Pode se dizer que a veterana banda californiana W.A.S.P. não mudou sua sonoridade de forma mais incisiva como fizeram várias bandas de estilo semelhante durante os anos noventa para se adaptarem ao mercado e depois voltaram atrás como os lançamentos de Swine Generation (Mötley Crüe) e Shadow Life (Dokken). Lançamentos estes que poucos tem a ver com a identidade inicial da banda. No caso do W.A.S.P. (fundado em 1982), ele apenas arrefeceu seu som demasiadamente cru e direto de início desde o lançamento do homônimo W.A.S.P. em 1984, colocando mais melodia e trabalhando mais nas composições. Isso eu consider uma boa evolução sem perder a identidade.
O polêmico guitarrista e vocalista Blackie Lawless com seu timbre fantasmagórico e com um drive acentuado e inconfundível, é o único membro original dessa banda e, assina todas as composições do album Babylon, lançado em 2009 (únicas exceções é a cover “Burn” do Deep Purple e para “Promised Land” de Chuck Berry) e sendo o décimo quarto album de estúdio do grupo (além desses o W.A.S.P. ainda conta com mais quarto álbuns ao vivo). São no total nove faixas de um hard rock direto (mas mais rico que outrora) e com um pé (de leve) no heavy metal oitentista.
O agradável e cadenciado rock n´roll de “Crazy” abre o album, seguida por “Live To Die Another Day”, uma faixa mais explosiva, já mais cheia de energia mas sem soar agressiva e com refrões fortes e solos bem timbrados e bem trabalhados. “Babylon´s Burning”, a próxima, é uma faixa que apresenta links de guitarra puxando a melodia na introdução para cair em bases estilo cavalgada que servem de apoio para os vocais e na seqüência, deslanchar num refrão com melodia bem marcante.
Foram relativamente fiéis na cover para “Burn” (com exceção do solo), apesar de que a voz de Lawless não ter muita semelhança estilística com a de Glenn Hughes.
As power baladas “Into The Fire” e “Godless Run” tem boas melodias e devem cativar o público da banda pela dramaticidade que Lawless impõe nesse tipo de música, além de solos com muita melodia.
“Thuder Red” vem a seguir, um rock n´roll que apesar de reto tem um andamento mais rápido e que conovoca a todos a se mexerem nos shows ao vivo. Dinamite pura.
“Seas Of Fire” é outra faixa mais rápida, essa porém se assemelha mais ao hard n´heavy assombrado do W.A.S.P. de outrora, reto, pesado, direto, na linha de “I Wanna Be Somebody”.
E finalmente o rock n´roll mais datado em “Promised Land”, uma homenagem a Chuck Berry, que ganha agora uma roupagem e produção mais moderna.
Além de Lawless (que também ainda faz os teclados no grupo), a formação atual conta com Mike Duda (baixo e vocais de apoio), Doug Blair (guitarras) e Mike Dupke (bateria).
No encarte podemos notar que visualmente Blackie Lawless e o W.A.S.P. continuam na mesma onda cavernosa de caveiras, correntes, roupas de couro preto apertado e um pouco d emaquilagem no rosto. Alguns podem alegar que pararam no tempo mas outros optam por defendê-los pois, mesmo com o passar de todos esses anos, se mantiveram fiéis a sua proposta de origem. Deixo aqui ao ouvinte para refletir sobre isso.
Em relação ao som, como disse, creio que evoluiram sim sem perderem sua identidade, isso é muito importante num mundo musical regido pelos modismos. E só de sobreviverem por vinte e oito anos já atesta seu mérito. Um bom album de uma banda boa. Não é uma explosão de criatividade mas continua acima da maioria das bandas do estilo que ainda conseguiram sobreviver no teste do tempo.
(Fred Mika)
Site: www.waspnation.com
Para começo de conversa temos que já ir citando o nome de Jeff Scott Soto como um dos integrantes desse time de exímios e criativos músicos. Soto dispensa comentários mas sempre é bom falarmos nele pois é um dos vocalistas mais criativos e eficientes que o mundo do rock já teve.
Sua voz altamente dinâmica o permite andar com maestria por estilos que não seja o seu habitual e o faz bem. Por isso é altamente requisitado e já participou de inúmeros álbuns de outros artistas diversos como Yngwie Malmsteen, Axel Rudi Pell, Gary Schutt e zilhões de outros, além de projetos paralelos como Bakteria, Human Clay, Takara, The Boogie Nights e o mais sério deles que é o Talisman e ainda, mais recentemente, fazer parte do Journey.
