) e estão na ativa desde o final dos anos noventa apesar de que o álbum de estréia só veio em 2005.

Depois disso, ainda gravaram um segundo álbum em 2006 intitulado Call Of The Wild – The Early Years que incluía gravações de 1999 que foi feita ainda pela formação original do Krackerjack e várias músicas dquela época ainda estão no repertório para os shows ao vivo até hoje.

Por fim veio o terceiro álbum da banda lançado em dezembro de 2007, Rock On!. Esse disco contém dez faixas (“Love ´Em To Death”, “This Heart”, “Rock On!”, “Blame It On The Little Big Man”, “Lonely”, “Back Together Waiting For Tomorrow”, “Hungry Boy”, “Lullaby” e “Too Late”), um rock n´roll bastante básico e sólido, a velha escola de hard rock. Podemos dizer que o Krackerjack se viu influenciado por bandas como Deep Purple, AC/DC, Pretty Maids, Whitesnake, Uriah Heep e Van Halen. Quanto ao Deep Purple, Whitesnake e Uriah Heep pelas melodias dos vocais e nas interposições de teclados nas passagens (principalmente nas faixas mais lentas), quanto ao AC/DC quanto ao rock n´roll direto com cozinha (baixo/bateria) básica e competente. E em relação ao Van Halen quanto a sua irreverência de início de carreira (fase David Lee Roth).

A banda fez questão de mandar ver na produção, tudo está muito bem mixado e masterizado, sons límpidos e bem definidos e conseguiram assim também manter o feeling musical do grupo. O encarte também é digno de nota com toda a ficha técnica, letras de músicas e várias fotos do grupo sem falar no artwork perfeito, tudo bem feito e bem explicativo que dá um clima bem vintage ao grupo.

E por falar em arte gráfica, a capa é mestre em ironia, pois mostra um senhor de uns setenta anos no melhor estilo rocker empunhado uma guitarra Les Paul e vestindo roupas de couro.

Os refrões são interessantes, cheios de feeling e fazendo uso de muitos backing vocais e outro fato interessante para a banda é que as músicas são bem variadas, há baladas para todos os gostos com vocais esbanjando melodia, solos bem definidos e melódicos, instrumental muito bem caracterizado e definido.

É o tipo de banda que deve agradar a pessoas adeptas de vários gêneros musicais que não seja radical porque essa banda é bastante dinâmica, com uma sonoridade bem competente e como disse, bem variada não se limitando a meros clichês.

É o tipo de som que qualquer um pode ouvir sem reservas, vale a pena.

(Fred Mika)

KROKUS - HELLRAISER - AFM Rec - Importado - Nota: 8,5
Krokus

O Krokus é uma das mais influentes bandas do Hard rock Europeu. Apesar de serem de um país com pouca tradição, O quinteto, foi muito conhecido nos anos 80 por seu hard rock direto e crú, com fortes influências do AC/DC. Após uma breve pausa no final dos anos 90, a banda voltou com tudo, lançando o CD ao vivo “Fire & Gasoline” e agora o novo “Hellraiser”, com uma pegada heavy muito forte, mas sem deixar de lado o hard classico. Este é o 15º trabalho da banda, que se por um lado é considerada um tanto quanto irregular, por outro mostra uma banda que liberou alguns registros considerados clássicos.

Dos tempos áureos só sobrou o carismático vocalista Marc Storace, sendo uma pena que Fernando Von Arb, guitarrista e praticamente o mentor da banda, novamente deixa o Krokus por motivos de saúde. Seu substituto é Mandy Meyer, que também passou pelo Gotthard, e outro músico conhecido no cenário é o baterista Stefan Schwarzmann, que já passou pelo Accept, U.D.O., Helloween, e agora também dá as caras no Krokus.

E o que escutamos em “Hellraiser” é o autêntico Krokus. Bom, quase autêntico, pois, mesmo neste longo caminho que a banda percorreu tocando praticamente o mesmo estilo, sua música sempre foi comparada com a do AC/DC.

