QUEEN + PAUL RODGERS - THE COSMOS ROCK - EMI Records - Nacional - Nota: 8,5

O problema é que por mais que a banda encontre um substituto a altura, no caso aqui o excelente vocalista Paul Rodgers (ex-Bad Company) substitui o insubstituível Freddie Mercury, a mesma sempre vai sofrer da síndrome da formação clássica.

Foi assim com Dio quando substituiu Ozzy Osbourne no Black Sabbath e David Coverdale quando substituiu Ian Gillan no Deep Purple. Apesar de esses substitutos citados serem excelentes vocalistas (eu até prefiro bem mais Dio que Ozzy) assim como Paul Rodgers, eles sempre estarão na sombra da formação clássica, porque? Porque simplesmente a banda fez sucesso com a dita formação clássica.

E na volta do Queen agora (depois de mais de dezesseis anos de inatividade) a coisa se repete. O vocal é a cara da banda e com Paul Rodgers não ficou parecendo Queen.

Os músicos são inquestionáveis, Brian May continua a ser um exímio guitarrista e compositor, criativo ao extremo, digno a entrar para sempre no Hall Of Fame dos melhores guitarristas de todos os tempos e sempre bem acompanhado da cozinha competente e igualmente criativa de Roger Taylor e John Deacon (mas no caso desse play aqui temos somente Roger Taylor).

Vamos tentar esquecermos os saudosismos e comparações e vamos ao álbum: A primeira faixa se chama “Cosmos Rockin´” (será se Brian May lembrou de seu antigo projeto solo, Star Fleet Projetc?) mas, ao contrário do que se possa parecer, não é uma das inspirações cósmicas do astrofísico May (sim, Brian May é PhD em astrofísica) e sim um rock n´roll básico de letra banal sobre os agitos de sábado a noite.

É um álbum de muitas baladas como “Time To Shine”, “Small”, “We Believe”, “Voodoo”, “Some Things That Glitter”, “Through The Night” e “Say It´s Not True”; todas, sem exceção, são excelentes baladas, mas nada aqui lembra o Queen antigo (olha eu voltando as comparações!) e sim mostram as raízes bluesy de Rodgers.

Há também hard rocks poderosos com riffs marcantes (esses sim são a cara do Queen) como os arrastados “Still Burnin´”, “Warboys” e “C-Lebrity”.

“Call Me” é um faixa interessante, animada e digna de entrar no dial das melhores FMs do mundo todo.

“Surf´s Up… School´s Out!” é um rock n´roll para adolescentes, diversão total, e, por fim o álbum termina numa instrumental, “Small Reprise”, bem inspirada e bem elaborada.

Vale destacar vários pontos, um deles certamente são os vários e excelentes backing vocais bem colocados e muito bem estruturados ao longo de todo o disco. Outros pontos de destaque ficam por conta do inspirado e criativo Brian May além do timbre agradável do igualmente criativo Paul Rodgers (outro digno a figurar entre os melhores vocalistas de todos os tempos).

A produção também merece destaque, é realmente um álbum acima da média em todos os sentidos, mas soa muito pouco como Queen.

Se você é fã do Queen não vá pensando que este é algo como a volta dessa grande banda inglesa e evite comparações de antes e depois de Freddie Mercury (apesar de que no encarte consta que esse é um álbum dedicado à Mercury); vá apenas pensando que é um bom álbum de rock n´roll com grandes estrelas e boas músicas e daí você não vai se arrepender.

(Fred Mika)

QUEENSRŸCHE - OPERATION MINDCRIME II - Rhino / Warner Music - Nacional - Nota: 8,5

A verdade é que as famosas continuações - como convencionou-se chamar quando uma banda tenta lançar o mesmo álbum, mas com nome diferente ou similar, na tentativa de reconquistar mercado ou fãs de uma determinada época de sua carreira - estão se tornando cada vez mais comuns e previsíveis (assim como a avalanche de bandas retornando com suas formações originais). Desta forma não esperava-se nada de muito diferente da parte do Queensrÿche quando anunciou o vindouro lançamento da continuação do hiper-mega-ultra-clássico Operation: Mindcrime.

