NATHANIA - THE WEIGHT OF OBLIGATION - Metal Farm Records - Importado - Nota: 9,0

Esta nossa jornada de “trabalho voluntário” junto ao heavy metal, nos propicia contatos com várias bandas nacionais e internacionais, levantando a bandeira do heavy metal o mais alto possível, para que possa ver vista. Em algumas ocasiões nos surpreendemos por encontrar bandas em países quase que desconhecidos, e este é o caso do Nathania, banda de Power Metal da Tailândia, isto mesmo, Tailândia.

Vocês não sabem onde fica?! é fácil, é vizinha do sul de Burma e Laos. Não sabe onde fica Burma e Laos?! Tá bom... faz divisa com o norte do Cambodia. Ainda não se localizou?! Vou facilitar fica ali no final do sul da China num cantinho. Vamos deixar a geografia de lado.

O negócio é que os caras são bons mesmo, metal de qualidade, influenciado pelo metal progressivo e melódico, seu vocalista é o sueco Daniel Sandberg, que varia seu estilo de cantar, ora agressivo lembrando Hetfield ou suave, desmontrando tudo isto na música “The Paradox of Life”, uma bônus do disco.

A banda também ataca de progressivo puro como em “Interlude”, lembrando King Crimson, ou em “Immorality”, no estilão Euroforce, ou na porrada “The Weight Of Obligation”, mais na praia do Thrash Metal.

Para quem conseguir comprar é uma boa pedida de disco bem variado musicalmente, com bons instrumentistas e boas composições, mostrando que o Heavy Metal não tem fronteiras.

(Bob Riot)

VOUGAN – MIND EXCEEDING – Independente – Nacional – Nota: 10,0

Para quem leu a resenha do EP Silent Souls, não vai ser tanta surpresa agora. Mind Exceeding é o disco de estréia da banda brasiliense, Vougan, e confirma o que já foi antevisto nestas páginas.

Power Metal de primeira linha, músicas pesadas e de técnica apurada, vocalista de primeira grandeza, tudo que uma grande banda necessita. Falando um pouco das músicas:

“On The Road”, obra prima do metal nacional, uma das melhores interpretações que tive o prazer de ouvir até a presente data, só com esta música já coloca Carlos Zema como um dos melhores vocalistas do metal nacional e quiçá, parelho a grandes nomes internacionais, simplesmente indescritível.

“Endless Nightmare”, como em todo o disco, Zema arrebenta, com variações de timbre impressionantes, base pesada, clima com excelente arranjo de teclado. “Ghosts”, outra música sem comentários, com certeza também vai virar clássico do grupo, assim como L.O.S.T. gravada no EP.

A instrumental “Mind Exceeding, Part I, II, III e IV” completam as músicas inéditas, junto com a pauleiraça “Behind The Lies”, a instrumental intro “Inner Ghost” e “Silent Souls”, já lançadas no EP. Um baita disco que merece estar na coleção de qualquer admirador do metal pesado.

(Bob Riot)

VOLTAX – VOLTAX – Blower Records – Importado – Nota: 7,5

Primeiro disco desta banda mexicana, formada em 2006, com Jerry (vocal), Diego (guitarra), Matt (guitarra), Ganso (baixo) e Mario "Boludo" (bateria).

Grupo de influências do metal oitentista, principalmente das bandas americanas, misturando algumas sonoridades européias da época, com vocal em muitas vezes, parecendo com Thorsten Bergmann do Living Death, pelo seu timbre e jeito de cantar.

Destaques para “Strong Like The Fire”, mais cadenciada, parecendo Krokus, com certeza um dos hits do grupo, as porradas “All The Metalheads”, “Steelmaker”, e as únicas gravadas em sua língua nativa, “Mataviejitas” e “Amo de las callejeras”.

Infelizmente a gravação do disco não é das melhores, mas o grupo tem potencial para chegar mais longe.

(Bob Riot)

THE VENGEFUL FEW - THE VENGEFUL FEW – Independente – Importado – Nota: 7,0

Primeiro disco desta banda de heavy metal tradicional americana, influenciada por bandas como Iron Maiden e Judas Priest, composta por: Tom Catuosco (guitarra), John Zambri (guitarra), Keith Vitali (vocal), Gary Rinaldi (bateria) e Jim Gowe (baixo).

Banda de som simples, sem chamar muito a atenção, mas apesar disto não é totalmente jogado de lado, apesar do vocalista, tentar uns trejeitos de Halford e não ter a mesma potência e talento do velhinho, não canta mal. “New Granada”, “The Breakdown” e “Madhouse” são as faixas de destaque e podem ser ouvidas na página do grupo no MySpace. Metal discreto porém eficiente ao mesmo tempo.

(Bob Riot)

VILIPÊNDIO – UM SEGUNDO DE GLÓRIA – Covil Records – Nacional – Nota: 8,0

Segundo trabalho desta banda de metalcore carioca, com Marcio Bukowski (baixo), Thiago Sobral (guitarra), Alex Fersan (bateria) e Ricardo Caulfield (vocal).

Vilipêndio, é o ato criminal de vilipendiar, ou seja, aviltar, profanar, desrespeitar, ultrajar o cadáver ou, ter atitude idêntica em relação a suas cinzas no caso de incineração ou combustão. Isto deixa claro que o grupo trás como diretriz, em seu som e letras, um status de um verdadeiro atentado ao bom-mocinho e às boas maneiras.

O grupo segue a linha, já direcionada, em seu primeiro álbum, 15 Abismos, de 2001, letras em português, com temas apocalípticos, sarcásticos e urbanos, instrumental misturando tendências punk, metal, hardcore.

Amostras claras do som podem ser ouvidas na politizada “Excluídos”, na estrofe hardcore e refrão punk de “Anestesiados”, na hardcore de protesto metafísico “Shangri-lá”, “A saga de um hospital público” ou na metalcore “Fantoches da mídia”.

Prato cheio para os que gostam do estilo, agressividade no som e nas letras, para quem gosta de ouvir verdades e histórias no bom português.

(Bob Riot)

VIPER – ALL MY LIFE – Die Hard - Nacional - Nota: 9,5

O Viper é um dos pioneiros do heavy nacional, desde 1985 na estrada e pelo qual já passaram conhecidos nomes da música como André Matos (Shaman, Angra) e Yves Passarell (Capital Inicial). O grupo já trilhou vários caminhos sonoros, do heavy tradicional, passando pelo melódico, punk e a gravação de um disco com músicas em português. Fugir da mesmice e diversificar os horizontes parece que faz parte da rotina do grupo.