Jeff dessa vez vem assessorado por músicos não menos competentes como os guitarristas Robert Sall do grupo Work Of Art e Erik Martensson (que faz algumas partes de teclados em algumas músicas, os vocais de apoio e todas as partes de baixo) do Eclipse, além, é lógico, de Soto do Talisman, daí as iniciais do W.E.T.. A bateria ficou a cargo de Robban Bäck e na faixa “Just Go” a guitarra solo é executada por Magnus Eriksson.
O som é um excelente hard AOR que a muito estava em falta, lembrando os melhores momentos de bandas como Kansas, Styx, Journey, Europe e Survivor só que com uma roupagem mais moderna e extremamente agradável ao ouvinte.
Tudo aqui é superlativo, composições grandiloqüentes com refrões bem pegajosos, arranjos bem estruturados, vocais de apoio bem encaixados e solos feito sob medida para cada música além da criatividade habitual de Jeff Scott Soto e de seus respectivos comparsas. Tudo isso proporciona ao álbum um dos melhores lançamentos de hard AOR de todas as épocas. Um álbum onde cada faixa foi criada para realmente pegar, ser hit em qualquer rádio de bom gosto, fica difícil aqui falar de música por música, pois praticamente todas são boas e bastante diversificadas entre elas, enfim, fica difícil ressaltar pontos negativos das mesmas.
Há músicas para todos os gostos dos sub-estilos dentro do estilo principal que é o hard rock; há desde o hard rock mais reto ao hard rock mais trabalhado, faixas mais rápidas, outras nem tanto, partes letãs, mas todas sem exceção privilegiando os requisitos essenciais para se ter uma boa composição nesse estilo como ótimas e grudentas melodias, solos bem feitos, etc. ao todo doze composições fazem parte desse magnífico lançamento: “Invincible”, “One Love”, “Brothers In Arms”, “Comes Down Like rain”, “Running From The Heartache”, “I´ll Be There”, “Damage Is Done”, “Put Your Money Where Your Mouth Is”, “One Day At A Time”, “Just Go”, “My Everything” e “If I Fall”.
A cada faixa o ouvinte com certeza vai ficando maravilhado e querer ficar repetindo o álbum indefinidamente e como disse, terá boas razões para isso.
O encarte é um primoroso digipack onde há também um segundo disco que na verdade é um DVD que são os vídeos e a produção é perfeita, encarte luxuoso e farto em detalhes, informações, fotos e tudo mais o que possa haver num encarte de bom gosto. Nesse DVD adicional os vídeos clipes são “One Love”, “Comes Down Like Rain” e “Brothers In Arms”.
É um dos melhores lançamentos do ano, da década, enfim, esse álbum eu considero como um dos melhores lançamentos da história do hard AOR, tem tudo para se tronar um clássico. Imperdível.
(Fred Mika)
MySpace: www.myspace.com/frontiersrecords
Esta nova e surpreendente banda vem da ensolarada Califórnia (EUA) exatamente de uma localidade chamada Alameda e seu nome vem da junção dos sobrenomes de seus principais componentes, vocalista (também letrista e responsável pelos teclados) London Wilde e baixista/guitarrista Dave Starr, que juntamente ao baterista Jim Hawthorne, gravaram este soberbo trabalho de estréia.
Dave Starr foi (ou é?) baixista do VICIOUS RUMORS por vinte e dois anos participando de toda a fase áurea do quinteto quando contava com o soberbo e falecido vocalista Carl Albert chegando aos dias atuais tendo gravado inclusive o ainda ultimo trabalho de estúdio dos caras, o ótimo “Warball”; chegou a participar por pouco tempo no LAAZ ROCKIT e fez testes com o guitarrista DAVID T CHASTAIN, e por isso não é nenhum Novato metido à besta, mas um músico experiente e sério que sabe aonde está pisando; London Wilde, aonde você andou por tanto tempo??? A vocalista tem um talento incrível e uma voz maravilhosa que foge do clichê atual de vocais líricos doces exagerados e chatíssimos por sinal, cantando com garra, fúria e feeling numa linha totalmente oitentista o que é garantia que não nos depararemos por momentos de chatice musical; quando canta em tom normal esbanja talento, quando canta em tons altos lembra Rob Halford em seus momentos mais soberbos, pode acreditar que as influencias principais da “moça” vem justamente do carequinha, Geoff Tate e Ronnie James Dio, apesar de musicalmente ela também gostar de outros estilos mais brutais.
