Final de setembro de 2009 e o TROUBLE se apresentou em Malmo, Suécia, juntamente com os ingleses do ANGEL WITCH e os locais CANDLEMASS, em uma mini tour escandinava como o título de Dinasty Of Doom, a qual incluia o PENTAGRAM (EUA) em algumas apresentações.
TROUBLE tem sido uma das bandas mais respeitadas no mundo da música pesada desde sua aparição com o álbum de estréia (1984) e registro após registro te trazido adeptos que somam e somam a sua música.
Com uma carreira que teve alguns altos e baixos provocados principalmente com suas gravadoras, TROUBLE segue adiante agora com Kory Clarke(WARRIOR SOUL) a cargo dos vocais, substituindo ao mítico Erik Wagner, um vocalista para muitos insubstituível, mas que julgando pelo show que tive a oportunidade presenciar, pode seguir adiante porque seguramente a banda não perdeu nada de sua identidade, e mais, parecia que agora vieram com uma energia renovada e totalmente positiva, energia que terminará por convencer desta mudança os antigos fãs da banda, além de seguramente gerar novos seguidores.
Logo depois de um show espetacular no palco do Kultur Bolaget em Malmo, quisemos conversar com a banda sobre este novo processo e acerca do passado da banda. A seguinte é uma entrevista concedida por Bruce Franklin, Rick Wartell e Kory Clarke. Apreciem.
01- Para começar, falemos um pouco a cerca do passado da banda, desde seu inicio até o momento que fecharam com a Metal Blade Records.
Bruce Franklin:
No início firmamos um contrato muito rapidamente com o selo Metal Blade Records, que naquele momento era mais orientado para bandas de thrash metal clássico, e nós éramos literalmente os únicos que misturavam o doom com o heavy metal mais lento, tipo influências mais diretas do BLACK SABBATH e este tipo de som. Naquele tempo Metal Blade teve a "grandiosa" idéia de nos chamarem de "White Metal" somente porque nossas letras e imagem eram bastante diferentes de bandas do selo, e desta maneira começaram a nos divulgar em revistas e anúncios em lojas, classificação esta que não gostavamos nenhum pouco.
Rick Wartell:
Ei Bruce, se recorda da publicidade de um show que fizemos juntamente com o Slayer??? Metal Blade fez de uma lado classificando o Slayer de black metal e de outro TROUBLE de white metal... esta foi a maneira do selo de promovernos durante aquele tempo e tratar de vender a banda.
Kory Clarke:
Metal Blade é o selo de Johnny Zazula ou Brian Slagel??
Rick Wartell:
É o selo de Brian, um de meus favoritos do mundo, saudações Brian!!!
02- Da Metal Blade saltaram diretamente ao selo de Rick Rubin, Def American Recordings porém de um modo ou de outro, menos na América do Sul, a divulgação da banda não foi tão forte como quando estavam na Metal Blade que era uma companhia bem menor.
Bruce Franklin:
Eu não vejo do mesmo modo, ao menos em respeito as vendas e a forma que a banda cresceu nos EUA, vendemos ao menos três ou quatro vezes mais do que costumavamos vender na Metal Blade, tivemos difusão em rádios e rotatividade na MTV, porém que é certo que apesar de vermos uma melhor situação nos EUA, o resto dos mercados sofreu uma baixa considerável porque Def American não se preocupou em nada em divulgarmos em outros territórios. Isto foi algo que afetou muito a banda já que não podíamos existir somente no mercado de nosso país, e finalmente foi uma das razões principais por deixarmos de trabalhar com o selo.
03- Agora em perspectiva, quais foram os pontos positivos principais de fechar contrato com uma companhia como Def American??
Rick Wartell:
Bom, para mim foi principalmente de haver contado com apoio financeiro para as tours. Pudemos fazer shows juntamente a banda como Pantera ou Ramones que eram bandas que estavam no topo naquele momento, e com a Metal Blade eram todas tours ou shows autofinanciados ou entre as bandas que faziam parte do selo.
Eu mesmo tinha que procurar lugares para a banda tocar e a banda financiava toda a operação até o momento de tocar, isto mudou completamente quando assinamos com a Def American já que passamos de fazer tudo por conta própria a ter um agente encarregado de coordenar e fazer o trabalho, além e obviamente que os custas dos shows já não saiam de nossos próprios bolsos, e que contavamos com uma pessoa encarregada de toda a promoção e publicidade.

04- Anteriormente ao lançamento do disco homônimo (1990) algumas pessoas diziam que a banda havia se dissolvido, outros diziam que estavam em "standby", outros que estavam trabalhando em material para um próximo disco, que aconteceu de verdade???