Após 11 anos ausentes dos discos, o grupo retorna com suas origens metálicas, lembrando o tempo do “Soldiers Of Sunrise” e “Theater Of Fate”. A formação conta com a estréia de Ricardo Bocci (vocal) e Val Santos (guitarra), além do retorno de Renato Graccia (bateria) ao grupo, fechando a formação com os membros originais, Pit Passarell (baixo) e Felipe Machado (guitarra).

O álbum trás 12 faixas indo do hard/heavy tradicional ao melódico, bem diversificado em suas composições. O disco abre com a faixa título “All My Life”, “Dreamer”, “Soldier Boy” e “Miracle”, com sonoridade influenciada por Iron Maiden, “Come On Come On” é outra música com virada de batera muito legal, com Bocci, na parte lenta da música, lembrando Glenn Hughes. Participações especiais de André Matos em “Love Is All” e Yves Passarell na balada “Violet”, “Miles Away” base bem legal e bom trabalho nos vocais.

“Cross The Line”, na minha opinião, é a melhor faixa do disco, uma música cativante, bases pesadas e refrão marcante, “Not That Easy” é outra que se destaca no meio deste bom disco, arranjo muito bem feito tanto no instrumental quanto na parte lírica da música.

Comentando uma parte da letra de “Not That Easy”... nem todos sabem que não é fácil, só para quem está na estrada há tantos anos sabe que ser um sonhador não basta somente, tem que concretizar. O Viper está aí para mostrar isto.

(Bob Riot)

VOICES OF ROCK – MMVII – AOR Heaven Records – Importado – Nota: 10,0

Voice Of Rock não é uma banda e sim um projeto que conta com vários, e excelentes vocalistas diga se de passagem, da cena hard rock, heavy rock e AOR rock mundial; um projeto idealizado por Chris Lausmann (que também toca guitarras rítmicas, baixo e teclados no projeto) e Michael Voss (guitarras solos e violões).

Completam ainda o excelente time de músicos Bertram Engel (bateria), Angel G. Scheifer e Tommy Denander (ambos guitarristas solo). Merece destaque a produção do álbum com uma beleza plástica impressionante onde há todos os detalhes necessários para um bom encarte (fotografias trabalhadas, ficha técnica, letras das músicas, etc) além de depoimentos e agradecimentos de todos os envolvidos no projeto. A produção do áudio não fica atrás, muito boa também.

Mas, como denuncia o título, o destaque maior mesmo do projeto fica por conta dos vocalistas e temos aqui uma constelação realmente significante digno de ser revisionado faixa por faixa.

O álbum abre com a música “Voodoo Woman” interpretado por James Christian (vocalista da banda de hard rock House Of Lords), um hard rock estradeiro, para ser ouvido numa auto-estrada. James Christian possui um timbre médio e médio-grave bastante encorpado sem abusar muito dos drives. Seguindo a mesma fórmula de hard-AOR, temos a próxima faixa, “Wild Thing”, dessa vez interpretada por Jean Beauvoir do grupo Crown Of Thorns, um vocalista com voz um pouco mais aguda na linha do Kip Winger.

A seguinte é “Nightingale” cantada por Terry Brock (da banda Strangeways) e já um hard rock mais arrastado e um pouco mais dramático com vários vocais de apoio. Dan Reed (Dan Reed Network) continua na seqüência cantando “Over And Done”, com direito a introdução de teclado e logo partindo para um hard AOR um pouco mais calmo que os anteriores na linha do Foreigner, música de FM e bem ao estilo das antigas propagandas dos cigarros Hollywood mas nem porisso de qualidade abaixo e isso, é uma característica desse álbum, não há nenhuma música que você pode dizer que está razoável, salvam se todas infalivelmente.

A próxima faixa (“Phoenix Rising”) conta com a interpretação magistral de Jhonny Gioeli (da banda de hard rock Hardline e da banda heavy power do guitarrista alemão Axel Rudi Pell). A faixa começa um pouco diferente das demais com uma introdução que faz os ouvintes erroneamente crer que se trata de um pop rock, mas logo a composição ganha peso e o timbre médio e com um drive bem trabalhado do excelente Gioeli.

“Irresistible” é a faixa seguinte cantada pelo vocalista Harry Mess (do grupo norte americano de hard glam Harem Scarem). Trata se de um hard rock mais arrastado, com bastante teclados, algo na linha de “Livin On A Prayer” (Bon Jovi). Continuando temos “China In Your Hands” com Goram Edman (vocalista de Yngwie Malmsteen), uma composição bem na linha de “The Boys Are Backing In Town” (Thin Lizzy), algo bem festivo.

“Underloved” é a próxima e aqui temos a única música cantada por uma vocalista, Robin Beck (que também faz parte do Strangeways), já é uma música mais influenciada pelo country, mas sem perder o peso. Beck tem um vocal interessante, uma voz rouca na linha de Kim Carnes, boa tacada da produção em chamá-la. Steve Overland é o vocalista para a próxima, “Slip Away”, e temos aqui algo na linha da banda oitentista White Lion e seu vocalista Mike Tramp.

Por fim, fecha o play um de meus preferidos por aqui, Gary Barden, que foi vocalista do Michael Schenker Group (ou MSG) nos anos oitenta e depois fundou sua banda, Statetrooper. A musica se chama “Love Is Blind” (não, não é a balada do David Coverdale) e sim um hard rock cadenciado dos mais interessantes com um refrão forte e bonito trabalho instrumental.

Eis aqui um álbum que não há nenhum ponto que alguém possa dizer que seja pelo menos razoável, temos composições interessantíssimas (absolutamente todas com muito feeling), excelentes músicos técnicos e criativos, excelente encarte e mixagem, uma overdose de bom gosto, competência e diversidade.

Compre, se você o encontrar, nem que você encontre esse álbum com preços estratosféricos. Um dos álbuns que com certeza irá figurar entre os melhores lançamentos do ano.

(Fred Mika)

VALHALLA - DEMO SECTIONS VOL.II - Valhala Editora - Nacional - Nota:8,0

Dando continuidade a bem sucedida idéia da Revista Valhalla de compilar bandas do cenário nacional, levada a cabo no volume anterior, esta nova coletânea segue o mesmo direcionamento e ideal: dar uma change a bandas que, de alguma forma vêem chamando a atenção, de fazerem sua estréia com boa qualidade de gravação; e sobretudo de terem as mesmas condições técnicas (uma vez que todas as bandas gravaram no mesmo estúdio), deixando portanto o CD bastante nivelado.