Falando do trabalho em si, Arrival é uma grande trabalho que mescla o melhor do power metal norte-americano oitentista, com timbragens modernas e produção de século XXI, com músicas bem variadas,mas sem excessos de virtuosidade; Dave Starr sobressai-se aqui pelo trabalho nas seis cordas criando riffs precisos e altamente metálicos e solos na medida certa; os teclados usados até com certo exagero em certos momentos (tem gente que não vai gostar) dão um toque de metal europeu aos arranjos, o batera Jim conduz tudo com as viradas certas nos momentos certos e a parte vocálica nem preciso comentar; e sendo dúvida eles tem como influencias o próprio VR; JUDAS PRIEST/HALFORD e nomes do metal europeu em geral.
Destaques?? não há músicas fracas ou ruins ,mas como ouvinte e fã de metal destaco Rose In The Dark com um ritmo cadenciado e riffs certeiros; Arrival com influências Priestnianas no instrumental e vocal; “Rise” Wilde simplesmente arrrrrrrrrasa nesta música; “Generation Next” mais uma com um pezinho no velho “padre judas” cadenciada, contagiante e excelente para bater cabeça, e nada verdade, as preferidas ficam por conta do ouvinte. Ouça, compre, aprecie. Um dos grandes - está na minha 10 top list deste ano que se finda - lançamentos do ano e que venham mais!!
(Eduardo de Souza Bonadia)
Site: http://www.wildestarr.com
MySpace: http://www.myspace.com/wildestarr
Em dezembro de 2003, André Bendigsten (guitarra) e Ole Kristian (bateria), decidiram formar a banda. Ambos fãs de dark e música melódica, partiram para reunir músicos que compartilhassem seu amor pela música. Quatro meses após terem recrutado Eirin Bendigstein e sua voz angelical, o baixista Kristian Andersen e Tom Flygen nos teclados, estavam entrando em estúdio para a gravação de seu primeiro EP, Dies Irae, que seria lançado em 2004. Na formação atual do grupo, Ole Kristian foi substituído por Jarle Byberg, Kristian Andersen por Espen Lohne e estão sem tecladista atualmente.
Em Marionettes, o grupo segue a proposta idealizada desde seu inicio, Gothic Metal aliado ao peso do Doom e arranjos melódicos, adocicados pela voz de Eirin.
Músicas que chamam a atenção de cara, “Kyrie”, bonita introdução de piano, percussão em destaque e base pesada com um certo groove, “Freedom If Fenite” com um riff legal e “Female Stigma”, talvez a menos deprê do disco. Algumas músicas deste disco estão no site do MySpace do grupo para o pessoal que quiser conferir.
(Bob Riot)
Wheelrunner é uma banda grega que faz um hard n´heavy oitentista com rock n´roll visceral bem encorpado só que contando com uma produção moderna que faz a diferença.
Bloodpaint foi lançado em 2008 e conta com nove faixas: A primeira é “Proof Of Love”, com uma introdução assombrosa de trinta segundos onde o ouvinte leva a crer que se trata de uma banda de black/death metal mas logo essa idéia se dissipa pois a faixa descamba para um hard rock elétrico a la Mötley Crüe apesar de que o vocalista do Wheelrunner, Mike Madness, se assemelha a uma mistura entre James Hetfield, John Corabi e até algo de Kip Winger.
A segunda composição do play, “Snakebite”, é um rockão dos mais interessantes com guitarras bem na cara e logo na seqüência vem “Streetchild”, que já é mais rápida que a anterior e apresentando uma excelente mixagem que soube captar bem a alma das guitarras (com o efeito reverb e tudo mais) para essa música.
“In Cold Blood” é a próxima, uma faixa com um pouco mais de groovies em certas partes. Apesar do som de grupo ter sido influenciado diretamente pelas bandas de hard rock oitentistas da ensolarada Los Angeles, a cozinha do Wheelrunner (baixo/batera), respectivamente Panagiwtis Savage e Aris Escape) merece um destaque pois não se limita àquela cozinha reta e demasiadamente simples de seus influenciadores e sim, oferecendo partes com mais groovies, mais arranjos, mais elaboração e em outras já mais retas.