Este é um disco mostra um Storace surpreendendo com sua voz tendo diversas nuances, demonstrando uma versatilidade invejável, mas mostra também o poder das canções, que são mérito de Mandy, que com muito bom-gosto dá o tom a todo o álbum, em bons riffs e solos matadores.

O repertório está bem montado e equilibrado entre bons hard rocks e baladas, e alguns rocks básicos. “Hellraiser”, com os já conhecidos riffs à la AC/DC e Storace cantando entre o agressivo e o mais melódico abre o cd de forma matadora, é um clássico a primeira vista. Too Wired To Sleep tem um pique muito legal, com um ótimo trabalho de guitarras, as melodias de “Angel Of My Dreams” mostram uma grande performance da dupla de guitarristas que criam um riff fantástico e um refrão impressionante, tornando-a um dos grandes destaques, na minha opinião o maior destque. Há vários outros bons momentos, confesso que não esperava um Krokus tão contundente, em alguns momentos até veloz quanto na pesadona “Spirit Of The Night”, realmente uma gratíssima surpresa.

E posso dizer que fica muito claro que o Krokus aqui não é em hipótese alguma um subproduto do AC/DC. Vale a pena ser conferido pelos amantes de Hard Rock e Metal em geral.

(Adriano Gandolfi)

KANSAS - WORKS IN PROGRESS - Intersound Records - Importado - Nota: 8,0
Kansas

Este Lançamento trata-se na verdade de mais uma coletânea do grupo disponibilizada em versão dupla, onde encontramos material gravado entre 1992 e 2002, sendo um CD e um DVD. No CD encontramos algumas faixas gravadas ao vivo (Live At The Whiskey - 1992), tais como “Portrait Che Knews” e “Down The Road”, e outras gravações de estúdio retiradas dos álbuns “Freaks Of Nature” (1995), como por exemplo “Black Fathom 4” e “I Can Fly”, e do magistral CD “Always Never The Same” (1998), tais como “The Wall”, “Hold On” e “Dust In The Wind”.

No DVD encontramos faixas da já citada apresentação do grupo no “Live At The Whiskey” (1992) - a qual já havia sido disponibilizada anteriormente em versão VHS e CD em 1992 -, algumas músicas retiradas da apresentação do DVD “Device Voice Drum” (2002) e o áudio em versão 5.1 Surround Sound das faixas “Hold On” e “Dust In The Wind” (retiradas do CD “Always Never The Same”). Uma boa coletânea, mas que peca por conter material que certamente 99% dos fãs da banda já possuem.

(Eduardo Garcia Carvalho)

KRONICLES - THE SONGMAKER - Independente - Importado - Nota: 7,5
Kronicles

Banda cristã de New Jersey, EUA. Este disco foi lançado em 2005 e não consegui muitas informações sobre o grupo na Internet já que o CD não veio com release.

Bom, falando em Kronicles estamos falando do que alguns chamam de New Metal, vocal esganiçado em algumas partes das músicas, misturado com vocalizações mais harmônicas, e, para variar, sem solos de guitarra.

Bato na mesma tecla quanto aos solos porque considero o rock como sinônimo de guitarra e vice-versa, os dois são quase que irmãos univitelinos, gêmeos idênticos com a mesma carga genética.

Felizmente “The Songmaker” não traz aquelas influências hip hop de Linkin Park e Limp Biskit (que por sinal já saíram da mídia pelo que tenho visto), algumas vezes sente-se um hard rock por trás dos refrãos.

Um disco que não chega a comprometer e poderia conseguir até certa aceitação no meio mas como se trata de produção independente, cristã, pode esquecer que os produtores de dinheiro (por que não existem produtores musicais por trás dos grandes nomes da música).

A banda formada por Danny (vocais), Johnny (guitarra), Lionel (bateria) e Steven (baixo) não desaponta, mas com certeza vai passar desapercebida no meio da massa capitalista mundial. Destaque para as músicas “Reason”, “Try” e “Circle”.

(Bob Riot)

STRYKE - Virtual Metal Maganize & Promotion

© 2010 by Bob Riot