A coletânea tem início com a banda feminina Trinity, fazendo um Gothic Metal bastante competente com elementos de Doom. Na sequência encontramos vários bons momentos: a banda mineira de Death/Black Metal Eternal Torture com ótimo instrumental e vocais; o Cabrero e seu eficiente Thrash Metal; a banda Nosferatu e seu Metal Tradicional com ótimas guitarras; o Death/Thrash Metal do Apocryph (com um vocal um pouco destoante); o Power Metal correto do Fright Night, etc. Enfim, uma iniciativa indiscutivelmente louvável da Valhalla!

(Eduardo Garcia Carvalho)

VÁRIOS – ROCK SOLDIERS VOL. XII – UGK Records - Nacional - Nota: 5,0

Mais uma coletânea de bandas selecionadas pela UGK sob a produção de Marivan Ugoski. Heróico trabalho desenvolvido para dar espaço a várias bandas de lugares e estilos diferentes, de norte a sul do país.

Alguns grupos que participam disco já passaram por nossas páginas, através de comentários de seus CDs demo, cujas músicas estão no álbum, vide Cruscifire (SP), Deluge Master (RN) e Serenity In Fire (MG), aka Espada Negra.

As bandas punk/hardcore, Através do Nada (SP) e D.W.E (RJ) contam com tem três faixas cada no CD, esta última tem uma nota importante no encarte dizendo: “cantado em línguas estranhas”. Com duas faixas cada, temos os grupos Pubianus (PR), Austhral (SC), Corréra (SP) e a banda thrash metal, Losna (RS), com as músicas “Subliming Of Hated” e “Venomous Rain”, que está lançando seu primeiro pela UGK, e é o destaque da coletânea com um bom trabalho.

Outras bandas que pareceram interessantes foram, Savras (SP) e Zideffekt (MG), heavy com influências oitentistas, pena que a gravação não ajudou. Participam também os grupos Okibish (MG), Sodamned (SC) e Necrowar (RJ). Reproduzindo a mensagem de Marivan que está no CD... “Uma coisa é certa: ninguém chuta cachorro morto. É bom saber que o Rock Soldiers está vivo a ponto de fazer com que certas pessoas considerem tanto a sua existência.”

Minha nota: “Tanto existe que está no volume XII”.

(Bob Riot)

VARIOUS – THE POLISHING OF METAL – Emperor Multimedia - Importado - Nota: 8,0

CD-ROM baseado em um arquivo do canadense Derek McDonald, oito anos atrás, que chegou a ser publicado nos EUA. Derek é um dos fundadores e presidente da Emperor . O projeto levou oito anos de amadurecimento e atualização até chegar ao estágio atual de CD duplo.

“The Polishing Of Metal” contêm 5 horas e meia de música, 1600 biografias, 900 resenhas de discos, 19 videos e milhares de fotos, todas acessadas no computador via uma página do Adobe Reader (PDF).

Muitas coisas interessantes podem ser lidas, entre elas, a história do heavy metal, desde sua pré-história até o novo milênio, navegando através de décadas e fatos marcantes da música. Uma curiosidade interessante, “Born To Be Wild” do Steppenwolf é considerada a primeira música heavy metal (não é a toa que ela é um clássico e já recebeu inúmeras versões).

Tópicos como “O que é Heavy Metal?”, “Por que eles nos odeiam?”, concertos, roupas, cultura e arte do Metal, mapas contendo os sub-gêneros do rock/heavy metal na visão de fãs e da indústria fonográfica, a última vez que vi um trabalho destes foi o mapa do Rock publicado na revista Somtrês há pelo menos uns 25 anos atrás.

Realmente um grande trabalho de pesquisa e dedicação ao estilo, algo para se ter em casa para pesquisa. Quanto à produção do software em si… creio que poderiam ter utilizado uma tecnologia mais interativa para o usuário, já que o CD não instala nada em seu micro, utilizando teoricamente, o que seria o básico, navegador de internet, Adobe Reader e um player digital, mas aí talvez a produção ($) tenha falado mais alto.

O segundo CD é um disco de áudio com boas bandas ainda desconhecidas como Penetrator (Penetrator), Seven 13 (Devour), Stroker (Mr. Poizon) e Skulgrinder (Ego Critical).

Encerrando com uma frase de Rob Halford que está no CD e que resume tudo: “Heavy Metal não é apenas uma fase passageira, ele é parte de sua vida para sempre”.

(Bob Riot)

VELVETCUT – THIRTEEN – Firebox - Importado - Nota: 7,5

Grupo originário da Finlândia que se propõe a fazer uma doce união de extremos, o bom e ruim da vida, o feio e o bonito, a sensatez e a insanidade, unindo o heavy rock americano com um tipo de desânimo que pode ser extraído de uma mente melancólica finlandesa.

O resultado dessa idéia acabou se tornando o primeiro álbum da banda, e, colocando em outras palavras, podemos dizer que o som se assemelha a um New Metal com pitadas de Gothic. Podemos ouvir algumas sonoridades pesadas e um pouco da essência rock’n’roll, mas com uma coisa que não me agrada e deixa a música quase que totalmente NU Metal, sem solo de guitarra.

Comparando-se com os Linkin Parks e Limp Biskits da vida, o grupo supera em muito os americanos já que não contêm os famigerados ingredientes hip-hop, mas podemos sentir certa comparação no tratamento da voz com alguns efeitos já utilizados pelos americanos.

O grupo formado por Tomi (vocais/guitarra), Topi (guitarra), Sami (baixo) e Andy (bateria) pode agradar quem é apreciador do estilo.

(Bob Riot)

VENI DOMINE - 23:59 - MCM Music - Importado. - Nota:7,0

Quinto álbum do quinteto sueco de doom metal cristão que tem em sua discografia alguns dos mais brilhantes trabalhos dentro do estilo, principalmente “Material Sanctuary” e “ que trazem magnânimas longas composições, pesadas e lentas como manda o figurino, recheadas de belos climas pontuados por “camas” de teclados que davam um tom épico e o maior diferencial na sonoridade do VD, as vocalizações de Fredrik Sjoholm na melhor escola Geoff Tate com todas suas nuances e beleza na interpretação.