“A Walk Through The Rain” é uma balada, mas não é uma balada lenta e melancólica e nem uma power-ballad com guitarras pesadas nos refrões. É uma balda de hard-pop que certamente terá grande aceitação nas rádios pois conta com uma melodia cativante sem apelar para idéias fúteis e sem sal do pop rock atual.
Interessante notar que, nesse grupo, o vocalista/guitarrista, além de ser criativo na interpretação sabe, como guitarrista, escolher muito bem os timbres e igualmente criativo para a elaboração dos riffs. A faixa “Rock Star” é um outro bom exemplo desse bom gosto onde pedais wah-wahs complementam a dinâmica da banda e em “Made Of Sun And Pleasure”, a banda segue com aquele hard rock com bastante distorção nas bases e cozinha marcante. Mais rock n´roll visceral impossível aqui.
“On Fire” diz tudo também, uma faixa incendiária que ao vivo deve elevar bem a temperatura do ambiente. E para finalizar, “Natural Born Rocker”, que por si só explica a paixão do grupo pelo velho e bom rock n´roll.
Em suma: é uma banda de hard rock eletrizante, algumas partes mais peadas, outras mais elaboradas mas que, no geral, é aquele rock visceral estradeiro que faz a alegria dos motoqueiros e farristas em geral. Bandas como essa devem viver na essência da trilogia sexo, drogas (ou bebidas) e rock n´roll.
Não vá esperando escutar um som elaborado e cheio de arranjos ou u som mais cabeça. Esse em um autêntico hard rock feito para se divertir ao volume máximo, para esquecer os problemas da vida.
(Fred Mika)
Myspace: www.myspace.com/wheelrunner
Dessa vez (e outras vezes também) a Hellion Records acertou na mosca licenciando o novo disco do Whitesnake em terras brasileiras. É que discaço. Depois de dez anos sem lançar nenhum material inédito (só coletâneas) a cobra branca volta em grande estilo.
Com o carisma e dono de uma das maiores vozes do hard rock mundial, Dave Coverdale sabe como poucos dar uma aula de rock. De original do Whitesnake só tem ele e olhe que essa banda já revelou grandes guitarristas como Micky Moody e Mel Galley além de John Sykes (esse já havia mostrado seus dons no Tygers Of Pan Tang) e Adrian Vandenberg. Steve Vai também fez parte do comboio (na época tinha acabado de deixar a banda de Dave Lee Roth).
Outros músicos importantes passaram na história do Whitesnake em seu início como o baterista Ian Paice e o tecladista John Lord (ambos recém saídos do Deep Purple depois que essa banda parou suas atividades pela primeira vez em 1976), o baixista Neil Murray, o baterista Tommy Aldridge, entre vários outros.
Para esse álbum, a formação é nova, além de Coverdale, é claro, as guitarras foram comandadas por Doug Aldrich e Reb Beach (ex-Dio e ex-Dokken respectivamente), para os teclados veio Timothy Drury (ex-Eagles), para o baixo veio Uriah Duffy (Travers & Appice) e para a batera, Chris Frazier (ex-Doro).
“Best Years” é a primeira faixa do álbum, um hard rock cheio de groovies, variações onde todos os músicos mostram criatividade e técnica e principalmente Dave Coverdale, que está na ótima forma de sempre. Depois vem “Can You Hear The Wind Blow”, um hard rock um pouco mais agressivo que a anterior (essa daqui é digna das propagandas dos cigarros Hollywood), com excelente pegada e arranjos, com muita energia (com certeza uma das melhores composições do álbum).
Na seqüência vem outra que não fica atrás, “Call On Me”, com todas as características também da faixa anterior e um refrão marcante. E, como não podia deixar de ser, o Whitesnake que sempre se primou por belas baladas se consagrando na pole position das mesmas e ao lado de bandas de hard rock que compõem excelentes baladas como Scorpions, Bon Jovi, Van Halen e algumas poucas outras.
Aliás, convenhamos, me desculpem o pop rock, o heavy metal e o rock progressivo, mas o hard rock tem sido um estilo que oferece as melhores baladas dentro do rock em geral. A balada em questão e´”All I Want All I Need”. A pancada volta novamente a cena com “Good To Be Bad” (a faixa título que se inicia com um riff poderoso, um andamento fantástico e arranjos idem, além do refrão altamente bem feito, e ao lado disso tudo, a voz sempre convincente de Coverdale).