Rick Wartell: Terminamos??? Quando??? Nos nunca nos dissolvemos como banda, somente estavamos esperando encontrar uma nova companhia e ao mesmo tempo trabalhando em nosso novo disco, TROUBLE somente parou uma vez e não foi precisamente neste período.
Bruce Franklin:
Logo depois do disco "Plastic Green Head” (1995), ai sim nos dissolvemos, a situação dentro da banda era realmente insuportável, nem fomos capazes de mantermo-nos juntos para finalizar a tour de promoção do disco. Tudo vinha abaixo e não nos suportavamos uns aos outros e assim o melhor era parar.
Rick Wartell:
Voltando ao tempo entre "Run To The Light" e "Trouble", eu entendo que muita gente achou que havíamos parado, porém o certo éque estavamos reformulando todo o trabalho que fariamos daquele ponto em diante, além de que nunca nos caracterizamos por ser uma banda que faz discos todo ano. Trabalhamos em cada disco de uma forma metódica e cuidadosa em detalhes e a verdade é que gostamos de tomarmos nosso tempo em cada trabalho.
Bruce Franklin:(interrompendo)..
Porém, não somente éRick, lembra-se que entre os dois álbuns não somente de gravadora, mas de componentes dentro da banda, também mudamos de empresário, e logo entre "Manic Frustration" (1992) e "Plastic Green Head" voltamos a mudar de integrantes, empresário, gravadora, etc e isto toma um grande tempo para organizar, é terrivelmente por assuntos extra musicais são às vezes os que mais tempo consomem e te fazem parar de trabalhar no que é realmente importante.


05- Bom, todas estas dúvidas com respeito a banda durante o período pós Metal Blade se devem principalmente neste tempo porque não havia internet, e que na América do Sul a informação vinha totalmente via revistas e fanzines, e as vezes eram mais relacionadas com gravadoras independentes.
Rick Wartell:
Exato, agora entendo a que você se refere, porque naturalmente é a forma e logística de trabalho que funciona uma companhia independente que fez que a banda em certos territórios tivesse mais cobertura.
Durante nosso tempo na Def American as pessoas fora dos EUA perderem um pouco de contato conosco, porém nos EUA nossa banda durante estes dois álbuns cresceu bastante, claro que posteriormente a isso vimos que em outros territórios haviam sido totalmente descuidados e isso não podia continuar desta maneira.
O selo não aceitava entrevistas de fanzines, tampouco de revistas menores, e isto fez com que a banda obviamente desaparecesse de muitos circuitos, o underground inclusive.
Bruce Franklin:
Em realidade vendo em perspectiva, o tempo que estivemos na Def American o selo se concentrou unicamente nas vendas dentro dos EUA, e a promoção e difusão da banda fora do nosso mercado local foi nula.
Quando nos demos conta que isso não mudaria porque o selo não tinha o mínimo interesse em colocar a banda em outros mercados, foi quando decidimos cancelar nosso contrato.
Para o selo EUA era onde estava o dinheiro e o resto pouco ou nada importava, nem sequer a Europa, que é um mercado gigantesco, porém quero que entendam que não era nossa postura. Para nós, obviamente todos os mercados são importantes e não compartilhavamos em nada a política do selo.
06- Então pelo que deduzo vocês renunciaram a Def American e não foi o selo que cancelou o contrato.
Rick Wartell:
Não!! Nós renunciamos,Def American queria que seguissemos com eles no selo porém nos pedimos para acabar com nossas obrigações com eles.
Bruce Franklin:
Claro, nós não podíamos continuar da forma que estávamos fazendo as coisas, participando de tours melhores, vendiamos mais porém ao mesmo tempo tudo saia de nossos próprios bolsos igualmente porque tinhamos de pagar de nossas vendas o que significava estar aonde estavamos. Não pagavamos no principio como no passado porém pagavamos depois e um preço muito mais alto.
Definitivamente, em um selo menor poderiamos fazer dinheiro, e na Def American não faríamos de maneira alguma, e não era culpa de Rick Rubin o do pessoal do selo. Eles têm um modo de trabalhar, e dentro deste esquema, uma banda como o TROUBLE não funciona, já que chegamos a vender uma boa quantidade de discos, porém, não foi o suficiente e quando pedimos para cancelar o contrato nos deixaram de imediato sem colocar nenhum inconveniente.
Não podemos culpar a Def American a nada que aconteceu, eles colocaram uma boa quantidade de dinheiro na banda e nosso empresário daquela época decidiu usá-lo de maneira errada, diga-se colocá-lo em seu próprio bolso, por isso não guardamos nenhum sentimento negativo quanto Rick Rubin ou do pessoal do selo, basicamente creio que fomos muito azarados em muitas decisões que tomamos e isso afetou o resultado final.