Daqueles tempos áureos além do vocalista,estão também os irmãos Weinesjo, guitarrista Torbjorn e baterista Thomas ; completam a formação baixista Gabriel Ingemarson e tecladista Mats Lidbrandt, mas as mudanças não param por aí,pois musicalmente eles deram uma guinada violenta,quase derrapando na pista...

Não que o trabalho seja ruim,mas passaram à fazer um quase gothic rock metalizado, com pouquíssimos resquícios do passado; as vocalizações estão graves e profundas, ou leves(neste caso lembrando um pouco Roy Khan em seus tempos de Conception,sem as levadas Geoff Tatenianas; os teclados estão sombrios,e a bateria soa fria e eletrônica, quase mecânica; felizmente mantem-se firmes e fiéis aos temas líricos e ainda continuam sendo uma das boas bandas da cena cristã, mas agora soam como “milhares” de outras bandas deste sub estilo mais depressivo e sorumbático.

(Eduardo de Souza Bonadia)

VENI DOMINE - TONGUES - MCM Music - Importado - Nota: 8,5

Depois de exprimentar em uma nova direção, mais melancólica e depressiva no trabalho anterior(23:59 de 2006)que resultou numa mistura da sonoridade gótica com o doom metal e vocalizações, instrumental que lembraram um pouco o CONCEPTION na sua fase experimental e vocalizações mais operáticas e teatrais no estilo KAMELOT, lembrando bastante vocalista Roy Khan.

Neste mais recente trabalho, reduzidos a um trio (dos componentes fundadores) o excelente vocalista Fredrik Sjoholm e os irmãos Weinesjo, guitarrista/tecladista Torbjorn e baterista Thomas fazem uma volta às raízes com vários arranjos e andamentos que remetem aos primeiros e ótimos trabalhos da banda e adicionando ainda estes novos e diferentes elementos em termos de timbragens, afinações, com partes mais modernas que soaram positivamente interessantes; quatro foram os baixistas que gravaram com o trio básico e pela primeira vez o instrumento se faz presente com bons debulhos; álbum realmente variado que não deverá somente agradar ao público cristão (letras inteligentes e sérias, como sempre), mas também fãs de doom,progressivo(sem "masturbações" sonoras) epara aqueles que gostam de ótimos vocalistas.

Música é complexa e envolvente com a ótima interpretação de Fredrik, muito mais Roy Khan do que Geoff Tate como nos trabalhos anteriores, com um pouco de dramaticidade do grande Eric Clayton(SAVIOUR MACHINE,eles fazem falta!!).Sem mais delongas, um álbum de qualidades inquestionáveis.

(Eduardo de Souza Bonadia)

VERTICAL ALIGNMENT – SIGNPOSTS - ThunderSongs - Importado - Nota: 7,5

É inegável a influência dos grupos progressivos dos anos como Yes, Gênesis e ELP no trabalho do Vertical Alignment. Seu principal compositor, o vocalista, guitarrista, tecladista, flautista e baixista (ufa!), Pete Jorgensen, que também gravou, produziu o álbum e fez o logotipo da banda.

Pete é cristão e tem admiração por Kerry Livgren, que segundo ele, foi uma pessoa que abriu os seus olhos porque Livgren foi um dos primeiros cristãos a fazer rock progressivo. Junto com Pete no album estão: Jim Braunreuther (v/tc); Monty Pierce (gt/b); Mike Adams (bat) e Terri Jorgensen (b) que demonstram competência em seus instrumentos.

O disco como já comentei lembra muito os grupos citados sendo que a parte mais popular do Yes pode ser sentida com maior clareza. Um disco que qualquer pessoa pode gostar porque não chega a ser uma sinfonia do rock progressivo nem tão pouco um pop descartável.

Comentários de algumas músicas: “Signposts”, lembrando os bons tempos do progressivo do Gênesis, “Freedom’s Call”, dezesseis minutos do puro progressivo dos anos 70, “The Towers”, uma pitada de técnicas de mixagem experimentadas pelo Pink Floyd.

Um disco sem muitos gastos com a parte gráfica mas com um som com boas composições.

(Bob Riot)

VIA MISTICA – UNDER MY EYELIDS – Metal Mind - Importado - Nota: 8,0

Banda polonesa de doom/gothic metal formada em 1998, com três álbuns já lançados. “Under My Eyelids”, último álbum da banda lançado este ano, vem conforme prometido pelo grupo, mantendo a sonoridade melancólica já consagrada do seu álbum antecessor “Fallen Angels”.

A banda que conta com dois vocais antagônicos, Kaska, mais lírica e Marek, com vocal gutural, que também toca guitarra, dá um ar diferente e interessante. O grupo ainda conta com Marcin (guitarra), Jarek (baixo), Rycho (teclado) e Adam (bateria).

O álbum contém passagens instrumentais com celo, a cargo de Kaska, teclados nos pontos certos e bases pesadas que não decepcionam. O disco é bem trabalhado, mas sem exageros. Às vezes me pergunto se este tipo de som não é uma renovação do rock progressivo. Deixo isto para os experts. Destaques para as músicas “She’s Dead”, “Dance Macabre”, “Edge Of Light” e “Parallel Mind”.

No mais, para conferir algumas músicas dos discos anteriores, podem acessar o site do grupo.

(Bob Riot)

VICIOUS RUMORS - WARBALL – Mascot Rec. – Importado – Nota: 8,0

A banda – como sempre liderada pelo grande guitarrista Geoff Thorpe (responsável também pela produção do CD) – está de volta com mais um bom disco. Desta vez porém contando com James Rivera (Helstar, Destiny´s End, Seven Witches, etc.) nos vocais e a participação em algumas faixas do guitarrista Brad Gillis (Ozzy Osbourne, Night Ranger).

O CD está bastante pesado, com riffs fortes e agressivos, além dos vocais – como sempre no caso de James Rivera – fortemente influenciados por Rob Halford e seus inconfundíveis agudos. São 10 faixas muito niveladas, onde destacam-se, entre outras, as ótimas “Sonic Rebellion” (típica faixa de abertura), “Mr. Miracle”, Dying Every day” (bem pesada), “Immortal” (ótimas guitarras), “Crossthreaded”, a balada “Windows Of memory”, e o encerramento com a excelente “Oceans Of Rage”. Se você é fã de longa data do grupo, ou simplesmente procura por um disco pesado, honesto em sua concepção e com vocais marcantes, este CD certamente será uma grande aquisição.