“All For Love” é uma faixa emotiva, não chega a ser uma balada, mas é um hard rock cadenciado e bastante melódico. Riffs poderosos, como não podia deixar de ser estão presentes aqui e bingo novamente (mais um refrão contagiante).
A segunda balada do play é a sugestiva “Summer Rain” que se inicia no violão (esta é meio na linha de “Sailing Ships” do álbum Slip Of The Tongue de 1989). “Lay Down Your love” se inicia com o refrão antes da música, com um pé no hard blues e interposições entre os riffs e os vocais (algo como “Still In The Night”, lembram?). Sem duvida, uma faixa fantástica.
“A Fool In Love” (aliás a palavra love é bem recorrente nas composições de Coverda... opss, digo Whitesnake) é um hard com andamento blues (uma outra interessante característica do Whitesnake, afinal em seu inicio na segunda metade dos anos setenta o grupo era uma mistura de blues, rhythm & soul, rock n´roll e hard rock e, somente nos anos oitenta se definiu mais como hard rock).
“Got Waht You Need” é outra que também volta as raízes, um hard blues com um pé na country music norte americana com guitarras slide e tudo mais. Bateria bastante dinâmica nessa faixa.
O álbum se fecha com “Till The End Of Time” (eu já vi esse título antes), a balada que finaliza o álbum. Com introdução em violão e uso de slides que dá certa característica country a música. Refrão melancólico e letra também (aliás, Coverdale é mestre em temas como desilusão amorosa e solidão).
É definitivamente um álbum onde tudo é superlativo, todas as músicas são ótimas em todos os sentidos, todos os músicos são ótimos instrumentistas e o encarte é ótimo (incrivelmente bonito e ultra bem detalhado). Enfim, é um excelente disco em todos os sentidos. É um álbum imperdível e ao meu ver o melhor lançamento deste ano até então.
(Fred Mika)
Site: www.whitesnake.com
“The Neon God” (2004) foram trabalhos que deixaram a desejar na carreira do W.A.S.P. Mas Lawless oferece a resposta em “Dominator”, o mais novo disco de estúdio do W.A.S.P. Com “Dominator”, o músico deixa de lado os ares de superprodução hollywoodiana e investe em uma sonoridade mais básica, que chega a evocar os seus primeiros álbuns, além de meter o dedo na ferida da atual situação política do seu país. O resultado mostra um cd pesado, visceral, furioso, venenoso, gritante, gritado, direto ao ponto.
O W.A.S.P. de “Dominator” continua sendo hard rock, com letras que mergulham sem reservas nas trevas da nação dominada por George W. Bush. ”Dominator” tem aquela levada pegajosa do hard rock, ganhando fortes contornos de heavy metal, pois todos os timbres estão bem pesados.
"Mercy", que abre o disco, no qual Lawless diz aos gritos: "I'll make you cry out loud". É exatamente isso que vai acontecer, "Long, Long Way To Go" é tão bestial e acelerada que, em suas influências quase punk de acordes simples, sujos e virulentos, traz lembranças imediatas de um certo Motörhead. Por outro lado, "Take Me Up" começa quase balada, mas logo ganha contornos de metal tradicional em uma interpretação pungente e dolorosa de um vocalista inspiradíssimo. E para quem conhece os trabalhos anteriores do W.A.S.P., "Heaven's Blessed" e "Teacher" soam com a cara da banda - coisa que fez muita falta nos dois discos anteriores.
Mas o grande momento de "Dominator" é mesmo a matadora "Heaven's Hung in Black", uma verdadeira obra-prima épica da mais pura tristeza em seus mais de 7 minutos, com direito a dois solos introspectivos de tirar o fôlego. Sua letra, profunda, intensa e provocativa, toma o título emprestado de uma declaração de Abraham Lincoln e trata da história de um soldado morto no Iraque que, quando tenta entrar no céu, acaba se deparando com um São Pedro, às portas da Terra Prometida do Nosso Senhor, dizendo que o terreno está lotado... justamente das vítimas do próprio exército ianque em ação no Oriente Médio. Ele não tem mais asas.
E os portões do Paraíso estão selados para ele. Que ele volte outra hora. Encerrando o disco, outro momento sublime:"Deal with the Devil", uma porrada etílica e que quase dá para chamar de suingada, de tão "envenenada" . "Dominator", apresenta-se como antagonista direto do direitista "United Abominations", do MEGADETH - do ponto de vista lírico.