Rick Wartell:
Não éramos uma banda com pessoas com experiência ou inteligentes para negócios, agora claro temos mais experiência e a situação dentro da banda é muito melhor neste momento, não estamos assinados diretamente a nenhuma companhia assim podemos licenciar nossos próprios discos a selo diferentes que nos ofereçam o melhor trabalho. Isso é que temos feito já há a bom tempo até agora.
07- E me parece que desde "Plastic Green Head" já estavamcom uma estratégia de trabalho deste tipo.
Rick Wartell:
Sim, desde "Plastic Green Head" e adiante e os resultado forem consideravelmente melhores do que acontecia antes, Plastic foi lançado na América do Norte pela Century Media e na Europa pela Music For Nations e aí temos licenciado nosso material, inclusive nossos três primeiros álbuns em reedições remasterizadas.
Não vejo que possamos mudar esta forma de trabalho no futuro, nem tampouco que iremos assinar com um selo para todo o mundo, e se você ver o que estão fazendo o resto das bandas com mais trajetória, verá que é muito raro ver alguém firme com um selo, que te amarre para todos os países, sendo que não sabe como serão as vendas dentro do seu próprio território.
Desde que estamos trabalhando deste modo a banda émais popular que antes, temos mais controle, ganhamos mais dinheiro e pelo mesmo motivo há uma trabalho mais dedicado dentro da banda.
08- Agora estão trabalhando em um novo disco que será lançado em 2010, TROUBLE conta com nova formação, que se passou realmente com Erik Wagner porque na internet circulam mil e uma histórias diferentes.
Rick Wartell:
Te direi o que se passou realmente, chegamos a um ponto dentro da banda que não nos aturavamos por nada, e os egos mesmo haviam se elevado a uma posição que não dava mais para poder manter-nos tocando todos juntos na mesma banda.
Erik era o frontman da banda, porém em qualquer momento se ouviu que os sempre trabalharam pela banda foram sempre Bruce e eu, e, sobretudo Bruce que sempre foi o principal compositor me parecia uma falta de respeito que alguém levasse o crédito maior e que não era totalmente profissional em seu trabalho.
Nosso empresário tratava o Erik como se ele fosse a banda e as coisas não eram assim, a situação durante e pós Plastic Green Head foi tremendamente difícil e necessitavamos uma parada porque nada funcionava. Estavamos muito deprimidos por como haviam se desenvolvido os sucessos desde nosso disco Trouble em diante, e para a banda ter um futuro tinhamos que parar.
Bruce Franklin:
O relacionamento entre nós chegou a um ponto horroroso, não podiamos nos ver, eu não suportava nada da banda e creio que o sentimento era o mesmo dentro de cada um que compunha a banda. Em um ambiente assim, nada bom pode se criar e o melhor era pararmos por um tempo para repensarmos o que fariamos e para também "desintoxicarmos" um do outro.
09- Dentro desta desintoxicação decidiram chamar Kory Clarke (também voz do WARRIOR SOUL) como novo vocalista da banda?
Rick Wartell:
Primeiramente devo te dizer que a aceitação dos fãs por Kory foi incrível, segundo, Kory é o vocalista mais profissional com o qual já trabalhei...
Kory Clarke:(interrompendo)
(Risos), oooggg, nem precisa dizer isso, muito obrigado
Rick Wartell: (Risos)
Porém é a verdade, digo totalmente a sério, Kory não é somente profissional gravando em um estúdio, é profissional na hora de subir em um palco, é profissional em relacionar-se com os demais dentro de um ônibus de tour, é totalmente profissional em todos os sentidos e ele sabe claramente porque está parado em um palco, ele não sobe prá jogar, ele faz seu trabalho de maneira séria sempre.
Te explico deste modo, com Bruce sempre quisemos fazer da banda a mais pesada e contundente possivelmente, e quando conversamos com outros vocalistas, sempre quiseram adaptar o estilo da banda a seu estilo particular. Ao contrário disso, quando Kory chegou ele se moldou ao estilo característico da banda sem pedir que nós mesmos nos adaptassemos a seu estilo, agora este é o TROUBLE e Kory canta aqui, e não é um vocalista "X" com componentes da banda tocando no fundo.
Kory é um vocalista profissional e isso define tudo, ele pode cantar desde Metal e punk até funk, jazz, ou o que você peça prá ele cantar, é um vocalista extraordinário e todos na banda estão vivendo um momento incrível e por isso pode se apreciá-lo ao vivo.

10- Bom Kory, e o que você pode dizer a respeito depois destes comentários tão elogiosos????
Kory Clarke:
Primeiro que amo a todos estes caras, eu da banda anteriormente ao meu ingresso como vocalista somente havia escutado algumas músicas, porém sabia da reputação que gozam e que são muito respeitados dentro da comunidade da música internacional.