Ledo engano! Indiferente do que cada um vá achar do CD e do direcionamento e resultado de suas músicas, uma coisa é certa: ele em nada (ou quase nada) lembra sua primeira parte. A banda teve - e neste sentido a atitude é salutável - a nítida intenção de dar continuidade à história e não ao disco propriamente dito, sobretudo no que diz respeito a sonoridade do mesmo, não fazendo portanto uma cópia de seu homônimo antecessor. O CD tem início, após duas curtas músicas introdutórias, com a pesada, crua e direta I’m American, mostrando que o grupo não está para brincadeira. Em seguida vem One Foot In Hell, com sua pegada e cadência bastante Hard.

Hostage traz a tona um lado quase experimental, com ritmo bastante particular e que - após algumas audições - mostra ser uma faixa muito interessante. The Hands é certamente uma das melhores do disco, com características musicais que remetem aos bons e áureos tempos do quinteto. Ainda valem ser destacadas - entre outras bastante niveladas - as faixas Speed Of Light, a ótima The Chase (com bons arranjos orquestrais e a participação do mestre Dio nos vocais, como Dr. X), Murderer? (outra pesada), If I Could Change It All e All The Promises (música que encerra o trabalho com a participação de Pamela Moore nos vocais). Definitivamente um disco longe de ser comparado com sua primeira e intransponível parte, mas indiscutivelmente também o melhor lançamento do Queensrÿche em muitos anos.

(Eduardo Garcia Carvalho)

QUEENSRYCHE - SING OF TIMES (The Best Of) - EMI/Capitol - Importado - Nota: 8,5

Os anos 80 certamente contaram com a aparição de uma banda que, a seu modo, revolucionou a forma de se fazer Metal, abrindo um enorme precedente para que este estilo fosse feito de forma mais técnica e ambiciosa em termos de composições e letras, e principalmente que o caminho dos trabalhos conceituais também chegassem de forma sólida ao estilo.

Essa banda foi o Queensriche. Desta forma esta coletânea é perfeita no que diz respeito ao resgate da carreira do grupo e todas as evoluções e mutações pela qual eles passaram no decorrer dos anos de sua carreira. Portanto temos - de forma totalmente remasterizada - desde os primórdios com “Queen Of The Reich”, “Warning”, “Walk In The Shadows”, Take Hold The Flame” e “The Lady Wore Black”; passando pelo clássico álbum Operation: Mindcrime, representado pelas ótimas “I Don’t Believe In Love” e “Eyes Of Strange”; e outros ótimos momentos como “Silent Lucidity”, “Jet City Women”, “Bridge”e “I Am I”; entre outras. Enfim um bom apanhado da carreira da banda. Mas o que realmente chama a atenção é o segundo CD, contendo versões demos de diversas faixas, versões acústicas (como a música “Della Brown” - MTV Unplugged), uma faixa gravada ao vivo (“Silent Lucidity”), remixagens, músicas bônus tiradas de relançamentos, a faixa inédita “Justified”, entre outros atrativos.

Um lançamento obrigatório de uma banda obrigatória.

(Eduardo Garcia Carvalho)

QWAARN - ABERRATION - Unicorn Digital Records - Importado - Nota: 8,5

Eis mais uma banda distribuída pelo selo canadense Unicorn Digital, especializada em rock progressivo e todos muito bem produzidos. Qwaarn surgiu no inicio de 2004 formado pelo baterista François Bernatchez que tinha como propósito colocar uma idéia épica no rock progressivo, uma viagem interplanetária que o personagem principal é o que da titulo a banda.

Na verdade essa banda é quase um projeto interessante, onde os músicos aparecem apenas onde suas partes são necessárias. Muitos deles estão envolvidos em outros projetos solos ou com outros grupos o que indiretamente acaba por enriquecer a musicalidade da banda, um trunfo por se tratar de rock progressivo.

Nota se influências das mais variadas possíveis no som do Qwaarn, indo desde os progressivos do Genesis, Nektar, Pink Floyd, até coisas mais pop como Tears For Fears e David Bowie.

O vocalista Didier Berthuit possui um timbre original, algo como uma mistura de Bono (U2) com o guitarrista e vocalista alemão Uli Roth.