(Eduardo Garcia Carvalho)

VINDEX - NO MIDDLE GROUND – Streetproduction – Importado – Nota: 7,0

Surgido a partir de um projeto de estúdio do jovem baixista Ronnie Konig que iniciou suas próprias composições em 2000/2001 na Eslováquia. O primeiro convite foi para o seu amigo, o guitarrista Jozef Rigo em 2002, e, como os arranjos foram feitos para duas guitarras, Ronnie convidou Ado Kaláber, seu amigo de escola.

Como não encontraram um baterista em tempo que tocasse heavy metal clássico iniciaram as gravações com uma bateria eletrônica e o último a juntar-se ao grupo foi o vocalista, e também baterista, Luděk Struhař que participou de um tributo ao Accept na República Tcheca.

Com esta formação lançaram sua primeira e única demo, Rise Up!, em 2003, e começaram a excursionar e fizeram seus dois primeiros shows em dois festivais da Eslováquia, More Than Fest in Martin e Masters Of Rock in Senec, com bandas como Helloween e a reunião do Europe.

Lançaram seu primeiro CD, Power Forge, em 2005, na Europa e Japão, em 2006 é lançado se segundo álbum, No Middle Ground, que conta com Jano Tupý nos teclados e Marian Miček na guitarra, substituído Jozef Rizo, que saiu por razões pessoais. Atualmente o baterista da banda é Robert Jarsky, colega de Luděk que trabalhou com ele no tributo do Accept (Flashback).

Como era de se esperar, o vocal da banda segue a linha de Udo Dirkschneider e Chris Boltendahl, a parte instrumental também é calcada nestas influências. As músicas são legais sem ser algo de surpreendente já que se assemelham principalmente ao Accept, no mais é ouvir as músicas “No Middle Ground”, “Read The Stars” e “The Crossroads”.

(Bob Riot)

VIOLATOR – CHEMICAL ASSAULT – Kill Again Records - Nacional - Nota: 9,0

Banda brasiliense formada em 2002, com total dedicação ao Thrash Metal Old School, tendo como influências grupos como Vio-lence, Whiplash e Exodus. O grupo desde sua formação tem participado de coletâneas de metal, DVD, lançado demos, e rodado o país com seus shows, uma luta quase que insana pela qual passam muitos grupos nacionais.

O Thrash Metal é assim mesmo... muitos admiradores fanáticos, muitos abnegados, pouca divulgação e alguns maus produtores (isto é só com o thrash?!).

Chemical Assault é fruto disto, da paixão e força de vontade de um pessoal que correu atrás e acreditaram no que estavam fazendo. Palhetadas rápidas, riffs insanos emergidos dos anos 80, bateria no pique, sem frescuras.

O disco foi gravado como power trio com Pedro Poney Ret (screams and bass), David Arraya (drums) e Pedro Capaça (guitars). O grupo foi completado recentemente Márcio Cambito na guitarra.

Ouça “After Nuclear Devastation”, “Atomic Nightmare” ou “Addict To Mosh” para ter uma idéia do que escrevo. Disco para headthrasher nenhum botar defeito.

(Bob Riot)

VIOLENT STORM – STORM WARNING - Gold Storm Rec – Importado - Nota:7,5

Violent Storm é uma banda formada pelo ex baixista de Yngwie Malmsteen/Blackmore's Night Mik Cervino, que já em War No More mostra sua competência para ter tocado ao lado de duas das maiores lendas da guitarra, com uma levada agressiva e rápida rompe direta mas com muita melodia e qualidade, que não é de se estranhar pois o álbum foi produzido por ninguém menos que K. K. Dowing.

Temos um hard bem forte e com muita pegada sendo quase um metal básico e que conta com grandes participações como K. K. Dowing, Yngwie Malmsteen e Roy Z (Halford, Bruce Dickison).

Outro ponto forte é a garra e competência de Matt Reardon, o vocalista que mata a pau cantando com muita qualidade, realmente ele faz você vibrar com o que esta ouvindo.

As faixas seguem uma linha parecida entre si e mostram um som forte como o dito inicialmente, demonstrando alguns toques individuais como o trabalho de baixo, as linhas vocais e algumas fritadeiras em solos pra lá de inspirados.

Apesar da produção de K. K. o acabamento sonoro poderia ter ficado melhor, pois a banda ganharia ainda mais brilho.

(Adriano Gandolfi)

VIRGIN BLACK – ELEGANT... AND DYING – Silent Music - Nacional - Nota: 9,0

Elegant… and Dying é um disco realmente curioso na sua essência musical, pois mistura o gothic metal, pitadas de doom e heavy, arranjos orquestrais e harmonias vocais semelhantes ao canto gregoriano, associadas em algumas partes, ao gutural.

As letras de temática cristã contrastam com os temas normalmente abordados pelos grupos góticos e dark e as musicas tem um andamento variado com alguns riffs e a distorção da guitarra que chegam a lembrar do Trouble. A maioria das músicas soa paralelamente ao triste e bonito, algumas vezes divagando pelo progressivo. O vocal, sem forçar a voz, tem uma pequena semelhança com Harry Conklin.

Esta banda norte americana já tem três discos lançados e começa a colocar seu nome em evidência no cenário musical tendo sido elogiada em várias publicações (com mérito, diga-se de passagem).

Talvez em parte o sucesso do grupo se deva à divisão das composições entre o vocalista, e tecladista Rowan London (que também produziu o álbum) e a guitarrista Samantha Escarbe (concebeu a capa do disco) que compõem separadamente. Além dos dois a banda conta com Dino Cielo (d), Craig Edis (g/v) e Ian Miller (b).

Elegant... and Dying é um álbum diferente do que tenho ouvido e por isto merece destaque. Originalidade não faz mal a ninguém e recomendado para os não radicais.

(Bob Riot)

VIRGIN BLACK – REQUIEM / MEZZO FORTE – Silent Music Records – Nacional – Nota: 5,0

Este é um lançamento bastante sofisticado de 2007 do grupo australiano Virgin Black que está sendo também lançado nacionalmente pelo selo Silent Music Records (que já conta com um bom número de lançamentos em seu cast).

O álbum conta com a participação do coral da academia Stamford da cidade de Adelaide, Austrália, conduzida pelo maestro Bruce Stewart. É um trabalho bastante melancólico, sombrio, excessivamente mórbido, apesar da excelente produção e mixagem.

O play abre com a faixa Réquiem, Kyrie, uma longa faixa em que há apenas vocalizações (solo e coral) sobre alguns arranjos de teclados e as vezes ganha certo peso e corpo mas sempre mantendo o clima bastante mórbido, também pudera. Réquiem é uma composição musical em homenagem a uma pessoa já falecida.