O W.A.S.P. está rigorosamente do outro lado da moeda. ”Os últimos seis anos na América foram uma viagem inacreditável. Depois de 11 de setembro, eu nunca tinha me sentido tão orgulhoso de ser americano. Depois de ir para Nova Orleans e presenciar toda a devastação e abandono desta grande cidade por parte de seu próprio Governo Federal, eu nunca me senti tão envergonhado de ser americano”. A frase define muito bem o clima de "Dominator".
Se o próprio Lawless falou...
(Adriano Gandolfi)
O power trio Wiser Time trouxe uma onda nostálgica para o panorama moderno com seu álbum de estréia intitulado There And Back Again (2006), uma mistura de sonoridades do inicio dos anos setenta como Free, Humble Pie e Led Zeppelin ou mais recentemente o pessoal do Black Crowes. Som de uma época que não o som falava mais alto que a imagem, um classic rock autentico e sem frescuras (e isso significa também uma raiz blueseira muito forte, afinal o blues é o pai do rock), mas com muito feeling.
Pois bem, imergido nessa sonoridade integralmente, o Wiser Time apresenta um vocalista com talento inegável (Carmen Sclafani) cujo vocal não deixam nada a dever, em interpretação e criação, aos grandes da época como Paul Rodgers, Steve Mariott, Robert Plant e porque não Janis Joplin.
E agora, em 2008, eles lançam seu segundo álbum de estúdio denominado All For One que é um aperfeiçoamento do anterior. Vocais transbordando feeling, gaitas, violões, pianos, muitas guitarras slides, muito uso de efeitos wah-wahs, muitos solos viajantes e alternando com outros distorcidos, e um arsenal de riffs pentatônicos de dar inveja a Jimmy Page, Joe Perry e assemelhados trazem a tona o velho espírito do rock n´roll vindo do fundo da alma, uma fusão entre o homem e seu sentimento, um resultado honesto, poderoso e criativo que, além de Sclafani que também é guitarrista, vem sob o comando dos outros músicos do Wiser Time, Steve Decker (bateria) e Jon Cornell (baixo).
É um álbum com muito clima, alternando melancolia com faixas alegres, com muitas passagens de folk-rock, dedilhados belíssimos e um som vintage dos timbres dos instrumentos. A banda sabe como poucas por ai, captar do fundo da alma dos integrantes o sentimento mais do que necessário para a criação de uma musica que fala no intimo do coração do seu publico. É impossível não se emocionar ouvindo esse play.
São nove composições interessantíssimas, todas elas, “Even”, “All For One”, “High Time Mind”, “Floating Blues”, “Hammer Down”, “Crawling Floor”, “A Long Time Gone”, “Free” e “Blame It All On Me”, e todas igualmente importantíssimas porque não deixam de ser um marco no resgate de uma forma de rock estritamente ligado aos sentimentos mais profundos do ouvinte, corpo, mente e espirito.
Eu considero o classic rock (especialmente esse do inicio dos anos setenta) a forma mais profunda de captar e transmitir a alma do verdadeiro rock n´roll, uma interação quase que mística entre artista e ouvinte. Para potencializar ainda mais esse efeito nostálgico, o Wiser Time proveu para que o encarte desse álbum acompanhasse de forma integral e homogênea a proposta musical do mesmo, ou seja, o encarte é pura nostalgia, vintage mesmo.
Na foto da capa, um estúdio de ensaio é decorado com tapetes, visual indiano e, na parte interna há varias fotos dos integrantes num pub longínquo e extremamente intimista (e enfumaçado) perdido no tempo alem de outras fotos de lugares indefinidos e igualmente distantes. A parte técnica também esta presente completamente com todas as informações possíveis (ficha técnica, letras das musicas, integrantes, agradecimentos, etc).
Eu tentei ao máximo descrever o espírito que uma sonoridade como essa significa, mas para se ter a idéia de uma dimensão exata dessa excelente banda só comprando esse lançamento e ouvi-lo na integra.
(Fred Mika)
Site: www.wiser-time.com
Banda alemã de Power Metal, favor não confundir com a banda homônima polonesa de Black Metal, formada em 1992, cuja formação atual conta com Carsten "Maxe" Pasemann (vocal), Gerd "Sammy" Simson (guitarra), Marco Dammann (baixo) e Andreas "Andi" Rinke (bateria).