As melodias da dupla de guitarristas, Martim Bleu e Antoine Bernatchez, são extremamente psicodélicas, melancólicas e alegres numa mesma composição, dramáticas ao extremo, composições bem esquizofrênicas no sentido de ter tudo numa faixa só. O tecladista, Mathieu Chamberland, é bastante exigido porem o cara é extremamente criativo, assim como François Bernatchez (bateria) e Guy Brindamour (baixo).

Aqui uma coisa que não e encontra é clichê ou formula pra criar algo, todas as passagens são imprevistas, quando o ouvinte ache que vem o refrão, ele simplesmente não existe e daí cai em interludes intermináveis e desses volta pras vocalizações ou vão para algum solo e ás vezes a musica simplesmente termina. É um álbum inteiramente inusitado, muito rico em detalhes e variações. Quando o ouvinte o escuta a primeira vez julga estar diante de algo sem pe nem cabeça.

O álbum já começa numa viagem, no rock progressivo da faixa “Privilege”, algo na linha do Nektar, ou seja, um rock progressivo com certa influência do rock n´roll e refrões ou linhas vocais bastante dramáticas. A segunda musica, “Meeting Kim” segue a mesma idéia.

A faixa seguinte, “Dream In Am”, é bastante intrigante, bem atmosférica, com flautas medievais e logo cai numa construção melódica andina para depois voltar num ritmo lento, balada, muito louca.

Logo após tem inicio “Mr. Lotto” com introdução de melodias orientais e até uso de gongo, para depois cair num pop rock trabalhado apoiado sobre um dedilhado bem construído.

“Did You say Salmon?” é a próxima, nota se que até o titulo é psicodélico, após uma introdução bem viagem segue algo como diálogo, para depois entrar em solos de teclados, lembra dos timbres setentistas dos mini-Moogs? Para daí a musica parar de repente, ficando só os vocais e depois voltando para som na linha do pop psicodélico como em Sargeant Peppers dos Beatles.

E nessa mistura sonora toda temos ainda mais cinco faixas: “The High Muckity-Mucks”, “Talking To Flowers”, “I Will Be Fine”, “Fore” e por fim, a faixa-titulo “Aberrations”.

Enfim, trata se de algo muito inusitado, é um rock progressivo bem difícil de ser assimilado, tem de ouvir varias vezes, não é algo muito técnico porem não segue convenção nenhuma. Se você gosta de algo totalmente diferente, tente escutar esse álbum.

(Fred Mika)

QUIET RIOT - REHAB - Chavis Rec - Importado - Nota:8,5

Novo trabalho da trupe do incansável Kevin Dubrow, banda esta que já rendeu excelentes talentos para o metal como o saudoso Randy Rhoads, Carlos Cavazo, o impecável Rudy Sarzo e o grande Frankie Bannali.

Este material contem 12 faixas, todas muito bacanas e interessantes, é claro que há momentos de destaque como as duas primeiras faixas Free e Blind Faith, que são dois rocks com uma forte levada Hard Rock e toque de Blues.

Alias o Blues é uma forte influencia da banda e toda hora temos algum tema que remete ao estilo.

Outro grande destaque do cd é Old Habits Die Hard, que mostra uma cara bem Blues da banda, que é uma lenda injustiçada do metal e nesta faixa temos um refrão bastante marcante, outra que possui um forte refrão é It Sucks To Be You, que além de tudo conta com um trabalho fantástico de bateria de Frankie Bannali, que chega a lembrar muito dos momentos que passou com o W.A.S.P., realmente este é um som muito legal, com uma cara bastante moderna. E por falar em WASP, em alguns momentos percebemos que Kevin soa como Blackie, será alguma solicitação de Frankie ou apenas coincidência?

Para fechar a minha resenha não poderia deixar de falar de Evil Woman, 11ª faixa e que segue bem a linha do Blues e tem a participação mais do que especial de Glenn Hughes que destrói, como não poderia deixar de ser, excelente faixa que deixa uma vontade de quero mais.

Ótima volta que merece ser prestigiada.

(Adriano Gandolfi)

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