A próxima, “In Death”, segue o mesmo esquema, sombria demais, extensa, embora em certas partes há um andamento mais arrastado (não menos mórbido porém). Destaque para as boas intervenções da soprano Susan Johnson e do tenor Rowan London.

“Midnight´s Hymn” continua mantendo o mesmo clima, quase não há outros elemntos a não ser o coral fazendo contraponto com os vocais solos e os arranjos mórbidos de teclados.

Como não poderia deixar de ser, “...And I Am Suffering”, continua no mesmo esquema, a continuação da história, assim como “Domine” (esta já consta com mais elementos como guitarras, baixo, bateria) mantendo sempre o clima morbido, sombrio. Esta com mais de dez minutos.

“Domine” é a próxima (que também, como a anterior, consta com a participação da banda toda e ainda tem vocalizações guturais), mas sempre mantendo o clima excessivamente mórbido-arrastadão.

Temos então “Lacrimosa (I Am Blind With Weeping)” com o coral melancólico desfilando ao longo da música toda (de novo?) E finalmente, “Rest Eternal”, fechando a estória, e tome mais vocais apoiados sobre teclados.

É um álbum em Mi menor, daí se explica o clima apático, triste demais do início ao fim. Como disse, a produção é digna da melhor nota assim como o belíssimo e luxuoso encarte (apesar de não haver fotos de ninguém).

É um álbum infinitamente triste, todas as faixas e nessas, todos os trechos são recheados de melancolia, timbres sombrios, não há um só momento que difere essa característica no álbum. Nem o filme A Lista de Schindler apresenta um clima tão único, tão pesado.

Tem de estar realmente na fossa pra encarar um play como esse, sem uma nota mais ou menos alegre ou algum arranjo mais exaltado. Pra quem gosta (ou quer ficar deprimido por longo tempo) é o álbum ideal, o mais melancólico e sem variações (e olhe que já usei esse termo várias vezes por aqui) que já ouvi nos últimos tempos.

É a proposta mas por fim, considerei esse lançamento excessivamente monótono.

(Fred Mika)

VIRGIN STEELE - VISIONS OF EDEN – Sanctuary/T&T – Importado – Nota: 8,5

O Virgin Steele é uma daquelas bandas que desperta diferentes opiniões no meio dito metálico. Alguns acompanham o grupo com extrema idolatria e respeito (afinal de contas é inegável a participação e relevância do material que a banda produziu no decorrer dos muitos anos de atividade), enquanto outros simplesmente torcem o nariz impiedosamente.

Mais uma vez Mr. David DeFeis está de volta com um disco bastante trabalhado, cheio de passagens intrincadas, arranjos vocais e instrumentais grandiosos, toques épicos e progressivos (sempre acompanhados pela presença marcante dos teclados), mudanças constantes de andamento, e tudo aquilo que sempre caracterizou fortemente o trabalho do grupo.

O álbum – mais uma vez conceitual – narra a hitória de Lilith, primeira mulher de Adão. Por todas as características acima citadas, e muitas outras, fica evidente que o disco é de difícil assimilação, e mais uma vez acenderá controvérsias. O CD tem início de forma mais acelerada com “Immortal I Stand”, uma faixa marcante, pesada e forte. “Adorned With The Rising Cobra” é outra típica faixa do grupo, com passagens épicas, climáticas, ótimos riffs e solos de guitarra, melodias vocais e longa duração.

Na seqüência um desfile de ótimas faixas que valem ser destacadas: “The Ineffable Name”(rápida, pesada e melódica), “Bonedust”(ótimo riff de guitarra), “Angel Of Death” (climática e épica), “The Hidden God” (cadenciada), “Childslayer” (rápida e épica – com fortes toques de Manowar) e “Visions Of Eden” (faixa título que encerra o disco de forma trabalhada e complexa). Um grande CD, mas que talvez peque pelo excesso de preciosismo de seu mentor, tornando a audição um pouco cansativa para quem busca respostas fáceis e rápidas.

(Eduardo Garcia Carvalho)

VISION DIVINE – PERFECT MACHINE - Hellion Rec – Nacional - Nota: 8,5

No inicio o propósito era reunir em um projeto paralelo os amigos de infância Olaf Thorsen (guitarrista) e Fabio Lione (vocalista). Em 1999, Lione abandonou o grupo para dedicar-se inteiramente ao Rhapsody, enquanto Thorsen saiu do Labyrinth para se concentrar 100% no Vision Divine.

Em 2004, a nova formação, agora com a adição do frontman Michele Luppi, lançaria o bom "Stream of Consciousness", prova clara do amadurecimento de um projeto solo que se tornaria banda nas mãos de seu criador, Mr.Thorsen. Neste novo CD com o line-up renovado, o Vision Divine acerta em cheio e cria uma mescla de melódico e prog, bastante interessante, que ainda flerta com elementos sinfônicos, além de seguir uma tendência atual que é a incursão no hard rock.

Temos bons destaques como "God is Dead" e "First Day Of A Never-Ending Day", por exemplo, todas recheadas de uma combinação que não é nova, mas é muito bem utilizada.

"The Perfect Machine" é um disco conceitual que trata da saga sci-fi futurista do biólogo Arnaldo Mattei, que em 2043 finalmente consegue mapear e decifrar o DNA humano, encontrando a chave para o fim das doenças - forçando as células a se regenerarem e repararem para sempre, garantindo a imortalidade ao ser humano e criando a "máquina perfeita".

Outro ponto importante é a produção de "The Perfect Machine" que ficou a cargo de ninguém menos do que Timo Tolkki, o que é garantia de qualidade, vale ressaltar ainda a performance esforçada de Luppi, cuja voz tem um tom diferente aos quais estamos acostumados em determinadas vertentes metálicas, mas muito bem colocado.

Efetivamente temos um bom disco, com bons momentos, com destaque para a visceral "The Ancestor's Blood" e para a balada"Here In 6048". Quase chega a ser um disco "excelente".

(Adriano Gandolfi)

VISUAL CLIFF - FREEDOM WITHIN – Trinity Records/Robbuemusic – Importado – Nota: 7,0

Esse álbum de cara já apresenta um hard rock com forte inspiração setentista meio na linha do Mahogany Rush do guitarrista/vocalista Frank Marino, mas a banda, ao contrário deste, não é um power trio. Apesar dessa e outras influências setentistas, Visual Cliff só foi formada no final de 1999 pelo guitarrista Rob Perez, pelo baterista Rick Mals. Rapidamente vieram o baixista Eric Fuller e o tecladista Rob Klan e, depois de alguns testes, veio o vocalista Shane Lankford do grupo Orphan Project.