Sexto disco de sua carreira, que também lançou dois demos tapes, no início de sua carreira, em 92 e 94, “Unholy Darkness”, é um álbum mais nervoso que seu antecessor, “Keep Metal Alive”, lançado em 2004. As músicas estão mais consistentes, ganharam uma força extra, com mais energia. Deve ter sido a vontade de estarem de volta às gravações.
Ótimo disco, com excelentes músicas que entusiasmam os headbangers. Comentando algumas delas, como “Killing Kayne”, ritmo alucinante das guitarras e altas quebradas, é de arrepiar, literalmente falando. “Unholy Darkness”, menos nervosa, que com certeza vai ficar como hit do grupo, refrão para a galera cantar com a banda ao vivo. “Soultaker”, outro grande trabalho com excelentes variações de ritmos, “Hell-Headbanger”, arregaçante, muito cuidado para não ter problema de pescoço e perder mais alguns neurônios de tanto balançar a cabeça.
Wolfs Moon é um grupo que faz heavy metal de primeira, mantendo o estilo vivo e ainda acreditando no verdadeiro metal. Indispensável para os headbangers.
(Bob Riot)
Site: www.wolfsmoon.de
MySpace: www.myspace.com/wolfsmoontheband
Mais um power trio, dessa vez vindo de Madri, Espanha, e formado por Oliver Martin (guitarras e vocais), David De La Fuente (bateria) e Juan Guevara (baixo).
O som é um rock moderno, alternativo e bem pesado; algo com uma mistura de influencias que vai do grunge até ao new metal como é logo perceptível na faixa de introdução “On The Screen”. A faixa seguinte, “Artist Of The Week” já temos quase que um hardcore com thrash metal, mas também com algumas passagens virtuosas e jazzísticas (nota se ai a excelente técnica do guitarrista).
O a miscelânea não para por ai, “Cuckolded”, tem uma introdução que parece que será uma balada de bandas como Pearl Jam mas logo cai num som mais pesado quase que na linha do Nirvana.
A próxima, “Comor, Quer” é uma faixa praticamente instrumental com uma pequena participação especial de Daniela Liras e Beatriz Martin. Nessa faixa, o guitarrista esbanja toda sua técnica.
“Miss Potato Head”, a musica seguinte, que, apesar do nome, é um rock dos mais intricados, excelente trabalho de baixo, guitarra e bateria bem ao estilo do Pantera.
“Trickster” já apresenta um rock mais arrastado, pesadão, na linha do Alice In Chains. “Loop Da Loop” uma pequena introdução numa bateria mono para logo cair num som estranho, altamente trabalhado e psicodélico, bem na linha das criações malucas de Steve Vai.
“Twisting My Head” também tem uma introdução jazzística, uma faixa interessante. É realmente um álbum que mistura muitos gêneros que apesar de soar como um rock alternativo mais moderno, apresenta também várias outras influências. Destaque aqui para os vocais.
O peso das guitarras voltam novamente em “No Soul Man” e “Wacky Supermarket”, ambas com bases na linha do Pantera também embora os vocais puxem para o lado do rock alternativo. E por fim, “Creepy Woman”, uma mistura estranha, um jazz-blues onde o baixo puxa a música com solos picotados de guitarra.
Os músicos são bastante versáteis, nota se aqui de tudo, é realmente um trabalho bem criativo, bem diversificado. O guitarrista merece destaque especial, bastante técnico e dinâmico. Interessante também são os timbres das guitarras, bem definidos, pesados, cortantes.
As músicas também variam demais agrupando diversas influências ficando até meio difícil, às vezes, tentar definir um estilo para essa banda. A única coisa que podemos dizer é que é um som moderno puxando mais para bases pesadas, quebradas e bem trabalhadas e muita variação das músicas e dentro delas mesmos.
Os mais puristas provavelmente não vão agradar desse trabalho, pois se trata de muita mistura de influências. Até o encarte desse álbum é diferente, não há a capa de proteção de acrílico comumente usado por ai e o desenho da capa é bastante rudimentar (feito pela artista Yolanda Gregori), como um desenho de uma criança, mas mesmo assim não deixa de ser cômica. O fundo (nesse caso aqui é a contra-capa) também apresenta um outro desenho do mesmo estilo em que as faixas são colocadas como os galhos de uma árvore seca.
É exótico em tudo, o som, a arte, as idéias em geral.Se não tiver preconceitos procure ouvir, há muita coisa aqui que vale a pena, outras nem tanto.
(Fred Mika)
Site: www.whistlino.com
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