Atualmente quase nenhum músico pode se manter somente com uma banda, por isto mesmo não posso parar de trabalhar com WARRIOR SOUL e sigo como vocalista de ambas bandas.
Quando me chamaram para oferecer o trabalho fiquei de doze a dezesseis horas pensando seriamente porque a proposta me interessou bastante, assim que os disse, ok estou dentro, com os dois pés na banda e assim estamos aqui e é ótimo poder tocar com eles.
Já fizemos um par de tours e tudo caminha mil maravilhas e agora estamos trabalhando em um novo disco excelente. (n.t esperamos que sim!!).
11- E a resposta ao show desta noite foi excelente, muita gente comentando quão bom soa a banda contigo agora no microfone e pensaram que Erik nunca poderia ser substituído?!
Kory Clarke:
Muito obrigado e creio que...
Rick Wartell: (interrompendo)
E esta e a parte mais importante de tudo, assim como muita gente ao principio pensou que Kory era a voz ideal para a banda, muitos outros pensaram que não havia jeito que este funcionasse, e se vocêver a face das pessoas durante os shows pode ver de imediato a aprovação a sonoridade que estamos produzindo, por outro lado nós somos músicos com suficiente experiência, não iamos colocar qualquer pessoa a frente do microfone para cantar em nossa banda. De inicio chegaram muitas mensagens de fãs dizendo-nos que não resultaria nada bem esta nova combinação, porém os fãs têm que confiar em nosso critério, não estamos neste negócio por tantos anos de forma gratuita, sabemos o que fazemos e estamos confiantes que Kory é a voz que a banda necessitava.
Kory Clarke:
A coisa passa por aqui também, somos músicos com uma boa experiência, e não vamos pisar em pregos uns nos outros. Tudo implica em complementar os melhores elementos de cada um e misturamos para obtermos um resultado positivo. Ao vivo eu procuro dar o melhor de mim, cantar bem e também dar um bom espetáculo visual, porque eu me vejo como um "frontman" e não somente um vocalista.
Rick Wartell:
Kory é um vocalista, é um frontman, um grande compositor, quando você escutou o que estavamos fazendo para nosso novo disco, Kory escreveu letras alucinantes e ao princípio pensei que talvez faria letras mais parecidas com o estilo que faz no WS, porém não, Kory deu as letras as características próprias da banda e não uma extensão do que faz no WS e isso me pareceu fantástico.
Realmente não vejo a hora que este disco esteja disponível no mercado e os fãs possam escutar o que Kory fez, e neste momento entendam de imediato porque o escolhemos para unir-se a banda, Kory é perfeito para TROUBLE e isso será demonstrado no novo disco.
Kory Clarke:
Realmente gostei dos seus comentários Rick...
Bruce Franklin:
(Risadas) e qualquer um que nos assista ao vivo poderánotar que agora hámuito mais energia, Kory traz muito mais dinâmica e isso supostamente contagia o resto da banda.

12- Isso é certo, esta noite o show foi espetacular e a banda se entregou como se estivesse tocando para dez mil pessoas.
Kory Clarke:
Eu cada vez que subo ao palco, é porque houve alguém que pagou para que eu estivesse ali, e se alguém pagou para nos ver, tenho que dar o melhor de mim, é assim simples. Este é meu trabalho e sou profissional no que faço, não existem palcos pequenos ou grandes, somente bons e maus artistas.
Rick Wartell:
Somos uma banda profissional, realmente somos mais que isso, somos artistas e não podemos medir o que fazemos se há dez ou dez mil pessoas no público.
13- Para finalizar, que há a respeito do novo disco e há algum plano para tocar na América do Sul???
Bruce Franklin:
Já estamos trabalhando no novo disco, fechamos um contrato de licenciamento com um selo e esperamos que este esteja a venda em breve, afirmo que muita gente ficará impressionada com este novo material porque vem MUITO pesado.
Rick Wartell:
Quanto à América do Sul, nós morremos para ir tocar lá, porque alguns amigos nos contaram que tocaram lá penso que não há jeito de nos mandarem de volta aos EUA (risos), imagine Kory por lá!!! Este cara não voltaria mais, não haveria forma de trazê-lo de volta e passaria o resto de sua vida lá.
Kory Clarke:
Claro que estamos dispostos a tocar láe quando seja, fazendo uma pausa na gravação do nosso novo disco já que queremos tocar para vocês, porém até o momento não recebemos nenhum tipo de proposta e na verdade estamos esperando que chegue algo.
Rick Wartell:
Olá América do Sul, se nos chamarem partimos amanhã mesmo!!! Sol, praia, mulheres bonitas, como poderíamos não gostar de algo assim???
Site: www.newtrouble.com/
Myspace: www.myspace.com/troublechicago
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