Esse lançamento, Freedom Whithin, faz uma ponte direto com as bandas do hard-alternativo mais modernas, não se vê muita influência oitentista nesse álbum e na sonoridade do grupo. Ao mesmo tempo que percebemos influências de Eric Clapton, Jeff Beck e Tom Scholz nos riffs das músicas, vemos também a conexão com Alice In Chains e Soundgarden quanto aos vocais (escutem as músicas “Sacred”, “Let It Ring” e “Beneath The Sand”, as únicas com vocais do disco).

Quando as músicas são instrumentais como “Electric Soul”, “Electric Ring” e “Radiant Departure”, aflora o lado mais rock-progressivo do álbum, algo como ELP, Yes. Na verdade é um disco quase que instrumental porque há oito faixas e cinco delas instrumentais.

O álbum realmente parece uma jam session, os instrumentais são legais com guitarras limpas, tudo bastante claro, mas por essa característica altamente experimental nota se um pouco a perda do feeling nos mesmos, com certa exceção feita a instrumental “Torn From Expression” onde a banda mantém o sentido da mesma. A também instrumental “Spirit Rain” lembra os longos instrumentais de Uli Jon Roth na época do Electric Sun, com direito a guitarras com flangers e alavanca sobre uma seção rítmica eficaz de baixo e bateria.

Produção muito boa e idéias interessantes, porém fica a cara de uma jam session mais requintada no final de algum ensaio da banda. Encaixaria melhor como bônus tracks.

(Fred Mika)

VIXEN – LIVE & LEARN - Demolition Rec – Importado - Nota:6,0

Apenas com um membro, ou melhor, uma integrante da formação original a banda Vixen que marcou época no final dos anos oitenta com lançamentos muito importantes para a cena Hard, volta à ativa lançando este Live & Learn que traz 11 faixas inéditas da banda e mais um cover para "Suffragette City", de David Bowie. Apesar de a integrante restar apenas uma remanescente, Jan Kuehnemund , da principal formação da banda e ela ser a principal compositora da banda, notamos que esta já não é mais a mesma.

Com uma produção bem fraca e até abaixo do que encontramos no mercado, percebemos que outro aspecto não retornou nesta volta, que foi a qualidade do produto apresentado, e isso fica claro pois até temos algumas faixas bacanas, mas com uma produção e mixagem sofrível, com timbres medonhos e falta de “corpo” ao som apresentado, muito diferente dos trabalhos Vixen e Rev It Up, que apresentavam um glamour em sua essência e muito brilho na qualidade sonora, e olha que hoje em dia é muito mais fácil conseguir este padrão graças a tecnologia disponível, mas as garotas e sua produção não conseguiram sequer gerar um som decente.

Há algumas faixas interessantes e que mostram algum interesse, mas como a qualidade da produção esta muito abaixo do que as meninas merecem todo o trabalho ficou prejudicado. Se você é muito fã com certeza terá interesse em dar uma conferida, caso não conheça recomendo correr atrás dos trabalhos anteriores do final da década de 80.

(Adriano Gandolfi)

VOODOO SHINE – VSHYNE – Independente – Nacional – Nota: 8,5

Uma banda nacional que faz um hard rock interessante, o Voodoo Shine é um trio que leva um som na linha do antigo Girlschool e tem algumas coisas do Motley Crue (em seu inicio), Guns N´Roses, Ratt e Greatwhite, algo meio atípico em terras brasilis.

Interessante o trabalho que várias bandas que estão surgindo dentro do hard rock feito no Brasil, embora se diferenciem em sub-estilos temos uma variante da nova safra de bandas que surgiram em meados dos anos oitenta, daí temos desde o hard setentista do King Bird, o hard glam do Bastardz, e o hard mais oitentista como o Voodoo Shine além de ser sempre bom lembrar, do hard n´heavy pioneiro do Dr. Sin.

Isso sem lembrar nas primeiras bandas como cavalo a Vapor, Harppia, Chave do sol e várias outras, mas essas daí já vieram bem antes, são de uma outra geração.

Vale ressaltar aqui que a produção, tanto gráfica como em áudio, são muito bem feitas. O álbum foi gravado nos estúdios Damaxx e Síncope, em Campinas/SP e mixado e masterizado por Andrew Davenport no estúdio Edgeworth, na cidade neozelandesa de Aukland O trabalho já abre com “Get Ready For Love” (uma composição na linha de “Tôo Fast For Love” do Motley Crue), um misto de rock n´roll com hard rock.

O vocalista, Vshyne, que também e baixista e líder da banda, tem também um timbre que lembra um pouco o de Vince Neil se bem que o primeiro canta mais limpo. O guitarrista Sammy Damaxx e o baterista Billy Map completam a formação.

A composição seguinte, “Suspected” segue a mesma linha, hard rock empolgante e gostoso de ser ouvido. “Blow The Fuse” já tem um clima mais leve, embora logo após se torna um hard rock mais arrastado, com passagens trabalhadas e com certo groove lembrando certas composições do Aerosmith. Volta se ao hard rock puro “Chasin´On” com guitarras bases retas, vocal fluindo bem nas melodias e culminando num refrão interessante.

“Disfunctional Girl” já é a próxima faixa e já temos um hard rock mais acelerado pra ser ouvido nas estradas e com volume máximo no carro. E por fim, para finalizar esse álbum temos “Dark Tendencies”, um rock n´roll que já mais comercial. É portanto um álbum curto de apenas seis faixas deixando o ouvinte com a idéia de quero mais.

É um registro interessante de um som meio raro em terras nacionais, mas que, ultimamente, vem mais e mais espaço na mídia e esse muito gratificante deparar com trabalhos como esse e cada vez mais eles vêm aparecendo com mais freqüência e com um profissionalismo nunca antes imaginado.

(Fred Mika)

VOUGAN – SILENT SOULS – Independente – Nacional – Nota: 9,0

Pode-se dizer que esta banda já nasceu madura. Formada pelos ex-integrantes do Dark Avenger, Acácio Carvalho, Hugo Santiago e Gustavo Gzus, mais tarde sendo convidados Carlos Zema (Heaven´s Guardian) e Felipe K. (ex-Bad Wolf) para completar o grupo.

A experiência em suas bandas anteriores, por si só, já é um bom currículo que com certeza fez com que “Silent Souls”, uma grande prévia do que está por vir no seu debut álbum.

Heavy Metal de primeira linha com excelentes mesclagens de harmonias e sonoridades que nos fazem viajar pelo progressivo, hard e thrash. Teclados e guitarras colocados na medida exata, harmonia vocal que varia entre Bruce Dickinson e Chris Boltendahl fazem com que este EP não tenha a mesma fórmula utilizada por outras bandas.

O disco começa com instrumental “Inner Ghost” emendada com “Behind The Lies”, daquelas que são pra abrir álbum mesmo, sonzeira de primeira. O disco segue com “L.O.S.T.” que tem uma base e baixo pesadões, vocais líricos, segue o disco com “Unspeakable”, linda harmonia de piano e refrão marcante.

Para terminar o disco vem a faixa título, outra música que deixa sua marca pelo refrão e base rítmica. Todas as músicas do EP podem ser baixadas no site oficial do grupo que liberou as músicas para divulgar o som do grupo. Ouçam e confiram, se não gostarem é só selecionar as músicas e deletarem, se gostarem, fiquem babando até o full álbum.

(Bob Riot)

VOX – ORIGINAL – Die Hard - Nacional - Nota: 7,5

Projeto originalmente batizado como Firesign, em meados de 2000, gravaram o álbum “The Top Of The Mountain” que foi lançado no Brasil e Japão sendo um dos mais vendidos na terra do sol nascente por dois meses. Apesar do sucesso desativaram o grupo em 2003 devido a outros compromissos.

Com membros das conhecidas bandas Karma e Angra, o projeto mudou de nome e sonoridade. A proposta do grupo é de um som moderno com influências que vão de Led Zeppelin, passando por Soundgarden e Tears For Fears.

Músicas como “Original” e “Find Myself Again” me fizeram lembraram do Alice In Chains, “It Doesn't Matter” com seu violão e acompanhamento a lá Bon Jovi, algumas vezes no disco me lembrei de Rush e U2. Uma bela miscelânea. Destaque para “Inspiration”, muito bonita com excelente vocal que me lembrou Glen Hughes no Trapeze.

Uma coisa me deixou intrigado com o Vox. Apesar dos integrantes tocarem em bandas reconhecidas, não li nada a respeito do lançamento em nenhum site dos grupos ou membros citados. Será que a postura mais americanizada deste projeto fez com que os caras não misturassem as bolas?!.

Vamos esperar até onde vai o projeto que conta com Thiago Bianchi (v), Felipe Andreoli (b), Marcell Cardoso (bat) e André Brunetti (gt).

(Bob Riot)

V-PROJECT – NEW MACHINE – DMV Music Records – Importado – Nota: 8,0

O rock que o New Machine faz evoca bastante raizes sententistas, bem na linha de Led Zeppelin, Nazareth e Aerosmith, um classic rock a moda antiga.

O interessante nesse projeto é a participação de Robin McAuley (que foi vocalista do M.S.G. e participou de quatro discos do mesmo entre os anos de 1986 a 1992). As musicas são fáceis de ser captadas, sem arranjos complexos porem com muito feeling e refrões bastante pegajosos.

Esse projeto, idealizado por McAuley e também pelo guitarrista David Vaccaro, e temos aqui além dos rock n´rolls básicos, crus, alguns blues, outros mais hard rocks com direito a guitarras slide como na faixa que abre o álbum, “Exit Sign”.

Logo a seguir vem “Somebody Like You”, um rock simplista na linha do ZZ Top com guitarras bem marcantes e baterias retas. “The Stake” é um blues (vale destaque aqui para os timbres dos instrumentos todos bem como a interpretação de Robin).

“Disclaimer” volta com mais clima ledzeppeliano com vocais insinuantes e arrastados, é uma musica mais reta, mais arrastada com bons refrões. “Time To Move On” segue na mesma linha da anterior (Robin bebeu mesmo na fonte de Robert Plant).

“Desert Run” é uma faixa instrumental já mais direcionada ao hard rock mais moderno com presença de teclados dramáticos e violões. “You Don´t Care” volta na linha de “Kashmir” que é pra variar, do Led Zeppelin também.

“Tangled In Your Web” é um rock empolgante, cadenciado, sem firulas e transbordando feeling e groovies. “On Yer Way” volta às guitarras slides, com clima arrastado, pesadão e com levada rítmica do blues rock. Por fim, a décima e última faixa do álbum é “Back To My Baby”, essa já um rock com forte influência do pop rock, digna a figurar nas melhores FMs do mundo.

Robin McAuley é reconhecidamente um bom vocalista, além de ter participado do MSG ainda integrou a banda de hard rock Grand Prix, o Far Corporation e participa de inúmeros trabalhos solos e de vários tributos além da banda Survivor.

David Vaccaro é outro que segue a altura, cria como ninguém excelentes melodias na guitarra e suas composições são recheadas de feeling e bom gosto além de um domínio técnico bastante satisfatório pro estilo. Pena que é um disco que não deve ser lançado nacionalmente.

(Fred Mika)

VULTURE - TEST OF FIRE - Die Hard - Nacional - Nota: 7,5

Primeiro trabalho do quarteto formado em meados de 1995 como Damnation e o primeiro lançamento do selo paulistano no terreno de estilos mais brutais da música pesada.

Adauto M. Xavier(v/gt) Yuri Schumann (rh gt/v) Max Schumann (b)e André M. Xavier (bat) fazem e tocam death metal, no mais simples e puro sentido do estilo; como se costuma dizer totalmente “old school”, tradicional, influenciado pela velha linhagem de bandas (M. Angel, C. Corpse, Unleashed, Grave, etc), sem adição de influências estúpidas, nada de teclados, vocais femininos ou outras baboseiras, somente quatro carinhas detonando um som brutal e agressivo, com muita pegada e competência e ao contrário de muitos álbuns do estilo, este tem músicas longas (nove músicas em mais de uma hora de duração) o que faz valer mais o preço que se paga em um cd atualmente.

Os caras mesclam partes cadenciadas com blast beats com muita eficiência e com certeza vão agradar aos fãs do estilo. Brutalidade em sua mais pura e melhor forma. Contatos:a/c Adauto/André, R. Major Antonio Arruda de Moraes 512, Vl. Orestes, Itapetininga/SP, CEP 18212-030, tel.(55)1996030836.

(André Luis Cardoso)

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